16/12/18
 
 
Filipe Baptista 12/07/2018
Filipe Baptista

opiniao@newsplex.pt

A bolha turística

Primeiro problema que salta à vista de todos e, sobretudo, de quem passa periodicamente por eles: os aeroportos nacionais, que estão a rebentar pelas costuras. 

Portugal está na moda e as hordas de turistas que, nos últimos anos, têm invadido o país comprovam-no. Têm vindo a diversificar a sua procura e não se concentram apenas em Lisboa, Porto ou Algarve. Aos poucos, os mais aventureiros vão desbravando outras regiões que, para mim, são o melhor que o país tem para oferecer. Refiro-me ao Alentejo, ao Minho ou ao Oeste.

Há um custo associado a este “êxodo” turístico dos centros urbanos para as zonas mais rurais. Desde logo, a invasão daqueles locais que, até há uns anos atrás, estavam quase reservados para apenas alguns de nós, os que fugiam do mainstream turístico. Onde imperava a tranquilidade e a descontração começam a sentir-se as pressões das multidões, a azáfama das filas e algum transtorno de multiculturalismo desenquadrado.

Mas é a vida! E no reverso da medalha estão os euros que ficam e o emprego que, embora sazonal, se vai criando.

Mas o problema não está na diversificação dos locais procurados pelos turistas. Está, sim, na degradação das infraestruturas que temos para os receber e na falta de investimento público e privado para adequar as mesmas ao volume das massas que têm vindo a invadir o território.

Primeiro problema que salta à vista de todos e, sobretudo, de quem passa periodicamente por eles: os aeroportos nacionais, que estão a rebentar pelas costuras. 

O aeroporto de Lisboa, por estes dias (e nos últimos meses), parece um local de evacuação de fugitivos de um conflito armado. Filas intermináveis, obras constantes para ganhar mais centímetros num espaço já de si exíguo e atrasos constantes pela falta de lugares para tanta aeronave. No Porto, a mesma coisa, e em Faro, idem.

Porventura, um novo aeroporto em Lisboa ou os investimentos necessários nas restantes infraestruturas já virão tarde se continuar a tendência anunciada esta semana de perda no Algarve de 20% de turistas britânicos, 14% de holandeses, 12% de alemães e 43% de espanhóis.

Não é aceitável que a chegada e a partida de um país que tem tanto para oferecer traumatizem de tal forma os visitantes que todas as boas experiências que possam ter se esfumem em algumas horas. Ninguém gosta de chegar para férias e ficar horas em filas sem assistência, como também ninguém fica feliz por chegar ao fim de umas férias e apanhar um esgotamento nervoso até embarcar de regresso a casa.

O segundo problema é o típico oportunismo do empresário hoteleiro e de restauração, sobretudo nos locais turísticos mais tradicionais. Não é possível cobrar por ovas de salmão o preço de caviar nem vender gato por lebre. O que sempre maravilhou locais e turistas no nosso país foi a excelente relação entre preço e qualidade. Aos poucos, e na embriaguez da procura desenfreada, a qualidade da oferta vai-se degradando, e o preço galopando. É natural que quando a procura aumenta haja uma tendência para os preços subirem. O que não é aceitável é que a qualidade não acompanhe essa subida. Entenda-se qualidade como um todo, ou seja, do produto e do serviço.

Fazem-se umas cosméticas, um guardanapo ali, uma vela acolá, e está justificada uma subida de 20% na fatura. Nada mais errado! Esse é um conceito de turismo de massas, com o qual não podemos competir. Há que investir na qualidade, na excelência da oferta e na incomparabilidade do serviço. Isto é o que pode distinguir-nos e fidelizar: um turismo de qualidade. Isto exige investimento com critério em recursos humanos, em produtos nacionais de primeira linha e em serviço ao cliente.

Portugal está na moda e, se é uma bolha, somos nós que a estamos a insuflá-la, assobiando para o lado, não reconhecendo a necessidade de investimento (público e privado) e ignorando a necessidade de legislação e incentivos fiscais adequados para quem oferece turismo de qualidade.

O turismo sempre foi uma peça fundamental na máquina orçamental do país. A questão é saber se vamos continuar a manter uma máquina a vapor ou se investimos e apostamos em tecnologia de ponta e mudamos para uma máquina de energias renováveis.

Escreve à quinta-feira

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×