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Quartos. Preços já estão equiparados ao arrendamento de uma casa

Quartos. Preços já estão equiparados ao arrendamento de uma casa

Sónia Peres Pinto 01/07/2018 15:30

A oferta, que num passado recente se dirigia a estudantes, já é usada por muitos como a única solução para ter um teto. E a juntar a esta solução há que contar ainda com quartos partilhados, cujos valores chegam a ultrapassar os 400 euros por cama 

O arrendamento de quartos não fica alheio a este aumento de preços a que se assiste no mercado imobiliário português. Hoje em dia, o preço médio de um quarto, 449 euros, é quase o mesmo valor que os portugueses pagavam por uma casa há poucos anos. Mas a realidade mudou e a procura também. De acordo com a Uniplaces, plataforma online especializada em alojamento de estudantes universitários, Lisboa é a cidade que regista maior procura, com esta a ter subido 32% só no ano passado. 

Mas numa ronda feita pelo i é possível encontrar preços muito superiores à média. Há ofertas a atingir quase os 900 euros por mês sem qualquer tipo de despesas incluídas ou casos em que os valores atingem os 850 euros mensais, mas em beliche, ou seja. a dividir com mais pessoas. 

Já há proprietários que encaram este negócio como uma verdadeira mina de ouro e optam por cobrar por cama em quartos com capacidade para seis, oito ou dez pessoas. Mas vamos a números. Um senhorio que cobra por cama 410 euros num quarto com capacidade para dez pessoas, ao final do mês, tem um rendimento de 4100 euros. Por isso, não é de estranhar este tipo de avisos: “Há um total de dez camas neste quarto. Como este é um quarto partilhado, as outras camas podem ser reservadas por outros inquilinos.” 

Há também situações em que se assiste ao “milagre” da multiplicação. O i sabe de casos em que o proprietário, que tinha seis quartos a arrendar por 250 euros, multiplicou-os por 16 – separando as divisões por paredes em pladur, os quartos ficaram com metade do tamanho, mas com o mesmo preço – e, em vez de ter um rendimento mensal de 1500 euros, passou a ter um total de três mil euros.

Além disso, perante estes cenários de partilha é possível encontrar quartos só para homens ou só para mulheres. Ainda assim, há quem não faça essa distinção.

Maior procura De acordo com a Uniplaces, Arroios continua a ser zona de eleição e, segundo a empresa, a explicação é simples: “O preço moderado e a localização central tornam esta freguesia lisboeta um destino popular entre estudantes.” Nesta zona, os preços médios rondam os 333 euros – ainda assim, registaram um aumento de 13% face ao ano anterior. 

Logo a seguir em termos de procura surge a Alameda, mas com valores mais elevados: 378 euros (um aumento de 16% face a 2016). O top-3 da procura fica concluído com o Intendente, que apresenta preços na ordem dos 391 euros, o que equivale a um acréscimo de 25% face ao ano anterior.

Mas a verdade é que há zonas a apresentarem valores mais elevados do que estas três localizações em que se assiste a maior procura: São Sebastião (416 euros, um aumento de 61%) e Saldanha (394 euros). 

A Uniplaces lembra que as “três zonas mais populares oferecem uma estação numa das principais linhas de metro da cidade, o que mostra que uma excelente infraestrutura é um critério muito importante para os estudantes quando escolhem uma zona para residir”, e que “a alta procura está a elevar os preços das rendas na capital portuguesa”. A única zona da cidade que contrariou a tendência foi Entrecampos. Aqui, o valor médio da renda diminuiu ligeiramente face a 2016 e fixou-se nos 360 euros.

Mas apesar de estes valores serem atrativos, na prática, os preços estão bem acima destas médias, como se pode ver por alguns dos casos que são apresentados.

Já no Porto assistimos a preços ligeiramente mais baixos. Paranhos (250 euros), Bonfim (267 euros) e Cedofeita (253 euros) lideram a tabela de maior procura. Feitas as contas, o preço médio na cidade nortenha é 120 euros mais baixo do que na capital.

Ao i, a plataforma diz que os quartos privados continuam a ser a principal tipologia arrendada. “A comparar com propriedades inteiras, o preço mais reduzido e ainda o nível de privacidade exigido fazem dos quartos a tipologia preferida destes arrendatários. O número de camas reservadas em quartos partilhados permanece muito baixo, uma vez que os arrendatários não pretendem partilhar um quarto durante vários meses. Apenas 1% dos estudantes que recebemos optam por arrendar um quarto partilhado”, diz Inês Amaral, marketing manager da Uniplaces em Portugal. 
 E apesar de a empresa se focar na procura de quartos por parte de estudantes, o certo é que esta é a solução encontrada por muitos outros para contornar os valores que são praticados hoje em dia no arrendamento de casa tradicional. O i sabe que há cada vez mais casos de trabalhadores que optam por arrendar um quarto por não terem condições financeiras para assumirem, por exemplo, um arrendamento de um T1 que, por norma, é o mais barato. 
 
Despesas Para quem procura este tipo de alojamento, as despesas incluídas no preço da renda são uma condição muito atrativa em Lisboa. E a empresa explica: “Tanto por uma questão de expetativa, uma vez que podem saber antecipadamente qual o valor total mensal que terão de pagar; e uma vez que, desta forma, é possível realizar um só pagamento por mês, ao invés de vários de diferentes valores. É, portanto, natural que esta condição de arrendamento seja preferida por estes arrendatários.”

Esta tendência não se verifica no Porto. “Apesar de a maioria preferir incluí--las, uma percentagem significativa dos senhorios portuenses preferem não incluir as despesas de gás, água e eletricidade na renda final”, salienta a plataforma. 

Um estudo realizado pela Uniplaces concluiu que cerca de metade dos proprietários (53%) que utilizam esta plataforma atualizam o valor das rendas todos os anos e mais de sete em cada dez (76%) admitem que nunca tiveram de baixar o preço para encontrar inquilinos. 

No que respeita ao número de propriedades, 65% dos inquiridos afirmam ter apenas uma casa em arrendamento e apenas 7% revelam ter cinco ou mais habitações disponíveis para arrendar. O estudo mostra também que mais de metade dos inquiridos (59%) estão a arrendar há dois anos ou menos e apenas 10% indicaram arrendar as suas propriedades há mais de cinco anos.

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