23/7/18
 
 
Turismo. Lisboa já ultrapassa Paris, Londres ou Barcelona nas taxas de ocupação

Turismo. Lisboa já ultrapassa Paris, Londres ou Barcelona nas taxas de ocupação

Miguel Silva Sónia Peres Pinto 11/07/2018 21:54

Lisboa registou a segunda maior taxa de ocupação da Europa ao ultrapassar os 80,5%. Mas o valor das receitas por quarto disponível fica abaixo da média 

Portugal tem vindo a bater recordes no turismo não só em número de turistas como também em receitas. Em 2017, o total de dormidas superou os 57 milhões e as receitas na área hoteleira ultrapassaram os 2500 milhões de euros.

Lisboa é uma das principais âncoras deste crescimento e já regista uma das maiores taxas de ocupação da Europa. E os números falam por si: a ocupação na capital ronda os 80,5%, ultrapassando cidades como Paris (78,8%), Londres (78%), Barcelona (79,2%), Madrid (75,2%) ou Roma (71,3%). Só Amesterdão ultrapassa a cidade lisboeta (85,5%). A conclusão é do estudo “Atlas da Hotelaria”, da Deloitte. 

No entanto, o valor das receitas por quarto disponível (RevPAR), que no mercado português ronda os 82,90 euros, fica abaixo da média europeia, que se fixa em 92,50 euros, dando assim espaço de crescimento. Aliás, esta tem sido uma das preocupações dos hoteleiros, que têm vindo a chamar a atenção para a necessidade de crescer em termos de valor. Ainda assim, a Área Metropolitana de Lisboa registou o valor mais alto dos últimos dez anos ao fixar-se nos 72,60 euros, o que representa uma subida de 21%, ou seja, mais 13,40 euros face a 2016, o que corresponde à maior subida ocorrida no ano passado entre todas as regiões do país.

Também a Área Metropolitana do Porto e, acima de tudo, o Porto, terão contribuído de forma significativa para este aumento. Só num ano, entre 2016 e 2017, o RevPAR dos estabelecimentos hoteleiros na cidade nortenha cresceu 14 euros, para 66,60 euros.

Já em termos de taxa de ocupação, a Região Autónoma da Madeira e o Algarve apresentam a estadia média mais elevada, com 5,2 e 4,6 dias, respetivamente. Logo a seguir surgem os Açores, com uma estadia média de 3 dias, enquanto em Lisboa ela se fixa nos 2,3 dias. Quando analisado o índice de sazonalidade, os meses de julho, agosto e setembro são os que registam o maior número de dormidas.

Estes resultados vão ao encontro do que tem vindo a ser defendido pela secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho: “O crescimento sustentado da atividade turística, com o contínuo alargamento a todo o território e ao longo do ano, bem como a dinamização do turismo interno, constituem prioridades da estratégia que estamos a implementar.”

Novos alojamentos Mas mais turistas em Portugal também significa mais alojamentos e, em 2018, os números deverão voltar a aumentar. Só para este ano, o estudo aponta para o aparecimento de 49 novos hotéis, sobretudo de quatro e de cinco estrelas. Só na capital está prevista a abertura de 21 novas unidades hoteleiras. A região do Porto irá receber 11 novos estabelecimentos, enquanto a região Centro e a Madeira irão receber sete cada um. Já o Algarve irá abrir duas unidades, e o Alentejo um estabelecimento. 

A verdade é que esta tendência de subida não é nova. Já em 2017, o número de empreendimentos turísticos (1993) e de unidades de alojamento (mais de 143 mil) também aumentou, contando com mais 48 e 3350, respetivamente, face ao ano anterior. 

“O setor de turismo continuou, ao longo de 2017, a dar provas do seu potencial, batendo recordes não só no número de hóspedes, mas também na riqueza que gera. Com esta dinâmica, assistimos também a uma valorização dos ativos imobiliários que, obrigatoriamente, se assumem como a base do negócio hoteleiro”, diz Jorge Marrão, partner e real estate leader da Deloitte.

Com este reforço na oferta, é natural que o número de oferta de camas tenha disparado no espaço de um ano ao passar de quase 101 mil para mais de 205 mil. Feitas as contas, tal representa um aumento de 103 mil e um crescimento de 102%. 

A Deloitte revela ainda que o número de unidades de alojamento local (AL) existentes em Portugal aumentou, tendo passado de 26 151 em 2016 para mais de 51 mil em 2017, o que representa um aumento de 85%, correspondente a um total de quase 25 mil unidades.

Segundo o estudo, que analisa os dados do setor hoteleiro em Portugal, o Algarve e o Norte são as regiões que concentram o maior número de empreendimentos turísticos (22% cada), seguidas da região Centro (21%), Lisboa (16%), Alentejo (8%), Madeira (7%) e Açores (4%). No que toca ao número de unidades de alojamento, o Algarve mantém a liderança, com 32%, mas é Lisboa que assume a segunda posição, com 21%.

Raio-x da oferta Os hotéis continuam a ser a tipologia de empreendimentos turísticos mais representativa em Portugal, com 73% da oferta. Seguem-se os apartamentos turísticos (10%), os hotéis-apartamentos (7%), os hotéis rurais (5%), os aldeamentos turísticos (3%) e as pousadas (2%) – um panorama que se mantém praticamente inalterado face à edição anterior.

Os empreendimentos turísticos de três e quatro estrelas são os que predominam a nível nacional, representando 33% e 38% do mercado, num total de 662 e 754 unidades hoteleiras, respetivamente. Os empreendimentos de duas estrelas ocupam a terceira posição, com 16%, e os de cinco estrelas a quarta posição, com 8% (327 e 167 unidades hoteleiras, respetivamente).

Os grupos Pestana Hotels & Resorts/ Pousadas de Portugal, Vila Galé Hotéis e Accor Hotels lideram o ranking nacional dos 20 grupos hoteleiros/entidades de management com o maior número de unidades de alojamento. 

O grupo Pestana lidera de forma destacada, com 7888 unidades de alojamentos (5,5% do total) e com 16 122 camas, distribuídas pelos seus 69 empreendimentos turísticos. Em sentido ascendente, no top-10, este ano, está apenas o grupo Hoti Hotéis/Meliá Hotels & Resorts, com a aquisição de duas unidades hoteleiras em Portugal (TRYP Colina do Castelo e Golden Residence).

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×