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Monchique. Uma semana depois, o homem começou a ganhar ao fogo

Monchique. Uma semana depois, o homem começou a ganhar ao fogo

Carlos Diogo Santos 10/08/2018 07:00

Ontem, o balanço dava conta de 39 feridos e mais de 23 mil hectares ardidos. No dia em que o incêndio começou a dar tréguas houve críticas da autarca de Silves à atuação das autoridades e elogios por parte do presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve

Uma semana depois, as chamas voltaram a dar tréguas. O anúncio de que o incêndio que deflagrou em Monchique, Algarve, na última sexta-feira estava “globalmente estabilizado” foi feito ontem ao início da noite por Patrícia Gaspar, 2.ª comandante operacional nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

Desde o início do dia de ontem que o cenário parecia estar a evoluir de forma positiva, ainda que ainda não fosse considerado dominado às 21h. Patrícia Gaspar, no briefing diário, fez mesmo saber que apesar da evolução positiva houve vários reacendimentos durante o dia: “Tivermos varias reativações, inclusive em áreas que não era muito expectável, mas a situação, neste ponto, está globalmente estabilizada”.

A responsável deixou ainda claro que o fogo tinha começado a perder força deste quarta-feira, ainda que fosse cedo para falar num desfecho. “O incêndio cedeu, nas últimas 24 horas, às operações de combate. Não temos frentes ativas, apenas pontos quentes. Temos tido pequenas reativações, a que temos estado a responder prontamente, com os meios que estão no teatro de operações”, disse, salvaguardando que nas horas seguinte ao balanço diário se mantinha um risco de incêndio elevado.

E para que nada possa falhar foi determinado que na última madrugada se mantivessem no terreno todos os meios que estiverem empenhados durante o dia de ontem. 

Quanto às pessoas que foram obrigadas a abandonar as suas casas, tudo está a ser preparado para que possam voltar em segurança, afirmou a responsável: “Queremos garantir que tudo neste momento se faça de forma ordeira e sem precipitações. Temos de garantir condições de segurança para que as pessoas possam fazer este regresso. Em Silves a zona de apoio à população já esta desativada, as pessoas regressaram as suas habitações. Em Portimão, estamos a desmontar a zona de apoio e as pessoas estão a regressar”.

Balanço do incêndio

Até ontem o incêndio, que destruiu 23.478 hectares tinha feito 39 feridos, sendo que destes apenas um era considerado grave. E ontem de manhã havia perto de três centenas de pessoas deslocadas, em centros de apoio localizados em Silves, Portimão, São Bartolomeu de Messines.

Durante o dia de ontem houve ainda um balanço feito pela Comunidade Intermunicipal do Algarve. Segundo Jorge Botelho, presidente da comunidade, o sistema de Proteção Civil funcionou no apoio às populações afetadas pelo incêndio em Monchique: “O sistema de proteção civil - e nós reunimo-nos com todos os atores - verdadeiramente funcionou no apoio às populações, aos desalojados, às pessoas que tiveram de sair de casa e de ser acolhidos nos sítios de recolha e de encontro das pessoas”.

O responsável salientou ainda que todas as pessoas afetadas “tiveram o devido apoio social, o devido apoio psicológico, o devido apoio para dormir, o devido apoio para tratar da higiene e, obviamente, para se alimentarem”.

Quanto à insatisfação de alguns populares, explicou ainda que o importante era não haver mortos: “Percebemos que as pessoas estão contrariadas e não querem deixar as casas mas quando voltam a casa e veem a situação resolvida reconhecem a situação”.

Admitindo que vão existir consequências para o turismo, não quis comentar a decisão do governo britânico, que aconselhou os cidadãos daquele país a não viajarem para o Algarve.

As declarações de Jorge Botelho surgiram no mesmo dia em que a autarca de Silves, Rosa Palma, teceu diversas críticas à atuação da Proteção Civil. À Lusa, Rosa Palma afirmou que “houve falhas de comunicação entre o posto central e as forças locais, que poderiam ter melhorado a situação”.  

À TSF a presidente da Câmara de Silves disse mesmo ser necessária uma investigação profunda para se perceber o que aconteceu e o que não deveria ter acontecido neste incêndio.

No dia de ontem ficou ainda a saber-se que a Proteção Civil não cumpriu as regras definidas após os incêndios de Pedrógão Grande e que determinam que em incêndios de grandes proporções deve ser o comando nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil a assumir logo a liderança. Segundo o Público, para que as normas fossem cumpridas era preciso que a mudança tivesse acontecido no sábado, dia em que foi atingido o contingente de 648 bombeiros.

Costa diz que as suas declarações foram deturpadas

O gabinete do primeiro-ministro emitiu ontem um comunicado onde afirmava que as suas declarações a propósito do incêndio de Monchique tinham sido deturpadas. António Costa disse na última quarta-feira que este incêndio era “a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação [de combate a incêndios]” e que o incêndio não era “a vela de um bolo de aniversário”. 

Na nota emitida ontem, António Costa explica que “foram descontextualizadas e deturpadas as declarações”. É ainda referido que “sublinhou que, perante uma situação climatérica que o IPMA classificou de ‘situação excecional de calor que nunca tinha sido observada no país, em que dia 4 de Agosto foi o mais quente do século e todos os recordes foram batidos’, foram registadas 582 ignições nestes cinco dias mais críticos, destas 582 ignições só foram registados 26 incêndios e desses apenas um, o de Monchique, teve esta dimensão”.

Concluindo: “Ou seja, este, obviamente, é uma exceção. É a exceção que confirma a regra do que aconteceu no conjunto do País.” Esclareceu ainda que não quis desdramatizar nem desvalorizar a gravidade da situação.

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