22/9/18
 
 
José Paulo do Carmo 20/07/2018
José Paulo do Carmo

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“Deixem-se de mariquices”

Existirá alguma forma mais preconceituosa e retrógrada de ver o mundo? Mas andamos tão picuinhas que tudo é sensível e mal-intencionado? Nada se pode dizer, pouco se pode ver. Mas isto não é igual à censura que tanto criticaram? O que será que dizem as mulheres disto?

Parece que a alucinação da nova administração da Fórmula 1 se alastrou por osmose ao principal organismo do futebol Mundial. A decisão da Fifa obriga - sim leu bem, não sugere - as televisões que detêm a transmissão do último Campeonato do Mundo realizado na Rússia a se absterem de colocar “mulheres atraentes” nos grandes planos das filmagens às bancadas durante os referidos jogos, para os telespetadores não se abstraírem do fundamental e para que o futebol não ganhe um cariz sexual. Vamos então por partes.

Esta decisão não é nova, vem no seguimento da recentemente tomada pela F1 por forma a retirar dos “paddocks” as meninas que embelezavam as pistas. Facto criticado pelos pilotos e pelas próprias, que se acharam prejudicadas nos seus direitos de decidirem se achavam isso um constrangimento da liberdade ou não. Pior do que isso: em ambos os casos, desfilam hoje em dia crianças de calções para quem quiser ver na abertura de cada prova. Se eu tivesse a mesma capacidade castradora e mal intencionada que estes seres, diria que aqui está uma forma de nos metermos a jeito para o instinto pedófilo que nos incomoda e enoja. Só que entre mim e estes senhores existe uma grande diferença. Esses pensamentos não me vêm à cabeça, porque eu pura e simplesmente não sou assim. Ao contrário deles que acham tudo mal porque tudo realmente os afeta.

Prevejo que a curto espaço de tempo terminem assim as “miss T-shirt molhada”, as modelos de passerelle, as jogadoras de qualquer desporto em trajes curtos como as minissaias das tenistas. E inclusive temo verdadeiramente pelo fim dos biquínis, dos tops e calções curtos. Ou melhor, só no caso de se tratarem de mulheres atraentes. Ou seja, brevemente teremos em cena a moda do Vídeo Árbitro para determinar o que é atraente ou não. É homem de tronco nu? Pode ficar. É mulher ? Paremos a imagem e determinemos com recurso ao vídeo se é atraente. Se for, termina-se a transmissão. Ou determina-se a sanção para aprenderem a não brincar. 

Existirá alguma forma mais preconceituosa e retrógrada de ver o mundo? Mas andamos tão picuinhas que tudo é sensível e mal-intencionado? Nada se pode dizer, pouco se pode ver. Mas isto não é igual à censura que tanto criticaram? O que será que dizem as mulheres disto? És pouco atraente podes aparecer - és atraente azar, não devias ter sido. Andamos comandados por uma série de depravados, ordinários , que acham que todos somos como eles e todos temos o mesmo instinto. Se não gostam apaguem a televisão e deixem-nos em paz.

As pessoas têm que começar a respeitar a essência de cada um sem fazer julgamentos de valor, mas acima de tudo sem entrarmos novamente numa restrição de liberdades absurda. É tempo de evoluir e não de voltar para trás. Se não se sabem comportar fechem os olhos. Se não se conseguem adaptar desapareçam. O mundo é de todos. Há dias, questionado sobre a altura em que se realizaria a sua lua de mel e quando iriam “os pombinhos” efetivar a relação, Manuel Luís Goucha respondeu: “Somos só dois homens que gostamos um do outro e vivemos há muito tempo juntos. Apenas isso. Quanto ao resto, deixem-se de mariquices”. Tudo dito. 

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