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Itália 1984-85. “E lucevan le stelle!”

Itália 1984-85. “E lucevan le stelle!”

Afonso de Melo 02/08/2018 17:23

Maradona, Zico, Sócrates, Platini, Rummenigge, Michael Laudrup, Passarella, Junior, Trevor Francis, Falcão, Preben Alkjaer...Nunca um campeonato de um país brilhara assim 

A Itália volta a entusiasmar-se com a chegada ao calcio de uma das duas estrelas mais brilhantes do firmamento do futebol: Cristiano Ronaldo. Já vão distantes os tempos em que a Série A representava uma constelação única de astros inolvidáveis. Como cantaria o grande Pavarotti a fazer de Mario Cavaradossi, na “Tosca” de Puccini, à beira da morte: “E lucevan le stelle/ Ed olezzava la terra/ Stridea l’uscio dell’orto/ E un passo sfiorava la rena”. Ou seja: “E reluziam as estrelas/ E perfumava a terra/ Rangia a porta da horta/ E um passo roçava a areia”.

Perfumados relvados de Itália, os dessa época de 1984-85, uma das mais estranhas de todo o futebol europeu. Prevalecia a regra de apenas dois estrangeiros por plantel e o Verona ganhou o seu único título de campeão com quatro pontos de avanço sobre o Torino, atirando o Inter, o Milan e a Juventus para terceiro, quinto e sexto lugares, respetivamente. Um Verona de todo o terreno, treinado por Osvaldo Bagnoli, assente no poder físico do alemão Hans-Pieter Briegel e do dinamarquês Preben Elkjaer, apoiados por Galderisi, Pietro Fanna e Di Genaro.

A Juventus, campeã em título, desiludiu em casa mas conquistou a Taça dos Campeões na infame final do Heysel. Giovanni Trapattoni tinha ao seu dispor um conjunto formidável. Os campeões do mundo Scirea, Cabrini, Tardelli e Rossi, o francês Michel Platini e o polaco Zbigniew Boniek. Passar os olhos pelas equipas que, nessa época, disputaram a Série A é entrar pela porta mais azul que o céu tem para abrir. Diego Armando Maradona que, um ano mais tarde, carregaria às costas a sua Argentina até ao título mundial, encantava Nápoles juntamente com o seu compatriota Bertoni.

No surpreendente Torino jogavam o brasileiro Junior e o austríaco Schachner, além de Aldo Serena e Giuseppe Dossena; o Inter tinha Bergomi, Franco Causio, Alessandro Altobelli, o alemão Karl-Heinz Rummenigge e o irlandês Liam Brady; o Milan exibia Baresi, Evani, Paolo Maldini, Tassotti e os ingleses Ray Wilkins e Mark Hateley; a Sampdoria, quarta classificada, juntava na frente de ataque Mancini, Vieri e Trevor Francis, com o escocês Graemme Souness a pontificar no meio-campo; a Roma exibia os brasileiros Falcão e Toninho Cerezzo no meio de Ancelotti, Bruno Conti, Giannini, Graziani e Pruzzo; Zico e Edinho faziam um trio extraordinário com Carnevale na Udinese; na Fiorentina, o divino Antognoni ganhara a companhia de Sócrates e Passarella; a despromovida Lazio contava com o dinamarquês Michael Laudrup; a Atalanta, com os suecos Stromber e Lars Larsson; a despeito do último lugar na tabela conclusiva, a Cremonese apresentava o brasileiro Juary, que não tardaria a ser campeão da Europa com o FC Porto, e o internacional polaco Wladyslaw Zmuda; os mais modestos Como, Avellino e Ascoli não se eximiam de ter nas suas fileiras gente como o alemão Hansi Müller, o sueco Corneliusson, o argentino Ramón Díaz e o peruano Barbadillo, o enorme Dirceu e outro argentino, Patricio Hernández, que na época anterior fora figura maior do Torino.

Nunca como até então tantos nomes sonantes se tinham juntado num campeonato de um país, a fazer lembrar o eldorado colombiano dos anos 50. A Itália era magnética. Atraía celebridades como Montecarlo atrai príncipes e princesas. Príncipes desse jogo em que a bola será sempre, diria o Torga, a mágica senhora das paixões.

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