24/9/18
 
 
Maria Helena Magalhães 11/07/2018
Maria Helena Magalhães

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São catedrais no Caminho de Santiago…

A história dos Caminhos de Santiago afunda-se na lonjura dos tempos, mas é tomado como certo o séc. ix para dar início à romagem de peregrinos a Compostela para venerar as relíquias do apóstolo Santiago Maior. O culto persistiu, com alguns períodos de abrandamento, e ainda hoje se venera o suposto túmulo do apóstolo na Catedral de Santiago de Compostela. Com o correr dos séculos foram sendo definidos caminhos de romagem entretanto denominados, divulgados e assinalados como Caminhos de Santiago. Há vários, todos na Europa, na maioria traçados a partir do norte, e todos vão entroncar nos caminhos espanhóis.

Nos dias de hoje, fazer o caminho não é necessariamente, presume-se, uma manifestação religiosa, antes será uma experiência de introspeção e de espiritualidade. Há quem o faça a pé, a cavalo, embora menos, ou de bicicleta, e requerida a credencial do peregrino obtém-se acesso preferencial aos albergues e aos restaurantes – é vulgar ver nas ementas o “menu do peregrino” – e atenção particular na visita às catedrais “obrigatórias” ao longo do percurso.

Foi exatamente esta “obrigatoriedade” que desencadeou a curiosidade de ir ver onde estão e como são algumas dessas catedrais, ab initio consagradas a romagens de fé e fervor religioso. Detivemo-nos nas catedrais escolhidas, a saber, Lugo, Oviedo, Leão, Burgos, Astorga e, como não podia deixar de ser, Santiago de Compostela – convém dizer que as visitas com audioguia permitem uma viagem muito satisfatória pela história da Espanha e da arte –, e de todas retivemos a impressão de grandiosidade, quiçá de opulência, bem à escala da imagem de poder em que o reino de Espanha sempre se reviu. Comparativamente, as nossas são tão modestas e caseirinhas! Do românico ao neoclássico, passando pelo gótico, Renascimento e barroco, encontramos de tudo um pouco, seja no que resta do monumento original, seja nos acrescentos feitos ao longo dos séculos, mas sempre presente a ideia de que a majestade da construção deveria traduzir a potestade política e religiosa da cidade, da região, do país. O omnipresente coro, não apenas destinado ao cadeiral, como que separa distintos lugares de culto, sendo a charola (deambulatório) destinada à generalidade dos fiéis. Não obstante, a riqueza ornamental das capelas absidais não desmerece em nada da magnificência das cúpulas e coruchéus centrais. Concluindo, é tal a sumptuosidade e a grandeza que um simples mortal se impressiona arrebatadamente (?), quase tanto como perante a vastidão do mar, mas… sem ter a vida por um fio, como outros…

A Europa das catedrais, veneranda, acolhe de modo respeitoso peregrinos e viageiros, a não ser que se trate de migrantes, espécie de peregrinos em busca da bênção de uma vida, senão melhor, segura. Contudo, cultuam outras divindades, têm hábitos diferentes, incomodam as sacrossantas opiniões públicas – que os políticos tanto temem! –, facilmente incendiadas por todo o tipo de “ismos” à solta.. Então, os senhores da Europa, guardiães do templo europeu, desencantaram uma solução (?!): criar campos de detenção fora de portas, longe da vista, e atirar para cima o dinheiro que for preciso.

Migrantes, não conspurquem o nosso mar! Por favor, vão morrer longe.

 

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