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França. Eliseu acusado de encobrir segurança que agrediu manifestante no 1º de maio

França. Eliseu acusado de encobrir segurança que agrediu manifestante no 1º de maio

AFP Jornal i 20/07/2018 18:11

O Palácio soube das agressões no dia a seguir a terem acontecido, suspendendo-o por 15 dias, mas há dez dias o segurança recebeu um apartamento numa das zonas mais ricas de Paris

O presidente francês, Emmanuel Macron, está a ser acusado de ter encoberto o agente do seu dispositivo de segurança, Alexandre Benalla, que agrediu violentamente uma manifestante na manifestação do 1º de maio, em Paris. 

O Palácio do Eliseu, residência oficial do chefe de Estado francês e onde este se reune com os seus ministros, afastou Benalla na manhã desta sexta-feira, depois de o jornal "Le Monde" ter divulgado um vídeo onde se vê o segurança a agredir a manifestante. O segurança não está integrado na polícia francesa, mas não obstante é visto a usar um capacete com visor anti-motim. 

Neste sentido, todos os seus atos não podem ser considerados como um agente de autoridade a tentar manter a ordem pública, mas como um cidadão a agredir outro. Além da agressão, o segurança está a cometer outros crimes ao usar material policial e uma braçadeira a identificar-se como polícia. 

Os polícias da unidade anti-motim que aparecem na gravação não se mostram preocupados com o comportamento violento do segurança, continuando a tentar controlar a multidão de manifestantes. 

O porta-voz do Eliseu justificou o afastamento do segurança por novos pormenores terem sido conhecidos na noite em que o "Le Monde" divulgou o vídeo, nomeadamente de que se terá concertado com altos oficiais da polícia para roubar as gravações da agressão. Em consequência, três polícias, incluindo dois quadros superiores, foram suspensos de funções, com o ministro do Interior, Gérard Collomb, a a condenar as suas ações. 

No entanto, e apesar das declarações oficiais, soube-se mais tarde que o Eliseu soube das agressões a 2 de maio, nada tendo feito para as denunciar às autoridades competentes. Ao invés, o Eliseu suspendeu o segurança por 15 dias, ainda que este tenha sido transferido para tarefas administrativas, e, há dez dias, atrás deu-lhe um apartamento nos alojamentos especiais do palácio, num dos distritos mais caros da capital parisiense. 

O governo de Macron enfrenta a sua maior crise desde que tomou posse, com os partidos à sua esquerda e direita a acusá-lo de encobrimento. Os socialistas estão inclusive a exigir a demissão do ministro do Interior. O movimento França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon já ameaçou apresentar uma moção de censura no parlamento, mas as suas hipóteses de sucesso são quase nulas por os partidários de Macron terem a maioria absoluta no órgão legislativo. 

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