24/9/18
 
 
Vítor Rainho 03/08/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Repórteres descobriram Marte em terra

Quando era mais jovem interrogava-me por que razão os repórteres de serviço nos estádios ou nos pavilhões desportivos perguntavam aos jogadores que tinham marcado golos ou ganho o jogo se estavam felizes. A pergunta, de tão óbvia, irritava-me, já que nunca ouvi nenhum jogador dizer que estava infeliz por ter marcado um golo. Minto! De facto ouvi atletas dizerem isso, mas por terem marcado na baliza contrária... O chamado autogolo.

Vem esta conversa a propósito do histerismo que se criou com a onda de calor. Jovens repórteres foram destacados para as zonas do país onde o calor se faz mais sentir e ei-los a perguntar aos habitantes locais: “Como conseguem sobreviver a tanto calor? Não acho possível, isto na cidade grande não é assim”. Com o devido exagero, esta é uma das perguntas que mais ouvi dos tais jovens repórteres. Que o tempo que se tem feito sentir não é normal para algumas zonas, é um facto, embora as velhas aldeãs ouvidas expliquem que sempre foi assim nas suas terras... Que na Amareleja, no Alentejo, dias com mais de 40º fazem parte da normalidade, também é um facto. Que com o calor morrem mais pessoas e há cuidados a ter, também é outro facto. Mas que os repórteres destacados acham que estão em Marte é ainda outro facto.

Curiosamente, ouvi numa das muitas reportagens que entram aqui no gabinete - já que tenho de ter a televisão sintonizada o tempo todo em canais de informação, por razões óbvias - um jovem explicar o drama da vaga de calor: “Isto é que é bom, grandes noites de calor, que puxam à cerveja. É um espetáculo, bebemos muitas. E todas sabem bem”.

É óbvio que, cada vez mais, a informação galga a onda do que está a dar no momento. Percebo e não posso ficar indiferente, mas há limites para tudo. Transformar um facto normal, como o tempo quente, num acontecimento extraordinário não beneficia ninguém. Ainda por cima, dizem alguns especialistas, quando esta onda dos 40º passar é que os perigos são bem maiores. Afinal, este calor excessivo “seca” as florestas e os terrenos ficarão em condições propícias para serem devorados pelas chamas...

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