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Campeonato. Benfica de regresso à vaca fria

Campeonato. Benfica de regresso à vaca fria

João Girão Afonso de Melo 10/08/2018 10:28

Esta sexta-feira à noite, na Luz (20h30), encarnados e vimaranenses dão o pontapé de saída na Liga 2018-19. A 1.ª jornada acaba em Portimão num daqueles jogos próprios das segundas-feiras

Como é seu hábito, o tempo voou. Entrámos pelo verão adentro com o calor senegalês próprio de uma plantação de ananases, mergulhámos em agosto por entre o mar das praias plenas e os incêndios amaldiçoados que não nos largam o território, ano após ano, esquecemo-nos já do Campeonato do Mundo da Rússia e, hoje mesmo, pelas oito e meia da noite, eis que regressa a vaca fria, ou seja, o campeonato nacional de futebol, com um Benfica-Vitória de Guimarães que apanha os encarnados no meio de uma eliminatória europeia de fulcral importância, não apenas para o seu futuro imediato, mas também para a recuperação de um certo prestígio desbaratado na inacreditável participação mais recente na Liga dos Campeões. 

Primeira jornada em marcha, portanto, a terminar segunda-feira, dia 13, em Portimão, com um Portimonense-Boavista que irá certamente pôr o Algarve a ferro e fogo (passe a expressão, e como se ele já não estivesse assim, valha-o Deus...). Continuam a ser fantásticos estes jogos de segundas-feiras à noite, principalmente no inverno, e se a Liga está convencida de que é por eles que passa o futuro dos clubes portugueses e a sua recuperação financeira, então bem pode limpar as mãos à parede.

Convenhamos: o campeonato português vem resvalando pela encosta da qualidade com a velocidade de uma avalanche no Anapurna. Todas as épocas assistimos à sangria dos plantéis, com os melhores jogadores a preferirem equipas de segunda apanha em Inglaterra, Espanha ou França do que os três ditos grandes, com a mediocridade geral dos espetáculos instalada soberanamente nos estádios, nos quais apenas a paixão clubística que ainda vai sobrevivendo mantém acesa a chama dos clubes maiores.

Pedro Proença teima na sua batalha de alecrim e manjerona por aquilo a que chama “a pacificação do futebol” cá do retângulo, mas o facto é que todos fazem orelhas moucas a tal quimera e as tranquibérnias insuportáveis irão continuar a manchar uma competição que há muito deixou de ser um lugar agradável para habitar.

Enfim, pomos de lado os considerandos para falar da bola, a mágica senhora das paixões, como lhe chamaria Miguel Torga, aquela que deveria merecer a atenção primordial de todos nós.

 

Esperando...

Não há grandes novidades a esperar desta edição do campeonato. FC Porto, Benfica e Sporting, por ordem da última classificação, voltaram a vender mais do que a comprar, cabendo aos leões, que vão domingo a Moreira de Cónegos, a dose maior de interrogações quanto ao que podem vir a apresentar depois do terramoto que lhes abalou todos os alicerces. José Peseiro terá a responsabilidade de construir uma equipa sobre ruínas, mas não deixa de ser um facto que o horizonte eleitoral se perfila como um marco da maior solenidade. Depois desta fase transitiva, resta saber o que quererá o novo presidente do clube para o futuro, sabendo até, como se sabe, que um dos candidatos até já tem acordo com outro técnico. E mais: se as providências cautelares adivinháveis em caso de não admissão de determinadas candidaturas empurrarem as eleições para as calendas, em que estado de tem-te-não-caias viverá toda a equipa, preocupação que se baseia igualmente em futuras faltas de liquidez? 

Ora, faz isto do Sporting menos favorito? Quanto a mim, nem por isso. Para que volte a ser um favorito de corpo inteiro, o leão precisa de encontrar não somente um rumo, mas também um timoneiro que tenha o mapa nas mãos e estas bem agarradas ao leme. E isso é algo que não tem existido há muito tempo, exceção feita, vá lá, à primeira temporada de Jesus no clube, quando o treinador assumiu as rédeas da batalha contra o seu principal adversário - nesse caso, o Benfica.

Benfica que defronta hoje, em casa, o Vitória de Guimarães, para ir na terça--feira a Istambul, e vive em dúvidas sérias quanto à composição do seu ataque, agora sem Raul, e por agora sem Jonas, entregue a dois novos elementos - Ferreyra e Castillo - ainda bem longe da afinação coletiva que tais funções exigem.

Também o FC Porto viu saírem jogadores importantes na conquista do último título. E, ainda por cima, está a contas com problemas físicos (Soares) e institucionais (Marega e Aboubakar) que fragilizam o seu setor dianteiro. Vale que a primeira jornada parece, tal como aconteceu com o jogo da Supertaça, cair como sopa no mel nesta fase de indefinições para Sérgio Conceição.

A partir daí, voltaremos à habitual luta pelo quarto lugar (às vezes, um tropeção alheio abre o terceiro), cada vez mais confinada às duas equipas do Minho, com o Braga uns passos adiante. O Guimarães avançou para um reforço de peso: o treinador Luís Castro. Hoje, na Luz, vai certamente ter uma palavra a dizer no embate com Rui Vitória, o Vitória que ganha sempre ao Vitória (de Guimarães) desde que chegou ao Benfica. De sexta--feira a segunda, estende-se a ronda até colar com a jornada europeia. Para que a sua televisão nunca fique sem futebol.

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