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Museu Grão Vasco será o próximo a receber “presente” do Novo Banco

Museu Grão Vasco será o próximo a receber “presente” do Novo Banco

DR José Cabrita Saraiva 13/08/2018 11:18

“Setembro e outubro serão meses intensos na realização de protocolos com museus”, promete o Novo Banco. Objetivo é criar um roteiro descentralizado para a sua valiosa coleção de pintura

Depois de oito museus nacionais já terem recebido, desde o início do ano, um total de 15 pinturas para as suas exposições permanentes, será a vez de em setembro o Grão Vasco beneficiar da política de distribuição de obras de arte promovida pelo Novo Banco. O museu de Viseu será brindado com duas pinturas do paisagista francês Jean-Baptiste Pillement (1728-1808). “Os próximos meses de setembro e outubro serão intensos na realização de protocolos com museus”, promete em comunicado a instituição financeira.

Fruto da tradição de colecionismo da família Espírito Santo, o Novo Banco possui 98 quadros (alguns dos quais decoravam outrora as paredes do piso da administração) e não tenciona que eles fiquem fechados na sede da Avenida da Liberdade.

“O desígnio da coleção de pintura é poder ser partilhada para que tenha uma fruição pública o mais vasta e descentralizada possível”, refere Paulo Tomé, responsável pelo Novo Banco Cultura. “Cada quadro deve ir para onde fizer sentido, é esse trabalho que estamos a fazer com o Ministério da Cultura. Vamos criar conjuntos que possa fazer sentido alocar a museus ou centros culturais de todo o país para estarem expostos. Se o quadro é muito relevante para aquele local, vai para lá. Não precisa de ser uma grande cidade nem uma capital de distrito”. Aliás, Paulo Tomé defende que as cedências devem pautar-se pela “maior dispersão geográfica possível, privilegiando o Interior, [em locais] onde às vezes há lacunas e que no fim do dia são quem mais vai valorizar este património”.

O primeiro protocolo foi assinado em janeiro deste ano com o Museu dos Coches, para empréstimo a título permanente de uma pintura do séc. xvii, “Entrada em Lisboa do Núncio Apostólico Monsenhor Giorgio Cornaro”. Seguiram-se parcerias com o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, com o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, com o Museu da Guarda (que recebeu cinco obras de artistas portugueses contemporâneos), com o Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, com o Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos, com o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, e, finalmente, com a Câmara Municipal de Setúbal, para cedência de três obras de pintores portugueses dos séculos xviii e xix destinadas a enriquecer o acervo do Museu do Convento de Jesus.

A ideia é criar um “roteiro descentralizado”, como lhe chama o Novo Banco, para que este património possa ser usufruído em todo o país, contribuindo nomeadamente para reforçar as coleções dos museus do interior.

 

“Compromisso de não alienar” Esta semana o “Público” noticiou que o espólio cultural do Novo Banco, que está dividido em quatro núcleos - pintura, numismática, biblioteca de estudos humanistas e fotografia contemporânea - e cujo valor se estima rondar os 50 milhões de euros, pode ser vendido pelo fundo Lone Star, que adquiriu o Novo Banco em 2017. No entanto, uma fonte do banco garante que o fundo norte-americano “não pode vender” um património que pertence ao banco. Aliás, continua, “o novo acionista assumiu com o Estado Português o compromisso de não alienar este património” e existe mesmo um contrato onde essa cláusula ficou salvaguardada. Outro governo poderia romper esse contrato - o que, nota a mesma fonte, nunca seria uma decisão pacífica - e, com as pinturas integradas em diferentes museus, essa possibilidade torna-se ainda menos verosímil.

Dos quatro núcleos, o de numismática é o mais valioso e o único que não sairá das instalações da Avenida da Liberdade. Encontra-se instalado no piso -6, com um impressionante aparato de segurança, e está acessível a estudantes e investigadores, mediante marcação. Adquirido em 2007 ao numismata Carlos Marques da Costa, o proprietário das pastilhas Gorila e dos caramelos Penha, é formado por 13 mil moedas, as mais antigas datadas do séc. ii a.C.

Quanto à coleção de fotografia contemporânea, que reúne cerca de mil obras de grandes nomes da disciplina - como Cindy Sherman, Jeff Wall, Candida Höfer ou Andreas Gursky -, o seu futuro permanece ainda incerto. “Gostaríamos que não fosse para Lisboa nem para o Porto”, referiu Paulo Tomé. “Fala-se em Coimbra, no Convento de São Francisco”, uma hipótese que em abril estava a ser avaliada pelo Novo Banco em conjunto com responsáveis do governo.

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