16/12/18
 
 
Luís Menezes Leitão 11/07/2018
Luís Menezes Leitão

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Um governo refém

O que António Costa conseguiu assim com a sua geringonça foi formar um governo completamente refém dos partidos à sua esquerda. É claro que uma grande parte do seu partido e talvez até ele próprio podem apreciar imenso esta situação, numa espécie de síndrome de Estocolmo, mas é evidente que a mesma é altamente prejudicial ao país.

Por muito que nos tenha tentado convencer do contrário, se há coisa de que este governo nunca beneficiou foi de estabilidade, uma vez que esta é absolutamente contrária à natureza da solução política gizada por António Costa para chegar ao poder. Na verdade o que caracteriza a geringonça é um princípio político muito simples: o governo satisfaz todas as revindicações dos partidos de extrema-esquerda, por mais disparatadas e prejudiciais ao país que as mesmas sejam, e em troca estes permitem que o governo se mantenha em funções.

O governo aceitou assim, por pressão do BE e do PCP, reverter quase todas as medidas do governo anterior, a maior parte das vezes sem qualquer justificação. Baixou o IVA na restauração, com um enorme impacto nas contas públicas, sem qualquer necessidade, uma vez que a restauração está a ir de vento em popa com o aumento do turismo. Reverteu a reforma do arrendamento e lançou um novo imposto sobre os imóveis para habitação, causando com isso uma crise sem precedentes no sector, que todos os dias se agrava. E reduziu o horário da função pública a 35 horas, também sem qualquer justificação, levando ao colapso dos serviços públicos, o que agora se está a fazer sentir com especial gravidade no sector da saúde.

Mas a isto o que respondem os partidos da extrema-esquerda? Que é preciso o governo fazer ainda mais e pior. Se o sector do turismo está a funcionar bem, é preciso acabar rapidamente com ele, a pretexto da autenticidade nacional. Se as medidas que propuseram destruíram o sector da habitação no país, é preciso avançar com medidas ainda mais radicais para garantir que o mesmo acabe de vez. E se os serviços de saúde não aguentam a redução para 35 horas, há que contratar ainda mais funcionários, mais uma vez com um impacto brutal nas contas do Estado. Não é por acaso que a dívida pública acaba de atingir 250.000 milhões de euros, colocando-se o país cada vez mais a viver da dívida.

E se o governo tenta algum afastamento mínimo das posições da extrema-esquerda, como aconteceu agora quando celebrou um tímido acordo de concertação social com as associações patronais e a UGT, a reacção do PCP e do BE é brutal. O BE avisa logo que a aprovação do orçamento para 2019 depende das leis laborais. E o PCP faz imediatamente um vídeo a chamar António Costa de O Padrinho, até com a música do filme, sem que em resposta surja sequer no PS um qualquer Clemenza a responder, quanto mais a ajustar as contas pelo atrevimento. Pelos vistos hoje em dia quem se mete com o PS já não leva.

O que António Costa conseguiu assim com a sua geringonça foi formar um governo completamente refém dos partidos à sua esquerda. É claro que uma grande parte do seu partido e talvez até ele próprio podem apreciar imenso esta situação, numa espécie de síndrome de Estocolmo, mas é evidente que a mesma é altamente prejudicial ao país. É por isso que o PSD tem o dever elementar de acabar imediatamente com isto, em caso algum dando a mão ao governo quando os partidos da extrema-esquerda falharem o seu apoio, como desde o início se soube que iria acontecer. Não pode, por isso, em caso algum o PSD votar a favor do governo, mantendo o país uma situação que nem sequer é de pântano mas antes de fossa profunda. António Costa arranjou esta solução de governo, agora que se amanhe com ela. Como bem diz o povo, quem fez a cama que se deite nela.

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