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Arrendamento. Preços abaixo dos 500 euros? É missão impossível

Arrendamento. Preços abaixo dos 500 euros? É missão impossível

Sónia Peres Pinto 01/07/2018 13:47

Apesar de ser esse o valor que os portugueses estão dispostos a pagar por uma casa arrendada em Lisboa, a oferta não acompanha essa expetativa. Há quem peça quase 900 euros por um T0 com apenas 19 metros quadrados. Porto não escapa a esta tendência

A maioria dos portugueses querem gastar até 500 euros no arrendamento de uma casa – um valor bastante inferior à média que é praticada no mercado nacional, pelo menos nas grandes cidades. Em Lisboa, o valor chega a ultrapassar os 960 euros, ou seja, quase o dobro do que os portugueses têm disponível para gastar, tendo em conta que o rendimento líquido médio nacional é de 856 euros. Ainda assim, no Porto, a média do valor do arrendamento baixa para os 677 euros.

Mas numa ronda feita pelo i pelos principais sites das mediadoras que atuam no mercado nacional não é possível encontrar qualquer imóvel na capital com valores até 500 euros. Outro dado curioso é que, tanto na Remax como na ERA, a pesquisa que aparece por defeito é em inglês. 

E claro está: quantos mais metros quadrados tiver o imóvel. mais caro será. Mas na mesma pesquisa feita pelo i foi possível encontrar um T0 com 30 metros quadrados nas Avenidas Novas por mil euros ou com 45 metros quadrados em Alvalade por 900 euros mensais. Um pouco abaixo destes valores está um imóvel por 893 euros, mas apenas com 19 metros quadrados. 

Mas se a pesquisa for alargada para 700 ou 750 euros por mês em Lisboa é sem dúvida possível ter acesso a vários anúncios, mas a maioria não estão disponíveis: ou o imóvel já foi arrendado ou está reservado. Só a partir dos 1500 euros mensais é que a oferta começa a ser mais alargada, mas dispara tanto em termos de área como de bom gosto se a pesquisa for feita para arrendamentos superiores a dois mil euros por mês. 

O cenário é diferente se a pesquisa for feita para o Porto. Neste caso já é possível encontrar uma oferta mais ao encontro das necessidades dos arrendatários.

Periferias Para encontrar os tais imóveis até 500 euros terá de sair da capital para os arredores. Ainda assim, por este teto só encontra no concelho de Sintra ou da Amadora, e até aqui a oferta é reduzida. E para valores mais baixos – a rondar os 300 euros – já terá de ir para Vila Franca de Xira ou um pouco mais longe, até Torres Vedras. 

Aliás, esta tendência já tem vindo a ser reconhecida pelas mediadoras. “Arrendar uma casa por 500 euros na cidade em Lisboa não passa de um sonho, não existe essa oferta. O mesmo acontece no Porto. Precisamos de ir para Gaia, Maia, Odivelas, Loures, etc.”, diz ao i Ricardo Sousa, CEO da Century21 Portugal.

De acordo com as suas contas, na rede da mediadora, o valor médio das transações de arrendamento ronda os 550 euros a nível nacional, mas ultrapassa os 600 euros quer em Lisboa, quer no Porto.

De acordo com Ricardo Sousa, no Castelo, Bairro Alto, Chiado, Avenida da Liberdade – e as suas perpendiculares, que eram zonas que não existiam para o mercado residencial – e em algumas zonas de Santos é quase impossível arrendar ou comprar porque há falta de oferta e, quando há, tem como destino o segmento alto ou o mercado turístico.

O mesmo acontece no Porto entre a Baixa e Campanhã. “E estamos a falar de zonas que há uns anos atrás estavam abandonadas, era quase um crime o estado em que estavam”, salienta.

E a “culpa”, segundo o responsável, é do facto de o mercado de arrendamento continuar a ser muito fragmentado e informal. “É caracterizado, sobretudo, por pequenos proprietários que não têm capacidade para colocar no mercado imóveis ajustados à procura atual.” 

A solução para este problema passa, de acordo com Ricardo Sousa, pela entrada de operadores de grande dimensão, com capacidade de concentrar a oferta e criar economias de escala. Pois só assim, segundo o mesmo, “é possível disponibilizar soluções de arrendamento ajustadas às necessidades atuais da procura, o que iria permitir um mercado de arrendamento mais transparente e profissional”.
 
Valores altos são para continuar João Pedro Pereira, da comissão executiva da ERA Portugal, acredita que os preços do arrendamento irão manter-se nestes níveis nos próximos anos, em particular nos centros das grandes cidades. E ao i dá uma explicação: “Há muito pouca oferta de arrendamento tradicional nos centros das principais cidades. Por outro lado, com o crédito à habitação tão competitivo em termos de preço, as prestações mensais pagas ao banco acabam por ser muitas vezes inferiores ao valor do arrendamento mensal. Perante este cenário, muitas pessoas continuam a optar pela compra porque, para além de ser uma poupança forçada (que pode trazer benefícios e mais tranquilidade a médio e longo prazo), é um investimento com uma boa probabilidade de criar mais-valias a prazo, num contexto em que o imobiliário está a valorizar-se de forma transversal.”

O responsável admite que o preço que é procurado pelos portugueses para uma solução de arrendamento varia “conforme o poder de compra de cada um, a área geográfica escolhida e a tipologia de imóvel pretendida”. 

Em 2017, o valor médio dos arrendamentos na mediadora foi de cerca de 512 euros, considerando todo o território nacional – ainda assim, bem inferior ao que se verificou, na prática, na capital. Os valores médios no distrito de Lisboa rondaram os 730 euros; já no Porto, o valor médio foi de 502 euros. 

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