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Uma catedral onde foram a enterrar os monarcas com as suas coroas

Uma catedral onde foram a enterrar os monarcas com as suas coroas

AFP Ricardo Cabral Fernandes 02/08/2018 20:55

Começou por ser construída em madeira, antes de ser reconstruída em pedra em 1340 e ganhar o estatuto de diocese. Sofreu obras e foi vítima de um incêndio que a ia reduzindo a escombros, mas sobreviveu aos tempos e hoje é um dos principais monumentos e locais religiosos na Suécia. A história da Catedral de Strängnäs está intimamente ligada à dos reis e rainhas a que as joias roubadas na terça-feira pertenceram. 

A catedral alberga as campas do rei Carlos ix e da rainha Cristina, sua mulher, que foram enterrados com as coroas. Foi durante o seu reinado que avançou o luteranismo na Suécia - e a catedral foi um dos pilares da sua política religiosa. Ao longo dos séculos, o edifício foi expandido, passando a ter várias capelas, uma das quais serve hoje como museu de arte eclesiástica, e um palácio episcopal, também hoje uma escola religiosa. Entre as riquezas do monumento está a sua biblioteca, uma das mais antigas no país. A rainha Cristina desempenhou um papel fundamental na construção da biblioteca, usando despojos de guerras no leste da Europa. Pelo papel que o rei e a rainha tiveram no desenvolvimento da catedral, foram enterrados nos seus terrenos. E as suas coroas e demais joias aí ficaram pela mesma razão. 

Era comum os reis e as rainhas suecos serem enterrados com as coroas. A do rei Carlos ix era de ouro e decorada com pedras preciosas, enquanto a da rainha era feita com os mesmos materiais, mas menor em tamanho - símbolo do domínio do rei sobre a rainha e sobre os destinos do país na governação. 

Se a catedral acolhia joias com um “valor inestimável”, segundo o porta-voz da polícia sueca, Thomas Agnevik, os ladrões parecem ter tido a vida facilitada por as medidas de segurança não serem as suficientes para evitar o assalto. Os ladrões limitaram-se a partir a vitrina onde as peças eram exibidas e a fugir sem que ninguém fosse capaz de os impedir, enquanto o alarme soava. Numa nota publicada no website oficial da catedral, os responsáveis da mesma limitaram-se a afirmar que a segurança das joias “estava em total acordo com os regulamentos de segurança” exigidos para este tipo de monumentos e de joias.

Mesmo sendo as joias monárquicas a principal atração turística de Strängnäs, a catedral tem ainda uma biblioteca de livros raros, de valor apreciável. No documento da abertura de concurso nacional e internacional para melhorias arquitetónicas na catedral, lançado em março, da autoria dos próprios responsáveis pelo monumento, pode ler-se que “as condições climáticas e de segurança na catedral são insuficientes para os volumes de grande valor”. 

A falta de segurança da catedral parece não ser uma exceção. A outra catedral onde também se podem encontrar joias da realeza sueca também já foi vítima de um assalto. Em 2013, o cetro e a coroa do rei João iii, que governou a Suécia entre 1568 e 1592, desapareceram da Catedral de Västeräs, no centro do país. Uma maçã de madeira coberta de ouro que se encontrava no mesmo local também foi roubada. 

Os ladrões entraram no edifício ao partirem uma janela, sem que o alarme disparasse. O roubo só foi descoberto na manhã seguinte, quando um dos funcionários da catedral foi abrir o espaço ao público. “É uma grande perda e não apenas para esta igreja, mas também para o rei. O que aconteceu é incrivelmente triste”, disse o capelão da catedral, Johan Sköld, pouco depois de tomar conhecimento do roubo. 

O cetro e a coroa, produzidas na Holanda no séc. xvi, eram de bronze e tinham detalhes em prata, enquanto a maçã de madeira dourada foi produzida no séc. xix. Todos os objetos se encontravam em cima de uma almofada roxa, também ela roubada. Os objetos nunca foram encontrados. 

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