13/11/18
 
 
Carlos Zorrinho 25/07/2018
Carlos Zorrinho
opiniao

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O estado político da nação

O estado político da nação é de solidez institucional. O Presidente simboliza na sua ação moderadora a noção clara de que vivemos um ciclo positivo e de confiança interna

Portugal, como nação quase milenar, viveu ao longo da sua história momentos altos e momentos difíceis. A resiliência foi desde sempre o segredo da nossa sobrevivência. Nunca fomos estruturalmente fortes, mas tivemos sempre uma capacidade de adaptação e uma flexibilidade que compensaram as fragilidades estruturais.

O momento alto que estamos a viver agora, com uma elevada reputação internacional nos mais diversos setores, confiança no futuro por parte da maioria dos cidadãos e das empresas e melhorias consistentes na generalidade dos indicadores económicos e sociais, não foge à regra da História.

A nossa abertura ao exterior e a multiplicidade de parcerias e relações que estabelecemos permitem-nos beneficiar dos bons ventos globais sempre que eles sopram, mas também nos expõem às ventanias negativas quando é tempo delas. A grande aposta feita no conhecimento, na tecnologia e na inovação nos últimos anos prepara-nos para sermos mais fortes na eventual adversidade, se houver capacidade política para mobilizar os recursos e as vontades.

É por isso que, sendo muito redutor limitar a apreciação do estado da nação à sua dimensão política, esta é, no entanto, determinante para o que podemos esperar do futuro. A Assembleia da República cumpriu em 13 de julho a apreciação regimental sobre o estado da nação, num debate vivo e marcado pela entrada do país num ciclo eleitoral que marcará todo o ano de 2019, englobando eleições regionais, nacionais e europeias.

Para além da oportunidade que este tipo de debate sempre constitui para a divulgação de balanços estatísticos e a apreciação do grau de execução e adequação das políticas, ele permite também fazer a avaliação do estado político da nação, em particular do estado da governação e do estado da oposição.

Sobre o estado da governação, a vitalidade reivindicativa dos partidos que viabilizam parlamentarmente o governo do Partido Socialista é natural num contexto em que se preparam eleições que cada um disputará em nome próprio, mas indicia também um nível forte de cumprimento de compromissos passados e a perceção de que existe folga para tentarem continuar a progredir nos temas centrais das suas agendas, num sinal de flexibilidade saudável para enfrentar os difíceis tempos que se avizinham.

O estado das oposições diverge. A direção do PSD já cortou com a marca da anterior governação pró-austeridade e empobrecimento, mas continua a braços com a pacificação interna e com muita dificuldade em passar das ideias gerais às propostas concretas. O CDS vive em estado de contradição, com uma líder a proclamar mudança quando foi um dos principais rostos do ciclo Passos/Portas, e convivendo internamente com microtendências liberais, democratas cristãs, populistas, europeístas e nacionalistas.

O estado político da nação, no arranque de um ano determinante, é de normalidade e de solidez institucional e democrática. O Presidente da República simboliza na sua ação moderadora a noção clara de que vivemos um ciclo positivo e de confiança interna, mas em que a resiliência nacional pode voltar a ser útil para defender as pessoas nos tempos conturbados em que vivemos.

 

Eurodeputado

 

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