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José Cabrita Saraiva 23/07/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Não se admirem que este verão seja o salve-se quem puder

Este sábado viveram-se na A12, junto a Palmela, momentos de pânico que faziam lembrar os filmes-catástrofe de Hollywood. Por volta das 16h, ao verem aproximar-se uma densa nuvem de fumo e uma frente de chamas, os condutores que seguiam naquela autoestrada temeram pelas suas vidas e começaram a inverter a marcha, circulando em contramão. As imagens da televisão mostravam-nos pessoas fora dos carros e viaturas a darem meia volta e a seguirem no sentido contrário ao do trânsito. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que podia ter havido ali uma tragédia.

Evidentemente, este comportamento foi uma consequência do que aconteceu a 17 de junho de 2017 na nacional 236-1, a tristemente célebre “estrada da morte”.

Os portugueses ficaram traumatizados pelos fogos do ano passado e, em Palmela, quem se sentiu ameaçado reagiu por instinto. Noutras circunstâncias - há dois anos, por exemplo - as pessoas teriam cumprido ordeiramente as regras do trânsito e nem lhes passaria pela cabeça cometer a loucura de conduzir em contramão na autoestrada. Mas agora nem pensaram duas vezes.

Face ao sucedido, a Proteção Civil veio pedir aos cidadãos que respeitem as indicações e que “confiem” nas autoridades. É precisamente esse o problema: confiança. Até há um ano e qualquer coisa, quem andava numa qualquer estrada do país sabia - ou melhor, achava - que só o podia fazer porque estavam garantidas todas as condições de segurança. Consideraria inimaginável que uma estrada em risco de ser apanhada pelo fogo pudesse não estar cortada. Pior ainda, não acreditaria se lhe dissessem que indicações dadas pelas autoridades poderiam conduzi-lo a uma ratoeira fatal.

Hoje sabemos que, infelizmente, foi precisamente isso que aconteceu em Pedrógão: foi por confiarem nas autoridades e por cumprirem as instruções por elas dadas que muitas pessoas perderam a vida naqueles fatídicos cinco quilómetros de estrada em Pedrógão. Compreende-se pois que, numa situação de risco, cada um se comporte segundo uma lógica de salve-se quem puder. Não devemos ficar surpreendidos por isso. Mas devemos ficar muito preocupados.

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