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Economia portuguesa. Contas melhoram mas economistas querem mais

Economia portuguesa. Contas melhoram mas economistas querem mais

Sónia Peres Pinto 15/07/2018 09:06

Os números da economia e das contas públicas portuguesas têm sido favoráveis nos últimos anos, com o PIB a crescer e o défice a descer. Mas os últimos dados apontam para um abrandamento em linha com os restantes países da zona euro. O i quis saber o que têm os economistas a dizer das contas do país e o que esperam para o futuro.

João Duque

João Duque garante que a economia está a perder velocidade e força. “O crescimento da economia está a abrandar, cada vez crescemos menos, e isto tem sido sistemático.” E lembra que todos os indicadores estão a crescer cada vez menos: as exportações estão a abrandar, o investimento também, até o desemprego aumentou ligeiramente. “Acredito que vai continuar assim porque não fizemos nada para mudar nem temos nenhumas novidades para anunciar no mercado internacional, para atrair investimento”, diz ao i o economista. Para João Duque, a solução passa por tornar o mercado de trabalho mais flexível, assim como os processos de licenciamento. “Temos de ser mais ágeis”, garante. Ainda assim, admite que “um governo que é apoiado por partidos que não apoiam este tipo de medidas está de pés e mãos atados”. E acrescenta: “É o preço que se paga pelo poder.” 

Pedro Lains

Para o economista, a recuperação da economia e das contas públicas está consolidada no seguimento da travagem das medidas de ajustamento. “Durante um tempo, muita gente pensou que a mudança de política não tinha acontecido e/ou que não resultaria. Sabemos agora que aconteceu e que resultou”, revela. Já em relação ao futuro, Pedro Lains acredita que os maiores problemas são políticos e não tanto económicos. Isto significa que, no seu entender, “será preciso base política para se tomarem boas decisões económicas futuras”.

Eugénio Rosa

Eugénio Rosa garante que o desenvolvimento pode estar em causa com a redução do crédito, não só das empresas mas também dos particulares, “impedindo assim uma verdadeira recuperação e inovação do parque produtivo”. O economista diz que a taxa de desemprego tem caído, o que no seu entender “é muito positivo”, mas isso “tem assentado fundamentalmente em emprego de baixos salários e, muitas vezes, pouco qualificado”. Para Eugénio Rosa, é preciso repensar o modelo de crescimento económico. “Portugal foi o único país da UE onde se registou uma redução dos custos do trabalho (-1,8% no primeiro trimestre). Mas isso só será possível, a nosso ver, com um forte impulso do setor público, o que pressupõe uma União Europeia que impulsione o crescimento dos países, e não impondo medidas que o estrangulem e impeçam o desenvolvimento.” 

Mira Amaral

Mira Amaral não se mostra surpreendido com os dados que apontam para uma desaceleração da economia portuguesa e garante que “o tal maior crescimento económico do século que o governo tem anunciado não existe” e que a tendência é para se manter, e dá como exemplo a redução do turismo. O economista diz também que os resultados económicos alcançados não têm mérito do executivo, mas são resultado de um conjunto de fatores conjunturais: crescimento externo, baixas taxas de juro do BCE e turismo. “Mesmo assim, crescemos menos do que os países com quem nos devíamos comparar. A economia portuguesa parece-me a seleção de futebol. É muita parra e pouca uva.” Mira Amaral destaca, no entanto, o comportamento das empresas exportadoras, mas com mérito da iniciativa privada. “As empresas exportadoras estão para a economia como o Cristiano Ronaldo está para a seleção.”

Ricardo Paes Mamede

Ricardo Paes Mamede aponta baterias ao futuro da economia portuguesa ao considerar que, este ano, o valor final do PIB se encontre mais próximo das previsões que foram avançadas, não esperando desvios significativos. Ainda assim, admite que há um clima de grande incerteza a nível internacional, essencialmente devido a questões geopolíticas, não tornando fácil a tarefa de avaliar a evolução do PIB. E o economista dá como exemplo as questões ligadas à guerra comercial e a evolução do preço do petróleo, que “pode ser bastante penalizador para a economia portuguesa”, assim como a evolução do euro, que pode penalizar as exportações portuguesas. “Os dados que existem até agora não apontam para um abrandamento significativo das exportações nem para uma contenção da procura interna quer no consumo, quer no investimento.” 

Luís Campos e Cunha

Campos e Cunha garante que “tem havido um bom trabalho e isso é muito positivo, porque deu uma grande confiança aos investidores nacionais e internacionais”, o que representa “boas perspetivas para a economia portuguesa”. O economista lembra que os dados do comércio externo continuam a ser muito positivos, daí considerar que está “otimista realista” sobre a evolução da economia portuguesa. Campos e Cunha recorda que os maiores riscos são internacionais, com a possibilidade de existir uma guerra comercial com os Estados Unidos, algum conflito armado e outras tensões que prejudicam a evolução da economia nacional, como é o caso do Brexit. 

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