17/11/18
 
 
João Lemos Esteves 31/07/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

BE: o “Balelas de Esquerda” virou definitivamente “Banhada de Esquerda”

Ricardo Robles, o bloquista que pretendia ser o “Zorro lisboeta”, fala bem, sempre com o mote da justiça social em pano de fundo. Mas depois, em privado, quer o que todos querem: dinheiro

1. Finalmente, os portugueses estão a assistir à “queda do anjo diabólico”, tão querido dos nossos média: a máscara do moralismo hipócrita, da democraticidade fingida do Bloco de Esquerda está a cair. E a cair com estrondo: Ricardo Robles - o homem que se insurgia contra a especulação imobiliária, o bloquista que pretendia ser o “Zorro lisboeta”, o político que queria implementar uma política de habitação social, retirando os imóveis dos “porcos capitalistas” e dos “grandes proprietários” - é o exemplo perfeito de um esquerdista português. Fala bem, diz coisas muito bonitas, sempre com o mote lírico da justiça social como pano de fundo - mas depois, em privado, quer tanto o que todos, no fim do dia, querem: dinheiro, viver confortavelmente, sem o Estado a chatear demais. No caso de Robles, especulando como um verdadeiro “abutre capitalista” (utilizando o jargão do BE), prejudicando os mais fracos, explorando os seus vizinhos. Nós até apostamos que o Ricardo Robles cidadão, em sua casa, tem, em lugar de destaque, um poster de Ricardo Salgado, o seu ídolo; isto enquanto o Ricardo Robles político (para enganar o zé-povinho) vestia camisolas do Che Guevara. 

2. Atenção: tal não é inédito na esquerda, sobretudo na esquerda portuguesa. Há muita gente no Bloco de Esquerda e no PS que só lá está para beneficiar da proteção qualificada que apenas a militância na esquerda confere - ser-se de esquerda é um cartão de impunidade que legitima qualquer comportamento privado. Para os esquerdistas, não há condutas reprováveis - como se julgam todos o exemplo perfeito de santidade, qualquer conduta é justificável à luz dos seus objetivos de “progresso social”. No fundo, a esquerda pensa - como se comprova, aliás, pelas declarações de Catarina Martins - que ajudar pessoalmente Ricardo Robles (permitindo-lhe que especule à “grande e à portuguesa esquerdista”) é, ainda, ajudar a causa progressista. Porquê? Porque garantir o conforto, o bem-estar, a felicidade de Ricardo Robles - um dos seus guerreiros prediletos - é permitir-lhe condições materiais para desenvolver a luta contra os “capitalistas”, contra “ o perigo da direita do patronato” , contra “ a austeridade que mata”. Ou seja: com o objetivo de derrotar os capitalistas, “o patronato” e a “austeridade”, a malta do BE pode ser mais capitalista do que a maioria dos capitalistas portugueses, pode violar regras que a maioria do tal “patronato” segue escrupulosamente (sob pena de sanções) e pode ser mais austera com a população idosa (tratando-a de forma indigna, como fez Ricardo Robles) de uma forma que nem a troika julgou possível. Basta ler os manuais de referência de ação política da esquerda para concluir que o seu ponto de interesse central é invariavelmente o mesmo: como enganar o povo. Como manipular a opinião pública. O que é, na verdade, o Bloco de Esquerda? É uma agência de manipulação da opinião pública que usa uma conversa fiada sobre o “interesse público” para tratar dos seus “interesses privados”. 

3. Por conseguinte, nós temos chamado a atenção para o facto de haver um “erro de perceção” estrutural na democracia portuguesa: o BE só por ingenuidade pode merecer a designação de Bloco de Esquerda. Esqueçam! Nada disso! Como já escrevemos em textos anteriores, “BE” significa “Balelas de Esquerda”. Porque, realmente, o que Catarina Martins e companhia muito (cada vez mais) limitada são é um grupo que se profissionalizou a vender balelas ao povo português. Basta ler os discursos da trupe de Catarina Martins, basta estudar os seus projetos de lei para facilmente concluir que tudo se resume a balelas. Não há uma ideia credível, uma visão séria para Portugal, sequer um pensamento estruturado sobre política externa - apenas balelas, conversa da treta. Por isso, não admira que o momento alto do acampamento do Balelas de Esquerda seja o “direito à boémia”, como a noite pode ser utilizada para a doutrinação política e cultural. Bate certo: pensamos ser transversal à sociedade portuguesa - da esquerda à direita - uma tendência para à noite, após exercermos devidamente o “direito à boémia”, nos sentirmos mais propensos para as balelas. Para a produção, difusão e receção de balelas: eis, pois, uma excelente forma de o “BE - Balelas de Esquerda” espalhar o seu único talento. Os esquerdistas portugueses são uns verdadeiros “espalha-balelas”. 

