24/9/18
 
 
António Luís Marinho 10/08/2018
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Quando tudo arde

Todos esperamos que, logo que possível, António Costa vá até Monchique explicar às populações, a quem prometeu “tranquilidade e confiança”, o que falhou

Na altura em que escrevo esta crónica, um violentíssimo incêndio destrói a serra algarvia há já sete dias.

A boa notícia, no meio desta catástrofe, é a de que, até este momento, não houve vítimas humanas.

Tudo o resto são péssimas notícias, apesar da tentativa generalizada das autoridades - Proteção Civil e governo - de se centrarem na ausência de vítimas humanas para valorizarem o seu papel nesta desgraça.

Em junho deste ano, quando parecia que o verão não queria aparecer, o primeiro-ministro esteve exatamente na Fóia, viu uma equipa de sapadores a limpar terreno e concluiu:

“Esta tarde pudemos ver três fases muito importantes da preparação que, em todo o país, está a ser feita para podermos viver este verão de 2018 com maior tranquilidade e maior confiança.”

Todos esperamos que, logo que possível, António Costa vá até Monchique explicar às populações, a quem prometeu “tranquilidade e confiança”, o que falhou.

Na mesma ocasião foi referido um estudo, que já tinha sido divulgado em maio, realizado pelo Centro de Estudos Florestais, e que apontava Monchique como a zona de maior risco de incêndio.

Ao sexto dia, António Costa fez a primeira declaração sobre o incêndio, afirmando que “Monchique foi a exceção do sucesso do combate aos incêndios deste ano”. 

Pois bem, depois de apagado o fogo e feita a contabilidade das perdas e danos, é obrigatório apurar responsabilidades, começando por esclarecer que intervenção de fundo se fez na serra algarvia como prevenção para a hipótese de incêndio.

Confrontado com a proposta apresentada, em fevereiro deste ano, pela Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio, que apontava medidas de intervenção urgentes na serra algarvia, o secretário de Estado das Florestas limitou-se a dizer que o projeto tinha “irregularidades”. 

Será de concluir que a associação apresentou tal projeto devido à inexistência de qualquer projeto de intervenção na serra algarvia? Se sim, como é que isso pode ser explicado?

A serra algarvia continua hoje a arder, a acreditar nas próprias previsões do primeiro-ministro.

Recordo-me do título de um livro de António Lobo Antunes e aplico-o literalmente:

“Que farei quando tudo arde?”

 

Jornalista

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