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Comprar casa. Os preços loucos que são praticados em Lisboa

Comprar casa. Os preços loucos que são praticados em Lisboa

Sónia Peres Pinto 01/07/2018 13:33

Os preços não param de subir, assim como a procura. Como a oferta não consegue acompanhar esta tendência, os efeitos são visíveis pelos valores que atualmente são praticados. A perspetiva não é animadora: as casas vão ser cada vez mais caras 

O crescimento do turismo e a explosão do alojamento local nas grandes cidades levaram a um aumento dos preços das casas. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os valores aumentaram 12,2% nos três primeiros meses do ano face a igual período do ano passado, atingindo o valor mais elevado desde que há registo. Há 18 trimestres consecutivos que os preços das casas estão a aumentar e há cinco que este crescimento está a acelerar.

E os números falam por si: uma casa que há poucos anos custava 80 mil euros agora já pode ultrapassar os 200 mil – um bom negócio para quem comprou um imóvel nessa altura, mas inacessível para muitos que estão à procura de casa para comprar. 

Numa ronda feita pelo i em vários sites de mediação imobiliária é possível encontrar T0 com 24 metros quadrados por 285 mil euros. Feitas as contas, o metro quadrado custa, neste caso, quase 12 mil euros, ou seja, bem acima dos valores que têm sido anunciados pelo INE. Mas também é possível encontrar um T0 com preços mais baixos: 150 mil euros, mas com uma dimensão ainda mais reduzida ao fixar-se nos 18 metros quadrados, ou um T1 com 60 metros quadrados por 400 mil euros – tudo dependente das freguesias em que os imóveis estão localizados e também do seu estado de conservação. 

Mas vamos a números. A média de preços ronda os oito mil euros por metro quadrado no Chiado, os 3500 nas Avenidas Novas – quase equiparadas ao Parque das Nações, que ultrapassa os 3200 euros por metro quadrado.

Ainda assim, bem acima dos valores avançados pelo INE referentes ao quarto trimestre de 2017, os valores medianos por metro quadrado das casas transacionadas em Lisboa – novas, reabilitadas ou usadas – atingiram os 2438 euros. A freguesia que inclui o Chiado é uma das que apresentam os valores mais altos por metro quadrado, ou seja, 3333 euros, um valor bem mais baixo do que se verifica na prática. Já os preços por metro quadrado em Benfica, segundo o INE, são de 1932 euros, na Penha de França chegam aos 1995 euros e nas Avenidas Novas atingem os 2835 euros.
O mesmo acontece com o Porto. Na prática, os valores médios ultrapassam os 4200 euros por metro quadrado na Foz e os 4000 euros nos Aliados – mais uma vez, acima dos preços revelados pelo organismo, onde os valores por metro quadrado estão fixados nos 1307 euros. Nas freguesias onde se incluem as zonas mais caras, como a Foz e o centro histórico, os preços por metro quadrado atingiram, respetivamente, 1955 euros e 1512 euros.

Procura desfasada De acordo com Ricardo Sousa, CEO da Century21 Portugal, o valor médio da procura a nível nacional é de cerca de 138 mil euros.  A maioria das pessoas procuram apartamentos de dois ou três quartos, de 70 a 120 metros quadrados, num intervalo de preços que varia entre os 75 mil e os 150 mil euros. Na mediadora, o valor médio das transações a nível nacional é de 148 mil euros, mas quer em Lisboa quer no Porto, o valor médio das transações efetuadas pela Century21 ultrapassa os 200 mil euros. 

“Vive-se um bom momento no mercado imobiliário residencial, com a procura nacional cada vez mais ativa, sobretudo nos segmentos médio e médio baixo. O segmento internacional regista igual tendência, com os consumidores internacionais a focarem-se atualmente na procura de imóveis até 300 mil euros”, revela ao i.

No entender do responsável, “a conjunção destes fatores está a impulsionar a recuperação do mercado imobiliário em todo o território nacional. Contudo, a oferta começa a ser cada vez mais insuficiente nas tipologias e preços do perfil de procura atual. Neste sentido, é com otimismo que constatamos o surgimento de mais projetos de reabilitação e obra nova, sobretudo direcionada para os segmentos médio e médio baixo”.

E as perspetivas não são animadoras para quem está a pensar em comprar agora uma casa. Ricardo Sousa acredita que vamos continuar a assistir a um maior gap entre a oferta e a procura, em especial na procura nacional, que está a assistir a uma subida mais rápida dos preços das casas, que o rendimento disponível das famílias não está a acompanhar. “Esta situação está a dinamizar os mercados periféricos das principais cidades, com a deslocação da procura para estas zonas, que apresentam valores mais ajustados ao poder de compra dos portugueses”, acrescenta.
Já a ERA – que no ano passado vendeu 12 mil imóveis no valor de 1550 milhões de euros – diz que o preço médio de imóveis vendidos a nível nacional foi de cerca de 129 mil euros. Mas, em Lisboa, o valor médio dos imóveis vendidos rondou os 182 mil euros, enquanto no Porto se fixou nos 112 mil euros. 

“Desde 2016 que o setor imobiliário tem vindo a recuperar de uma forte crise económica e financeira, encontrando-se agora numa fase de expansão para alguns dos segmentos de mercado e consolidação para os players que cresceram ao longo do ano passado”, diz ao i João Pedro Pereira, da comissão executiva da ERA Portugal. 

O responsável acredita que este cenário não irá sofrer grandes alterações nos próximos tempos. “A conjuntura é favorável a Portugal. O imobiliário deverá continuar a atrair investimento estrangeiro, devido não só à procura turística, mas também a um clima político e económico favorável. Aliás, verificamos na ERA vários exemplos da procura crescente de mercados como França, Reino Unido e Brasil”, salienta.

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