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Portugal. As meias finais também estão aqui, em português!

Portugal. As meias finais também estão aqui, em português!

DR Afonso de Melo 12/07/2018 21:22

Andam, nestes dias, pela Rússia alguns dos jogadores fundamentais na carreira da selecção nacional que atingiu o quarto lugar do Campeonato do Mundo de 2006. Ai que saudades, ai, ai! Tratados como príncipes como merecem!

MOSCOVO – Vai um porteguesito banal pela Prestosvki Boulevard, em plena Moscovo, sem nada que o distinga dos demais, nem que fosse do grande Jacinto de Tormes, das serras e dos Parques Elísios e, de súbito, ouve uma voz e recebe um abraço: “Com esta equipa já estávamos nas meias-finais!”

Era o Simão. Não estávamos mas estivemos. 2006, esse ano inesquecível que só teve paralelo no Campeonato do Mundo de Inglaterra, em 1966. Estivemos, não. Estiveram eles. Eu só fazia parte de uma equipa que era como uma família, tal como somos agora, todos estes anos passados.

De 2006, estão em Moscovo o Simão, o Maniche, o Paulo Santos, o Pauleta, o Nuno Gomes, o Nuno Valente, o Fernando Meira, o Deco e o Miguel, assim só de cabeça, quase meia equipa. E depois o Paulo Madeira e o Dimas (estes são meus companheiros de guerra desde a eternidade de 1996, irra, que tempo já passou!), e o Bruno Bastos, o enorme Neno e o Pedro Mendes.

Que fazem por cá? Jogam o Grande Torneio das Lendas, que é mesmo assim que lhe chamam, contra outras lendas de outras equipas inesquecíveis, do Brasil de Roberto Carlos (abraços ao Scolari), à Espanha de Michel Salgado (abraços a quem, mesmo???) e, pelo meio, num elevador, econtro o Suker que manda abraços ao Toni. Não estranhem. Conheci este personagem em 1995, em St. Albans, nos arredores de Londres. Tínha-nos calhado no sorteio a Croácia para a fase final do Campeonato da Europa de Inglaterra, no ano seguinte. O Joaquim Rita, o chefe, mandou-me atrás dos croatas e eu, obediente, fui. Era um tempo em que não se discutia autoridade de chefes. Nem nós queríamos porque a autoridade dos chefes eram a garantia da nossa qualidade. Que se quilhe! Jornalismo que deixou de existir, azar de quem gosta de ler páginas brancas com letras a tinta negra.

Em St. Albans encontrei uma selecção extraordinária, a da Croácia. O treinador, Miroslav Blazevic, disse-me logo de caras: “Você está perante a melhor equipa do mundo. Esqueça o Brasil ou a Alemanha. Esta equipa que aqui está é a melhor do todo o mundo!”

Não lhe faltava lábia. Dois dias mais tarde assisti, em Wembley, à destruição completa da selecção inglesa de Terry Venables por parte dos croatas. Que coisa linda! A baderna que aquela gente fez na Catedral. O Europeu não lhes correu a gosto, por excesso de empáfia, estive lá e posso confirmá-lo, até de Portugal levaram três a zero. Deixá-lo. Um rapaz novo, jogador do Sevilha, veio ter comigo: “És de Portugal?” Não me senti completamente à vontade, mas lá disse que sim. “Conheces o Toni?” O Toni?! O meu querido Toino lá da Bairrada como eu, coração do tamanho de cinquenta e sete planetas grandes como Júpiter ou mais, não é um amigo, é um irmão! “Gente do melhor!”, fica feliz o Suker. “Adorei trabalhar com ele no Sevilha!”

Feito. Quem pode não gostar do nosso António Oliveira, homem de Mogofores, homem de Coimbra, homem do mundo, homem do futebol como poucos conheci. 

Varanda do Hotel Lotte, em Moscovo. Um ror de malta do futebol. Com o Drogba também, contando coisas da sua nova vida da América. Estou com pressa. Até ao Estádio Luzhniki, aquele que tem uma estátua enorme do Lenine à frente da porta principal, um Lenine antes de cair dos plintos - “Reveille toi Vladimir Ilitch si tu est le poéte!” - , corro para o elevador, prevejo o trânsito acumulado nas ulitsas e nos boulevards, tenho uma pressa de Inglaterra-Coroácia, outra vez, agora não emWembley (na velha e incomparável Wembley que tinha uma espécie de pub todo de madeira para os jornalistas beberem umas pinds), desta vez para a meia-final de um Campeonato do Mundo, eu que ando atrás da Inglaterra há trinta anos e sonho vê-la na final de um Campeonato do Mundo, mais os seus cânticos - “English, we are proud of you!” - que têm até uma letra a mais para encaixarem na música - “En-gre-land! En-gre-land! En-gre-land!” - e só agora me sento, no lugar A do 345 entre jornalistas colombianos e portugueses (só o Rogério Azevedo e o Tovar, calma) e, finalmente, respiro fundo.

Está quase, quase a começar.

Mas o Simão tem razão, rem toda a razão: com aquela equipa as meias-finais eram garantidas, foram garantidas, foram completamente garantidas, nós sabemos, nós que aqui estamos sabemos, e ainda ficamos mais meia hora a discutir se o penalti do Ricardo Carvalho sobre o Thierry Henry foi penalti ou não.

Por falar nisso: o Ricardo Carvalho também cá está? Não o vejo. Vou perguntar ao Deco.

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