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Diretora da Uber diz que é melhor líder desde que ‘saiu do armário’

Diretora da Uber diz que é melhor líder desde que ‘saiu do armário’

Jornal i 28/06/2018 20:47

Foi estudar para os EUA e tomou uma decisão: “não voltaria nunca mais para o armário.”

Ana Pellegrini tinha 21 anos e um curso de direito acabado de tirar quando percebeu que era lésbica. Hoje, aos 40 anos, é a diretora jurídica da Uber no Brasil e diz que assumir-se enquanto homossexual ajudou-a a ganhar uma nova forma de liderança.

Quando começou a trabalhar num escritório de advogados, Ana diz que o preconceito estava presente em todo o lado: “A reação dos meus colegas a questões ligadas à homossexualidade fazia com que não me sentisse livre para ser quem eu era”, contou à revista Veja. “Quando queriam gozar ou insultar alguém, ainda que em clima de brincadeira, usavam adjetivos como ‘gayzinho e boiola’. Não foi por acaso que me mantive no armário durante todo o tempo em que trabalhei lá”, recorda a advogada, que trabalhou naquele escritório durante 10 anos.

Em 2013, saiu daquela empresa e foi tirar o mestrado na Califórnia, EUA. Ali, conseguia expressar-se livremente e ser ela própria. Por isso, tomou uma decisão: quando voltasse a casa “não voltaria nunca mais para o armário.”

“Quando olho para trás, vejo o tanto de energia que perdi por não poder ser quem eu era. Aquilo me consumia diariamente, tinha a todo momento que me policiar ao telefone para não usar o pronome feminino ao conversar com minha namorada. Vivia preocupada”, recorda a advogada.

Hoje, a diretora da Uber é responsável pelo programa de diversidade da Uber na América Latina. A advogada diz que assumir a sua homossexualidade mudou a forma como lida com os outros no trabalho: “Lido com cerca de 30 advogados e eles dizem que sou muito transparente e justa. Essa transparência vem do fato de que por muito tempo não pude ser transparente. Meu estilo de liderança tem muito a ver com minha identidade LGBTI+ e o que isso trouxe para minha carreira.”

Ana defende que a implementação de políticas de inclusão e celebração da diversidade dentro das empresas tem um grande impacto nos trabalhadores: “O nível de felicidade que tenho em poder ser quem eu sou só me motiva a trabalhar e produzir cada vez mais. Em termos de eficiência é muito melhor.”

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