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Egito. A cidade perdida dos construtores das pirâmides continua a crescer

Egito. A cidade perdida dos construtores das pirâmides continua a crescer

DR Beatriz Dias Coelho 09/07/2018 22:35

Uma descoberta revelada na semana passada abriu horizontes sobre como se organizavam os trabalhadores que construíram as Pirâmides de Gizé, no Egito. Mark Lehner, o famoso arqueólogo norte--americano, está a dirigir as escavações e explicou ao i o que está em causa

O Antigo Egito continua, nos dias de hoje, a ser motivo de fascínio, não apenas pela sua beleza como também pelos mistérios de que a sua história é feita. Na última semana, uma descoberta relacionada com uma das maiores atrações do Egito despertou atenções um pouco por todo o mundo e é mais uma carta no baralho das pistas para uma melhor compreensão daquela que foi uma das mais importantes civilizações de sempre.

A dois passos das famosas Pirâmides de Gizé, uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de duas casas onde residiam responsáveis pela alimentação de um corpo paramilitar e dos trabalhadores que erigiam a Pirâmide de Miquerinos, a mais pequena das três e a última a ser construída. As duas residências encontradas estão localizadas perto de um conjunto de estruturas designadas como “galerias” e que podem ter albergado um corpo paramilitar em Gizé que integrava mais de mil pessoas.

Ao i, o arqueólogo Mark Lehner – que tem passado os últimos 30 anos a trabalhar naquelas paragens e está a dirigir as escavações –, explica que esta descoberta “é muito importante” porque, até aqui, “não se sabia como é que as pessoas que construíram as pirâmides viviam e se organizavam”. Segundo as conclusões da equipa da Ancient Egypt Research Association, organização à frente das escavações e de que Lehner é diretor, uma das estruturas seria a residência de um funcionário responsável por supervisionar o abate dos animais para alimentação. Quanto ao ocupante da outra casa, as suspeitas recaem sobre um padre que integrava uma antiga instituição designada “wadaat” – cujos sacerdotes seriam, acredita-se, funcionários de alta patente no governo. Isso é, pelo menos, o que sugerem os selos encontrados próximo da estrutura, que mencionam a instituição.

A casa, explica Lehner, está ligada a uma estrutura que pode ter sido usada para maltagem, o que levanta a possibilidade de quem lá residia ter como função o supervisionamento do fabrico de cerveja e da confeção de pão.

A cidade perdida dos construtores das pirâmides As duas casas agora encontradas pelo grupo de arqueólogos situam--se num antigo porto descoberto recentemente, em 2014. Era, segundo Mark Lehner, “o porto nacional da época”.
O conjunto destas estruturas – e de outras que têm vindo a ser encontradas ao longo dos anos – sugere que naquele local, há mais de 4500 anos, quando se construía a última das pirâmides – durante o reinado do faraó Menkauré, que ocupou o trono entre aproximadamente 2490 a.C. e 2472 a.C. –, havia uma cidade atualmente batizada como “cidade perdida dos construtores da pirâmide”.

As residências encontradas esta semana, de resto, não foram as primeiras a ser descobertas na área das Pirâmides de Gizé. Já em 2014, o mesmo grupo de arqueólogos tinha encontrado vestígios de uma mansão com pelo menos 21 quartos onde se acredita que dormissem oficiais de alta patente que comeriam e se vestiriam como a realeza. Porquê? A hipótese é sugerida pela existência de ossos de gado jovem – que, segundo os investigadores, teria no máximo 18 meses – e dois dentes de leopardo na casa, bem como dois outros num monte relativamente próximo.

No ano passado, a descoberta da chave de um mistério relacionado com as pirâmides tão repetido quanto antigo causou uma onda de entusiasmo entre arqueólogos de todo o mundo. De que forma tinham conseguido os egípcios transportar os blocos de pedra para a construção das pirâmides por mais de 800 quilómetros? Construindo canais de água e carregando os blocos em barcos construídos para esse efeito.

A revelação foi feita graças a outra descoberta da equipa do norte-americano Lehner: um papiro redigido pelo encarregado da construção no local. A par do papiro, a equipa descobriu também restos de barcos e evidências do que terão sido canais de água.

Ao i, Lehner confirmou que as escavações vão continuar até fevereiro de 2019. Enquanto isso, resta esperar pela próxima revelação.

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