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Zebras. Não se sabe para que servem as riscas mas sabe-se para o que não servem

Zebras. Não se sabe para que servem as riscas mas sabe-se para o que não servem

Shutterstock Beatriz Dias Coelho 19/07/2018 21:13

É um verdadeiro quebra-cabeças para os biólogos, mas nem tudo está perdido: um novo estudo veio deitar por terra uma das teorias mais defendidas. Podemos continuar sem saber a função das riscas das zebras, mas pelo menos sabemos agora que não é arrefecê-las

Há muito que os cientistas procuram saber qual a função das riscas das zebras. A discussão remonta a Darwin e inúmeras teorias têm vindo a ser avançadas: serviriam para que as zebras formassem relações sociais; para confundir os predadores; ou até para evitar picadas de moscas. Mas, agora, um estudo publicado na revista científica “Scientific Reports” vem refutar uma outra teoria que tem sido defendida por vários membros da comunidade científica – afinal, as riscas das zebras não têm como finalidade arrefecê-las.

A teoria do arrefecimento baseava-se no facto de a cor preta e a cor branca absorverem e refletirem o calor de forma diferente. Segundo a tese agora contrariada, o ar em torno das riscas move--se com velocidades diferentes, criando pequenas correntes de convecção nos limites entre as riscas que serviriam então para arrefecer a temperatura corporal da zebra. A teoria ganhou mais força em 2015, quando um estudo concluiu que as zebras de climas mais quentes têm mais riscas ao longo do corpo do que as zebras que habitam em climas com temperaturas mais baixas.

No entanto, a equipa liderada por Gábor Horváth, da Universidade de Eötvös Loránd, na Hungria, recorreu a um método curioso que permitiu concluir que a teoria do arrefecimento não faz sentido: recriando o corpo dos animais, cobriu barris em metal cheios de água com pele animal e instalou-os ao ar livre, ao sol. A pele provinha de cavalos, gado bovino e, claro, zebras. Depois foi só esperar quatro meses para colher resultados, enquanto a temperatura da superfície dos barris era medida de forma contínua e comparada com a temperatura corporal que as zebras costumam apresentar.

Na hora de analisar valores, os biólogos ficaram surpreendidos. É que, se por um lado confirmaram que o método era rigoroso e que a temperatura média da pele da “zebra barril” era idêntica à do corpo das zebras, por outro perceberam que os valores eram também semelhantes aos que o barril cinzento apresentava. Ou seja, concluíram que, afinal, as riscas não servem como ferramenta de termorregulação.

No artigo, os investigadores listam a sequência das temperaturas médias que cada pele apresentou – a mais quente era a pele de gado bovino preto, seguida da pele de cavalo cinzento, da pele da “zebra barril” e da pele das zebras verdadeiras, terminando na de gado bovino cinzento e, finalmente, na de gado bovino branco.

A teoria de que as riscas arrefecem as zebras caiu por terra e a equipa de cientistas não ofereceu nenhuma outra. Por isso, para já, o enigma continua sem solução à vista.

Teorias rejeitadas Esta não é a primeira teoria sobre a função das riscas a cair. A teoria de que serve para camuflagem ou para estabelecer relações sociais já foi, igualmente, provada errada. Porquê? Um grupo de cientistas fez uma experiência e concluiu que, aos olhos das zebras e dos seus predadores, as riscas não são tão óbvias quanto aos olhos dos humanos.

Por isso, contas feitas, em cima da mesa permanece ainda a hipótese de as riscas servirem como meio de dissuasão para moscas e outros insetos que picam.

De onde vêm as zebras? As zebras têm nos burros e nos cavalos os parentes mais próximos. São originárias da região sul do continente africano, herbívoras e, tal como os burros e os cavalos, são mamíferos. Na vida selvagem duram entre 20 e 30 anos, enquanto em jardins zoológicos chegam ao 40.

Quanto a espécies, existem três diferentes: a zebra-da-planície, a zebra- -de-grevy e a zebra-da-montanha. E até pode não parecer, mas a verdade é que as riscas variam entre as diferentes espécies. E mesmo entre as zebras, cada uma tem riscas únicas, tal como as impressões digitais de cada ser humano. Além disso, se na maior parte do corpo as riscas são verticais, nas patas o caso é diferente: estão dispostas na horizontal.

Ao contrário dos cavalos e dos burros, a domesticação das zebras não é fácil. Ainda assim, para a História ficaram várias tentativas documentadas. A mais famosa é a de Lionel Walter Rothschild (1868-1937), banqueiro e zoólogo inglês. A sua carruagem, que conduzia pelas ruas de Londres, era puxada a seis zebras, que Rothschild teimosamente treinou para a função.

 

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