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Poupança. Veja se compensa investir no novo produto do Estado

Poupança. Veja se compensa investir no novo produto do Estado

Shutterstock Sónia Peres Pinto 09/07/2018 21:00

As Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável rendem 1% bruto ao ano, bem abaixo das emissões anteriores. Produto é comercializado nos bancos

Já chegou ao mercado um novo produto de poupança. As  Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) começaram a ser emitidas a meio da semana passada e estão disponíveis para subscrição até ao próximo dia 17 de julho. Este produto financeiro distingue-se das anteriores obrigações por ter um prazo mais alargado – no entanto, também a remuneração mais baixa de sempre. O montante mínimo de investimento é de mil euros e o máximo é um milhão de euros.  

O prazo de investimento subiu de cinco para sete anos. A decisão de alargar a maturidade destas obrigações surge depois de, em outubro do ano passado, o governo ter lançado os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), também com um horizonte temporal de sete anos, em substituição dos Certificados do Tesouro Poupança Mais, que tinham uma maturidade de cinco anos.

O Tesouro oferece uma taxa de juro bruta de 1%, ou seja, a mais baixa de todas as operações deste âmbito já realizadas – o que dá uma remuneração líquida de 0,7% depois de retirado o imposto de 28%. Na emissão imediatamente anterior, a taxa de juro tinha sido de 1,1%, mas a primeira emissão realizada em maio de 2016 foi disponibilizada a uma taxa de juro de 2,2%.

Vale a pena investir? A “Proteste” diz que não. Além de a rentabilidade ser baixa, a publicação chama ainda a atenção para o facto de este instrumento financeiro ter custos acrescidos: “São cobradas comissões (subscrição, custódia, pagamento de juros e reembolso de capital) que podem diminuir bastante o rendimento”, revela.

E os cuidados não ficam por aqui. De acordo com a mesma, cada banco tem o seu preçário e, como tal, as comissões variam consoante a instituição financeira. “Antes de subscrever peça uma simulação de custos e verifique a taxa de rentabilidade líquida do investimento. Alguns bancos disponibilizam calculadoras para esse fim nas suas páginas de internet. Pelos nossos cálculos, uma aplicação de pequenos montantes será sempre penalizada. Em regra, devido aos custos, o rendimento das OTRV é menos penalizado apenas para montantes elevados, acima de 5 mil euros”, salienta.

Alternativas Uma alternativa de dívida pública são os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), que têm também o prazo máximo de sete anos, mas os juros são pagos anualmente a taxa crescente. O valor nominal de cada unidade é um euro e pode investir um mínimo de mil euros e um máximo de um milhão de euros. Cada subscrição vence juros com uma periodicidade anual (sem capitalização) e o resgate só é possível um ano após a data-valor da subscrição. Se o subscritor solicitar o reembolso antecipado, perde os juros corridos desde o último pagamento.
E qual o valor de remuneração? A taxa de juro é crescente: no primeiro e segundo anos é pago 0,75% (remuneração bruta), sobe para 1,05% no terceiro ano, 1,35% no quarto, 1,65% no quinto e 1,95% no sexto, até atingir no último ano 2,25%. A taxa de juro a partir do segundo ano é acrescida de um prémio, correspondente a 40% do crescimento médio real do produto interno bruto (PIB) a preços de mercado nos últimos quatro trimestres conhecidos no mês anterior à data de pagamento de juros.

No entanto, o prémio apenas tem lugar no caso de o crescimento médio real do PIB ser positivo e fica limitado a um máximo de 1,2% em cada ano, equivalente a 40% de um crescimento médio real do PIB de 3%.
 Um outro produto de poupança do Estado são os Certificados de Aforro, em que a taxa de remuneração é calculada com base na média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, acrescida de 1%. Como, atualmente, a Euribor está em valores negativos, a taxa de juro para novas subscrições de certificados de aforro (série E) foi fixada em 0,678% brutos e é uma opção para quem pretende aplicar montantes pequenos. A explicação é simples: aceita investimentos a partir dos 100 euros. 

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