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Super Trump. Digressão pela Europa começa com money, money, money na NATO

Super Trump. Digressão pela Europa começa com money, money, money na NATO

António Rodrigues 12/07/2018 16:54

Que o presidente dos EUA quer os países da NATO a contribuir mais para a Aliança Atlântica não é novo, a novidade é o ataque à jugular da Alemanha, acusada de estar nas mãos da Rússia. É a primeira etapa da digressão europeia de Trump, que estará amanhã em Londres e para a semana se encontra com Vladimir Putin em Helsínquia

Os Estados Unidos querem que os seus aliados na NATO contribuam com 4% do PIB para a defesa, uma duplicação dos atuais 2%, que só cinco dos 29 países da Aliança Atlântica atingiram. Num primeiro dia da cimeira de Bruxelas marcado, como se esperava, pela questão das contribuições financeiras dos países--membros para o orçamento da organização, Donald Trump surpreendeu ao lançar um ataque feroz contra a Alemanha, acusando o governo da chanceler Angela Merkel de estar “totalmente controlado pela Rússia” por passar a “receber 60 a 70%” do seu gás natural de Moscovo.

“A Alemanha está cativa da Rússia”, afirmou o líder norte-americano num encontro com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. “Não parece fazer sentido que eles paguem milhares de milhões de dólares à Rússia e nós agora tenhamos de os defender da Rússia”, acrescentou Trump, antes de exclamar: “Não estão a lidar com a Rússia, estão a enriquecer a Rússia.” O presidente dos EUA lembrou até que o antigo chanceler alemão Gerhard Schröder é presidente do conselho de administração do maior produtor de petróleo russo, a Rosneft.

Merkel respondeu-lhe: “Tendo em conta as circunstâncias, quero salientar uma coisa: eu senti na própria pele a ocupação soviética de uma parte da Alemanha. É bom que sejamos hoje independentes.”

O ataque sem quartel à relação energética entre alemães e russos está a dominar uma cimeira em que Trump assumiu o papel central de polícia do mundo que cobra a fatura aos seus aliados: “Muitos países devem-nos uma quantidade enorme de dinheiro por todos estes anos em que, quanto a mim, foram delinquentes, porque os EUA tiveram de pagar por eles.” A chanceler alemã teve resposta também para esta questão: “A Alemanha contribui muito. Estamos dispostos a aumentar os nossos gastos em defesa tal como ficou acordado no País de Gales.”

Stoltenberg, por seu lado, admitiu, no final da reunião de ontem, que todos os países concordaram que precisam de partilhar o fardo e gastar em defesa de uma forma mais justa.

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