23/9/18
 
 
José Cabrita Saraiva 27/07/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Preferimos reutilizar o lixo ou ficar soterrados por ele?

A internet está hoje inundada de imagens perturbadoras de animais mortos por terem ingerido plástico, de areais cobertos por embalagens de plástico ou de vastas zonas do oceano completamente poluídas por sacos e detritos de plástico. De um momento para o outro, o plástico (um pouco como o açúcar) parece ter-se tornado o inimigo público n.o 1.

Nem sempre foi assim. Desenvolvido para substituir o marfim das bolas de bilhar, que tornava o jogo demasiado caro, o plástico sintético apareceu como uma espécie de milagre: barato, resistente, camaleónico. Com ele pode-se fazer de tudo, de garrafas a brinquedos, de talheres a eletrodomésticos, de peças de mobiliário a pentes, canetas e flores artificiais.

Basta olhar em redor.

Mas são precisamente as grandes qualidades deste material - polivalência, baixo custo e durabilidade - que fazem dele uma tão grande ameaça. É por causa da sua polivalência e baixo custo que ele se multiplica e está em toda a parte; é por causa da sua durabilidade que ele se torna uma praga persistente. Uma simples tampinha de plástico pode demorar entre 100 e 500 anos a degradar-se.

É aqui que entra aquela que considero outra das grandes invenções do nosso tempo: a reciclagem. Há muito que os materiais eram reutilizados - as estátuas de bronze da Antiguidade foram quase sempre fundidas para fazer balas de canhão e as pedras dos templos abandonados roubadas para fazer edifícios novos. Mas a ideia de separar, arrumar e reaproveitar plástico, vidro, metais e cartão é algo diferente. Estamos a falar de lixo - algo que não vale nada e com que ninguém se preocupa. Mas basta pensar que, só no dia de hoje, o leitor produziu, em princípio, mais de um quilo de lixo para perceber a dimensão do problema. Ao fim de um ano estamos a falar de cerca de meia tonelada por pessoa. Queremos transformar essa massa em puro desperdício ou em algo útil?

Um dos usos que se dão agora ao plástico reciclado é em pavimentos públicos. Pessoalmente, parece-me mais agradável pisar o antigo lixo transformado em chão colorido do que ser soterrado por ele.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×