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Tailândia. As bombas falharam e por pouco não houve mortes na gruta

Tailândia. As bombas falharam e por pouco não houve mortes na gruta

AFP António Rodrigues 12/07/2018 15:03

O último dos rapazes já tinha saído e o treinador, mas lá dentro ainda havia umas 100 pessoas que tiveram de correr para salvar a vida

Foi por um instante. A missão impossível contrariara as expetativas e os 12 rapazes e o treinador já tinham sido retirados da gruta de Tham Luang, com mazelas de mais de duas semanas, presos numa câmara debaixo de terra, mas vivos. Uma centena de mergulhadores e elementos da equipa de resgate recolhiam o material usado na complexa operação quando a bomba principal que retirava a água de uma das câmaras falhou.

De acordo com o testemunho de três mergulhadores australianos, que contaram a história ao “Guardian”, o nível da água dentro da gruta começou a subir rapidamente. O trio estava na denominada câmara três, usada como base de operações dentro da gruta, quando começou a ouvir gritos e a ver gente afobada, tentando chegar o mais depressa possível a uma zona seca.

“Começámos a ver todas as lanternas a subir a encosta e a água a subir atrás... Podia ver-se perfeitamente que estava a subir”, disseram os mergulhadores australianos.

A avaria da bomba apanhou de surpresa a centena de pessoas que ainda estavam a quilómetro e meio no interior da gruta, que desataram a correr e demoraram ainda uma hora e meia até respirarem de alívio, já no exterior.

Para sorte de todos, o percurso da câmara três até à entrada da caverna que, no princípio, demorava quatro a cinco horas, por essa altura, devido a uma semana de drenagem e de limpeza da lama com pás, já se fazia em pouco mais de uma hora.

Quando o episódio aconteceu, já a equipa de futebol dos Wild Boars e o seu treinador tinham sido levados de ambulância para o hospital Prachanukroh de Chiang Rai, a cerca de 100 km da gruta, onde ainda estão internados de quarentena, sob observação, para aferir se não desenvolvem nenhuma infeção derivada das mais de duas semanas que passaram dentro da gruta.

Os rapazes deverão ficar internados por mais sete a dez dias, segundo o diretor do hospital, Chaiwetch Thanapaisal. Continuarão depois a ser monitorizados e o seu sangue será recolhido e enviado para um laboratório em Banguecoque, por precaução quanto à possibilidade de virem a desenvolver alguma infeção.

Ontem, pela primeira vez, as autoridades tailandesas mostraram imagens dos jovens fora da gruta. O vídeo divulgado na conferência de imprensa mostra os jovens alinhados em camas numa enfermaria, com o rosto coberto por máscaras hospitalares. Alguns deles acenam à câmara, outros mostram-se ainda demasiado fracos para fazer outra coisa que não seja olhar a partir das suas camas. São apenas 38 segundos, mas foi a primeira vez que o mundo pôde vislumbrar os jovens resgatados no exterior da gruta.

“Na verdade, não queríamos mostrar [estas imagens], mas muitas pessoas não acreditavam [que as crianças estavam de boa saúde], por isso decidimos mostrar isto hoje [ontem] à imprensa”, confessou, na conferência de imprensa, Narongsak Osatanakorn, ex-governador de Chiang Rai, substituído na sexta-feira, mas que devido à sua popularidade foi mantido como supervisor das operações de resgate.

Quem também ganhou popularidade e teve mesmo direito a aplausos e vivas à medida que foram passando pelos mergulhadores e operacionais colocados ao longo do percurso de quatro quilómetros até à saída foram os três fuzileiros e o médico que desde o momento em que os jovens foram encontrados, ao fim de nove dias de buscas, se mantiveram com eles na câmara até que todos saíram.

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