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Proteção Civil cobra a munícipes pela destruição de ninhos de vespa-asiática

Proteção Civil cobra a munícipes pela destruição de ninhos de vespa-asiática

DR Beatriz Dias Coelho 30/07/2018 14:21

Ao i, Quercus denuncia “demissão total do Estado” e alerta para os perigos que a remoção dos ninhos pelos cidadãos representa

Há serviços municipais da Proteção Civil a cobrarem à população pela destruição dos ninhos de Vespa velutina. O alerta foi feito ao i pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, que diz ter conhecimento não de um, mas de vários casos em que isso se verificou.

“É preocupante. Sabemos que há pessoas que estão a ligar para os municípios porque encontram ninhos de Vespa velutina e a resposta que recebem de alguns é que para irem retirar os ninhos é necessário o pagamento de 60 euros de deslocação, mais outro valor por hora. Há uma demissão total do Estado, que mostra no fundo admitir ter perdido a guerra contra a Vespa velutina e já nem quer saber do assunto”, denuncia ao i João Branco, presidente da Quercus.

Como resultado, “as pessoas acabam por não tirar os ninhos para não gastarem dinheiro” ou, nos casos em que o ninho encontrado está nas fachadas das casas e coloca em causa a segurança dos moradores, “as pessoas removem elas próprias os ninhos, com todos os riscos que isso acarreta, tanto para elas como para os vizinhos”, avisa João Branco. 

Isso foi o que aconteceu, por exemplo, com um morador de Gondomar. Depois de ter contactado a autarquia para pedir a remoção, recusou pagar o valor pedido e acabou por remover o ninho, com um jato de água, durante o dia – um erro, porque “esta operação tem de ser feita à noite pois, durante o dia, as vespas não estão todas no ninho”, como nota João Branco. Depois, a pessoa colocou um balde de lixívia por baixo do local onde o ninho estava, e o ninho, como conta ao i o responsável da Quercus, “por sorte”, caiu dentro do balde.

Mas há ainda outro perigo adicional em cima da mesa: é que, quando são as pessoas a retirar os ninhos, não há confirmação de que o ninho removido é realmente de vespa-asiática, o que acaba por ter “influência direta na vigilância e no combate à própria vespa-asiática”, uma vez que não é feita a devida monitorização oficial que permita uma perceção real da propagação desta espécie invasora no país, que representa uma ameaça não só para a biodiversidade como também para a agricultura. “Têm de ser os organismos competentes a retirar os ninhos, para depois produzirem estatística”, defende João Branco.

Um plano de ação “inexistente” Não é a primeira vez que a Quercus alerta para problemáticas relacionadas com esta praga. O Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, criado por um grupo de trabalho que reuniu a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), tem sido várias vezes criticado pela associação pela sua ineficácia. “É um plano de ação que, na prática, não existe”, defende o presidente da Quercus.

O que agora está a acontecer revela uma debilidade principal do plano: o facto de o documento não regulamentar o processo de destruição dos ninhos, o que acaba por resultar “em que cada município faça à sua maneira”, assinala João Branco.

O i contactou a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) para saber se tem conhecimento de casos como os denunciados pela Quercus. Fonte oficial disse não conhecer casos semelhantes, remetendo a competência para os municípios e respetivos serviços de proteção civil. O i tentou contactar a Câmara Municipal de Gondomar, mas sem sucesso.

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