21/6/21
 
 
Euro 2016. Deputados do PSD garantem que pagaram viagens

Euro 2016. Deputados do PSD garantem que pagaram viagens

Miguel Silva Rosa Ramos 27/06/2018 09:03

Luís Montenegro, Hugo Soares e Campos Ferreira são arguidos. Terão viajado para França a convite de Joaquim Oliveira, da Olivedesportos

É mais um capítulo do caso das viagens ao Europeu de Futebol de 2016 oferecidas a políticos. Três membros do PSD foram constituídos arguidos, apesar de garantirem que pagaram as deslocações do próprio bolso e de negarem a prática de qualquer crime.

Luís Montenegro e Hugo Soares, ex-líderes parlamentares, e Luís Campos Ferreira, ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, foram notificados pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e deverão ser chamados, em breve, a prestar declarações. São suspeitos do crime de recebimento indevido de vantagem.

Em causa está o facto de terem viajado para França a convite do patrão da Olivedesportos, Joaquim Oliveira – que é também dono da agência de viagens “Cosmos”, empresa especializada em eventos desportivos e que terá pago a conta das viagens, as refeições e os bilhetes para o Euro. Segundo adiantou o “Observador”, Luís Montenegro terá assistido a quatro jogos, enquanto Hugo Soares só foi a dois: à meia-final com o País de Gales, em Lyon, e à final de Portugal com a França, em Paris. Quanto ao deputado Campos Ferreira, terá apenas assistido à meia-final. Os três terão estado juntos em Lyon, onde almoçaram com Joaquim Oliveira num restaurante de luxo, a “Brasserie George”.

Pagar antes ou depois Montenegro, Campos Ferreira e Hugo Soares reagiram em conjunto à notícia do “Observador”, que anteontem ao final do dia deu conta de que iriam ser constituídos arguidos e de que o inquérito deverá estar concluído antes de agosto. Num comunicado enviado à agência Lusa, os três sociais-democratas dizem ter tido conhecimento “com surpresa, mas também com absoluta tranquilidade” da decisão do Ministério Público.

“Reiteramos a nossa total disponibilidade para prestar os esclarecimentos que forem devidos, reafirmando, sem tibiezas, que não praticámos qualquer crime e que as viagens que efetuámos naquela ocasião foram a expensas próprias”, lê-se na mesma nota. Ontem, nenhum dos três quis falar com jornalistas, remetendo reações para o comunicado conjunto.

Quanto ao facto de terem pago as viagens do próprio bolso poderá não ser suficiente para serem ilibados. Isto porque na mira do DIAP de Lisboa estará o facto de os pagamentos terem sido feitos a seguir às viagens a França. Segundo o “Observador”, o Ministério Público suspeita que Montenegro, Hugo Soares e Campos Ferreira possam ter pago a conta após os jogos e por terem entretanto surgido as primeiras notícias que davam conta de que teriam viajado a convite da empresa de Joaquim Oliveira, em agosto de 2016.

No ano passado, quando Luís Montenegro ainda era líder da bancada do PSD, falou aos jornalistas sobre o caso, à entrada de um colóquio organizado pelo grupo parlamentar do PSD, para negar que tenham viajado a convite de uma empresa: “Queria transmitir-vos que não tenho conhecimento de nenhuma investigação, nem eu, nem o senhor deputado Hugo Soares, nem o senhor deputado Luís Campos Ferreira. E estamos muito tranquilos: tal como há um ano tivemos ocasião de explicar, nós não viajámos nem a convite, nem por conta de nenhuma empresa, viajámos a expensas próprias”.

Existem dois inquéritos em curso sobre viagens de titulares de altos cargos públicos ao Euro 2016. Além do que envolve o grupo Olivedesportos, há um outro, relacionado com convites feitos pela empresa Galp e que já tem 11 arguidos constituídos.

Onze arguidos nas viagens da Galp  

O inquérito às viagens pagas pela Galp ao Euro 2106 já conta com onze arguidos. Os últimos nomes a juntar-se à lista foram o de Cristóvão Norte, deputado do PSD e cuja imunidade parlamentar foi levantada em julho do ano passado, o do presidente da Galp, Carlos Gomes da Silva, e o do administrador da empresa, Carlos Costa Pina. 

Além destes arguidos há outros e alguns com ligações ao PS: Jorge Oliveira, ex-secretário de Estado da Internacionalização; Rocha Andrade, ex-secretário de Estados dos Assuntos Fiscais; João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria; Vítor Escária, ex-assessor de Economia de António Costa; João Bezerra da Silva, ex-chefe de gabinete de Rocha Andrade; e Pedro Matias, ex-chefe de gabinete de João Vasconcelos e presidente do Instituto de Soldadura e Qualidade.

Em causa está a oferta, por parte da Galp, de pacotes que incluíam viagens a França, bilhetes para os jogos do Euro 2016 (fornecidos pela empresa “Cosmos”, que pertence ao grupo Olivedesportos de Joaquim Oliveira) e refeições. O caso, que ficou conhecido como “Galpgate”, levou à demissão de três secretários de Estado de António Costa. Rocha Andrade, Jorge Costa Oliveira e João Vasconcelos pediram exoneração de funções em julho do ano passado. 

Também por causa do escândalo, o governo decidiu impor uma espécie de ‘austeridade’ nas viagens ao Mundial que está a decorrer na Rússia, cumprindo o código de conduta aprovado em 2016 em conselho de ministros, a seguir à polémica da Galp. Os dirigentes superiores da administração pública não podem aceitar, “a qualquer título”, convites de pessoas ou de empresas, sejam nacionais ou estrangeiras.

 

 

Ler Mais


Especiais em Destaque

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×