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Cinema. Orquestra é Bergman sozinho

Cinema. Orquestra é Bergman sozinho

Cláudia Sobral 13/07/2018 09:06

De Bergman haverá tanto a dizer que é como se deixasse de haver. De tanto que fez, que representa, de tudo o que nos deu.

Depois dos ciclos que nos últimos anos devolveram a Lisboa e ao Porto os títulos mais significativos da prolífica obra do realizador sueco – dezenas de longas, desde a década de 1940, intercaladas com outros tantos telefilmes, mais regulares à medida que se foi aproximando do fim da sua carreira – a escolha de “Saraband” pela Midas Filmes para repor em sala a propósito da comemoração dos 100 anos do seu nascimento (14 de julho de 1918) não é a óbvia – e ainda bem. Filme televisivo, provavelmente dos menos apetecíveis entre a lista de icónicos imperdíveis que nos deixou o realizador que, como se já não fosse, justificou de forma definitiva o cinema como universal, ao fazer-nos olhar para nós próprios como poucos. Provavelmente como nenhum outro. E ainda bem porque vem, em final de carreira e de vida, esta sua última obra provar que de Bergman tudo valerá a pena ver, e melhor que se veja, reveja todas as vezes possíveis, que Bergman é para se conhecer inteiro.

De regresso às personagens de “Cenas da Vida Conjugal”, minissérie de seis episódios estreada em 1973 na televisão sueca, “Saraband” leva-nos de volta a Marianne e Johan (os recorrentes Liv Ullmann e Erland Josephson) quarenta anos depois. E junta-lhes Borje Ahlstedt e Julia Dufvenius para o filme (rodado com câmaras digitais de alta definição em vez de película numa altura em que eram a última novidade) que descreveria como “um concerto para uma orquestra sinfónica com quatro solistas”. Quatro solistas, mas orquestra inteira é ele. Ingmar Bergman. 

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