22/9/18
 
 
Vítor Rainho 08/08/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Incêndios. Mais desorganização é difícil

As imagens de Monchique, esta semana, trazem à memória os trágicos acontecimentos de 2017, em que morreram mais de 100 pessoas. Com essa memória viva é natural que quem é confrontado com um incêndio entre em pânico, já que teme pela sua vida. E, de certa forma, as transmissões televisivas ajudam a aumentar esse sentimento.

Há poucas semanas circularam imagens bastante reveladoras do estado anímico dos portugueses quando os automobilistas que circulavam numa autoestrada avistaram fumo de uma queimada, que tomaram como um potencial incêndio de grandes proporções. Foram muitos os condutores que tentaram fazer inversão de marca, colocando a sua vida e a dos outros em perigo. O fogo não tinha, felizmente, a gravidade que alguns imaginaram e não houve feridos graves a registar apesar do desespero instalado.

É natural pois que as autoridades responsáveis pelo combate aos fogos tenham mudado de comportamento e tratem, de todas as formas, de salvaguardar as vidas humanas. Nem que para isso acabem por obrigar muitas pessoas a abandonarem as suas casas e bens, independentemente de terem ou não a certeza que o fogo se aproximará dessas habitações. Há também quem defenda que ao focar toda a sua atuação na proteção das pessoas, os bombeiros acabam por descurar os incêndios, que podiam ser atacados mais rapidamente e de uma forma mais eficaz. 

Certo é que a imagem dada pelas autoridades responsáveis não é, mais uma vez, a melhor. Como foi possível o combate ao incêndio de Monchique ser liderado por um homem que já tinha assumido o seu falhanço nos fogos que consumiram mais de 20 mil hectares na Serra do Caldeirão, no Algarve, em 2012? O comandante operacional da proteção civil era então Vítor Vaz Pinto, o mesmo que foi agora substituído a meio desta tragédia... O comando foi mudado a meio da operação, há meios em número impressionante, mais de 20 meios aéreos, e o fogo continua a lavrar em terras algarvias. E o que dizer de só estarem três pessoas a atender as chamadas do 112 em toda a zona Sul do país? Ontem fizemos capa, e temos provas disso, de que mais de 170 chamadas de socorro ficaram por atender. Até quando continuará esta desorganização?

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