4. Dito isto, atenção: temos de ser justos. De facto, o BE merece subir de nível. O BE - Balelas de Esquerda já trabalhou o suficiente para atingir um outro nível de hipocrisia política. A hipocrisia política do Balelas de Esquerda já permite que alteremos o seu nome. Merece uma nova designação, após os últimos três anos em que o BE -Balelas de Esquerda montou uma encenação política para enganar os portugueses com um grau de sofisticação (e perfídia) como nunca havia sucedido na nossa democracia - com a colaboração do encenador-mor, António Costa, o maior fingidor político de sempre. António Costa é uma espécie de Filipe La Féria da política. Com uma diferença assinalável: Filipe La Féria, com a mestria dos seus espetáculos, encanta; António Costa, com o cinismo da sua obsessão pelo poder(zinho), engana. 

5. Com a colaboração do primeiro-ministro fingidor Costa, o outrora Bloco de Esquerda (que era, na realidade, o Balelas de Esquerda ) virou definitivamente o “Banhada de Esquerda”. O BE não é mais do que uma autêntica banhada para todos aqueles que tinham ilusões - vá-se lá saber porquê! - sobre a autêntica natureza dos esquerdistas radicais portugueses. O BE clamava que iria bater o pé à Europa, renegociar a dívida, encostar Merkel à parede - afinal, o BE converteu-se à austeridade, tem no seu governo um ministro das Finanças que é presidente do Eurogrupo e aumentou como nunca as cativações orçamentais, depauperando os serviços públicos, que outrora o BE tanto defendia. Ou seja: uma autêntica banhada para os portugueses que acreditavam na esquerda. Percebemos agora que o BE é o Banhada de Esquerda. 

6. O BE assumia-se ainda como o partido dos professores, da defesa da escola pública, dos direitos dos docentes contra os “malvados” da direita que só pensam no “financeirismo”, do Serviço Nacional de Saúde, dos enfermeiros - afinal, o governo, com o apoio decisivo do BE, recusa repor os tais direitos dos professores, estrangulou o Serviço Nacional de Saúde, há uma autêntica exploração do homem pelo Estado naquilo que se exige aos enfermeiros e demais profissionais de saúde. Em suma: uma autêntica banhada para todos aqueles que acreditavam na esquerda portuguesa. BE significa, sabemos agora sem qualquer dúvida, Banhada de Esquerda. 

7. O BE diz que este não é o seu governo, é o governo do PS - mas o governo do PS só existe porque o BE o apoia sempre no parlamento. Se o BE não quisesse este governo, este governo já teria cessado funções. Porque, no fundo, o que o BE quer é ir para o governo para o ano, conquistando mais tachos. O BE é, sem dúvida, o Banhada de Esquerda: uma desilusão para quem acreditava na pureza e dedicação à causa da esquerda portuguesa. Como cereja no topo do bolo, afinal, a elite do BE é mais capitalista do que os capitalistas portugueses, fazendo em privado aquilo a que se opõe em público. Não há surpresa nenhuma no caso Robles: apenas a confirmação do que nós suspeitávamos e que agora todos sabemos. 

8. Definitivamente, o BE é o Banhada de Esquerda. Caríssima compatriota e caríssimo compatriota: quer mesmo entregar o país aos Banhadas de Esquerda? Quer que o seu futuro, o futuro dos seus filhos e dos seus netos esteja nas mãos do Banhada de Esquerda? E quer que o nosso país seja liderado pelo homem que se vendeu aos Banhadas de Esquerda, hipotecando o nosso futuro, apenas para preservar o seu poder - sim, referimo-nos ao fingidor António Costa? Pois não, e essa é a resposta sensata. Não deixemos os Banhadas de Esquerda converter o nosso futuro numa autêntica “banhada de futuro”. 

 

P.S. Curiosa é a origem (vulgo fonte) da notícia sobre Ricardo Robles. Permite perceber o que está sucedendo nos bastidores da política portuguesa, a um ano das eleições legislativas. Desenvolveremos esta ideia amanhã no “Sol” online (www.sol.pt/opiniao). 

 

joaolemosesteves@gmail.com 

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