24/9/18
 
 
Espanha. Milhões gastos em submarino que nem sequer cabe na doca

Espanha. Milhões gastos em submarino que nem sequer cabe na doca

DR António Rodrigues 19/07/2018 09:24

Primeiro não flutuava e foi para arranjar, agora o S-80 Plus é demasiado grande. Entretanto, já custou mil milhões de euros, o dobro do previsto

A rocambolesca história do novo submarino da armada espanhola continua. Se antes o problema estava no excesso de peso da embarcação que impedia uma coisa muito necessária - que flutuasse -, agora, depois de ter sido aumentado em dez metros de comprimento e 800 toneladas de deslocamento e rebatizado como S-80 Plus, trouxe outra dor de cabeça: não cabe nas docas de atracação da base naval de Cartagena, Múrcia, onde ficará estacionado. O submarino mede 80,81 metros e o limite das docas é de 78 metros.

De acordo com o “El País”, o Ministério da Defesa espanhol vê-se agora obrigado a gastar mais dinheiro para fazer as necessárias adaptações na infraestrutura para que a base naval de Cartagena possa receber o S-80 Plus. O custo da empreitada é de 16 milhões de euros.

Nos próximos dias, o governo terá de aprovar o aumento do orçamento para o submarino em mais 1772 milhões de euros, o que elevará os gastos para 3907 milhões de euros. No fim de contas, cada um dos quatro submarinos encomendados custará aos cofres do Estado espanhol quase mil milhões de euros.

Os problemas com o S-80 começaram em 2013, quando se descobriu que um desvio de 125 toneladas no peso do modelo o tornava demasiado pesado e comprometia a sua capacidade de flutuação. Não havia garantias de que, depois de submergido (algo inerente a um submarino), pudesse voltar a emergir. Por 14 milhões de euros, os americanos da Electric Boat chegaram à conclusão de que era preciso alongar o submarino dez metros para superar o problema. O que ninguém se parece ter lembrado é que as docas não estavam preparadas para o aumento do tamanho.

Os sucessivos atrasos no desen-volvimento do S-80 já fizeram com que o Ministério da Defesa se decidisse por não incluir por agora o novo sistema de propulsão independente de ar (AIP), que lhe permitirá maior autonomia e menos rasto (poderá manter-se debaixo de água durante duas semanas). Devido a alguns problemas de ruído, diz o “El País”, ficou decidido que o novo motor, capaz de produzir hidrogénio a partir de bioetanol, será incluído apenas a partir do terceiro submarino - o S-83, cuja entrega está prevista para março de 2026. Os dois primeiros, anunciados para 2022 e 2024, usarão um sistema de propulsão a diesel e passarão ao sistema AIP quando tiverem a sua primeira grande revisão de manutenção, no final da década de 2020.

O sistema propulsor, desenvolvido pelas empresas espanholas Técnicas Reunidas e Abengoa, é fundamental para o sucesso do submarino. Com o AIP, o submergível tem mercado porque as suas prestações serão superiores às do alemão U-214, que serviu de base, por exemplo, aos dois U-209PN que estão ao serviço da Marinha portuguesa. Caso contrário, será apenas um submarino gigante e, ainda por cima, caro.

Um submarino do género custa habitualmente entre 400 milhões e 600 milhões de euros. Se o preço for os quase mil milhões pagos pela marinha espanhola, será difícil encontrar interessados na aquisição. Porém, quanto mais encomendas se obtiverem, mais baratos se tornarão os submarinos.

Dizem os especialistas contactados pelo “El País” que, neste tipo de projetos complexos, os imprevistos são habituais. Daí que, normalmente, os orçamentos incluam verba a contar com esses deslizes de desenvolvimento - embora, neste caso, já seja mais uma escorregadela que um mero deslize.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×