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Tutti Frutti. Saco azul terá sido usado para que Santana ganhasse eleições

Tutti Frutti. Saco azul terá sido usado para que Santana ganhasse eleições

Teresa Neto Ana Petronilho e Tatiana Costa 05/07/2018 22:10

Candidato desconhecia esquema, que segundo a investigação era liderado pelo deputado social-democrata Sérgio Azevedo

 

A investigação do chamado caso Tutti Frutti acredita que existia dentro do PSD um saco azul alimentado por um esquema de corrupção que teria o deputado social democrata Sérgio Azevedo como peça central. Parte do dinheiro conseguido de forma ilícita terá sido usado para pagar quotas a eleitores com o objetivo de estes votarem em Pedro Santana Lopes nas últimas eleições diretas para a presidência do partido. 

No âmbito desta investigação, foram realizadas na última semana buscas em mais de 20 câmaras municipais e juntas de freguesia, incluindo a sede do PSD. 

Segundo noticiou hoje o “Correio da Manhã”, Sérgio Azevedo, que na altura era o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, terá liderado todo o processo de adulteração de resultados, com recurso a dinheiro do saco azul, mas sem qualquer intervenção ou conhecimento do candidato beneficiado, ou seja, de Pedro Santana Lopes.

No entanto, o alegado esquema de compra de votos não resultou e, em fevereiro, quem venceu a liderança do partido foi Rui Rio. Com esse resultado, Sérgio Azevedo acabou por perder o lugar de vice-presidente na bancada.

O mesmo jornal refere ainda que para disfarçar o suborno, o ex-vice-presidente da bancada parlamentar do PSD fez o pagamento das quotas através de empresas. Mas essas entidades que já estavam a ser observadas pela PJ há dois anos, permitindo às autoridades seguir todos os movimentos dos suspeitos desta investigação, ou seja, diversos autarcas, presidentes de junta e o deputado Sérgio Azevedo.

A investigação acredita ainda ter conseguido desvendar qual a origem do dinheiro do saco azul. Em primeiro lugar, a alegada contratação pelas juntas de freguesia e na Câmara de Lisboa de vários assessores fictícios, em que parte dos salários - que rondavam os cerca de 2 a 3 mil euros - revertia para o saco azul. Além destas contratações, terá sido traçado um plano que passava pela contratação de empresas detidas por militantes do PSD, acabando parte do dinheiro das adjudicações no mesmo esquema. 

Acordo entre Partidos

A investigação é complexa e serão várias as frentes que estão sob investigação. O “SOL” noticiou na última semana que terá sido montado um esquema entre o PS e o PSD antes das eleições autárquicas de 2017,  com uma reunião entre o Sérgio Azevedo e Fernando Medina - presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Luís Newton - presidente da junta de Freguesia da da Estrela - terá tido conhecimento da mesma e inclusivamente participado na escolha dos candidatos.

No âmbito deste inquérito, o Ministério Público (MP) acredita que os dois partidos terão acordado em escolher candidatos que não iriam alterar o panorama atual nas freguesias: nas juntas do PS, o PSD propunha um candidato mais fraco e nas do PSD, o PS escolhia nomes desconhecidos. 

Depois o objetivo era nomear assessores de ambos os partidos para a Câmara e Assembleia Municipal, onde além de ficarem com salários altos, conseguiriam que as juntas de freguesia fizessem ajustes diretos a empresas por si controladas ou de alguma forma ligadas. 

Ao “SOL”, tanto Sérgio Azevedo como Fernando Medina negaram a existência de qualquer reunião.
 

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