24/9/18
 
 
Vítor Rainho 28/06/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

O fim da Pastelaria Suíça é mais um tiro na cidade

O anúncio do encerramento da Pastelaria Suíça, no Rossio, Lisboa, é mais uma facada na história da capital.

É certo que ninguém pode obrigar os proprietários a continuarem com o negócio, como disse, e bem, Fernando Medina, mas também não deixa de ser verdade que deviam existir mecanismos que proibissem a pastelaria de passar a outro ramo de atividade. Nós temos as Lojas com História que, de certa forma, defendem o comércio e a tradição, mas no Rio de Janeiro há os estabelecimentos que são “tombados” e ninguém pode alterar o negócio. Um café com história não pode virar escritório ou qualquer outra atividade.

Como se processa a liberdade do negócio, não sei, mas parece-me que as cidades vivem de locais históricos que não podem desaparecer, sob risco de porem em causa a vitalidade das mesmas.
Por este andar, qualquer dia, Lisboa e Porto são cidades iguais a quaisquer outras da Europa. Faz-me alguma confusão esta febre de hotéis e hostels que parecem querer secar tudo à sua volta. Algum turista quer ir a Lisboa ou ao Porto e sentir-se em Bruxelas, por exemplo?

Nunca fui frequentador da Suíça e tenho até a ideia de alguma antipatia no serviço, mas recordo-me que era um dos primeiros locais a abrir e muitos noctívagos acabavam por tomar lá o pequeno-almoço antes de irem dormir. Para os turistas, era um símbolo da Baixa e faz parte daquela zona que esteve tão esquecida durante tantos anos. Sendo assim, seria lógico que os novos investidores no espaço - um quarteirão inteiro, ao que se diz - percebessem que se a zona perder locais emblemáticos acaba-se um pouco da magia existente.

Se caminharmos para a padronização do gosto, tudo muito moderninho e com chefes com jalecas pretas, acabaremos por matar um pouco a nova galinha dos ovos de ouro: o turismo. A diversidade e a tradição são uma mais-valia e esperemos, por exemplo, que as lojas de bifanas que ainda resistem na Baixa não passem a restaurantes gourmet ou a cafés vegetarianos... A bem de todos.
 

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