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Eduardo Oliveira e Silva 27/06/2018
Eduardo Oliveira e Silva

opiniao@newsplex.pt

Montijo: um aeroporto por um canudo?

Importa esclarecer o que está no contratado com a Vinci para sabermos quem paga e quando teremos o aeroporto do Montijo a funcionar, porque é uma infraestrutura essencial para o crescimento

1. Quem esteja atento já percebeu que há uma forte probabilidade de o aeroporto do Montijo não passar de uma miragem ou, numa perspetiva mesmo assim otimista, só estar operacional lá para meados da década de vinte, enquanto a Portela incha até rebentar, acumulando problemas de segurança na fronteira.

Quando o governo de Passos/Portas vendeu a pataco a ANA à inexperiente Vinci, que assim se tornou dona de todos os nossos aeroportos (concessionária é um eufemismo neste caso), estava previsto que, chegados aos 20 milhões de passageiros na Portela, haveria lugar a um aeroporto complementar ou se construiria um novo que substituísse o Humberto Delgado. Isso significaria que, no mínimo em 2019, o Montijo estivesse operacional, coisa que agora se prevê na melhor das hipóteses em 2024.

A venda da empresa pública foi negociada pelo todo-poderoso secretário de Estado da época, Sérgio Monteiro. Sucede, porém, que o atual governo veio dizer que não é propriamente a obrigação de fazer um novo aeroporto que está no contrato, o que obviamente satisfaz a Vinci, que prefere atulhar a Portela a ter de gastar um balúrdio em qualquer nova infraestrutura. O caso é simples de descodificar. A moral da história é a mesma de sempre: o Estado negociou mal, de forma pouco clara, e o mais certo é ficarmos longos anos sem Montijo e sem nada, com a Portela saturada e aberta até de madrugada, aumentando o ruído e retirando qualidade de vida a milhares de lisboetas. O estrangulamento do Humberto Delgado impede um crescimento de passageiros regulares, turistas e voos, o que corresponde a uma perda muito importante de receita para o país, mas a uma poupança notável de investimento pela concessionária, que fez um “affaire à Tio Patinhas” nas barbas do “tuga”.

As negociações conduzidas pelos governos são normalmente desastrosas para o país. Não indo mais longe (tipo PPP), pegue-se singelamente no caso das que foram feitas por Sérgio Monteiro. Antes de ir para o governo negociou uns produtos (swaps) que fizeram com que tivéssemos (os contribuintes) de pagar uns milhões a favor das empresas financeiras que nos emprestaram, devido à introdução de complexas cláusulas de segurança sobre juros. Monteiro estava então do lado privado. E conseguiu o que queria. Com a ANA e a venda à Vinci, sucedeu o contrário. O Estado não tem beneficiado de nada que não se pudesse fazer com a empresa na esfera pública, trazendo lucros para o país. Com a privatização, foi a Vinci que ficou com a galinha dos ovos de ouro, multiplicando lucros de forma exponencial e furtando--se às contrapartidas, agora com a inopinada cumplicidade do atual governo.

Sérgio Monteiro está agora ligado a um fundo com o ex-ministro Pires de Lima. Vão comprar as torres de comunicação da Altice em Portugal, ou seja, algo que já pertenceu aos portugueses quando a empresa era pública e funcionava lindamente, ao ponto de ser considerada a nossa joia da coroa. Veremos o que aí vem nesta nova transação através deste ex-membro do governo, que esteve ainda noutra negociação polémica que não correu propriamente bem para os contribuintes e clientes bancários. Monteiro foi contratado por cerca de 30 mil euros/mês pelo Banco de Portugal (estranhamente, quando ainda era membro do governo de Passos/Portas) para tratar da venda do Novo Banco. O que se sabe da operação, aos dias de hoje, é que o comprador pagou uma pechincha e os novos donos ainda receberam simpáticas garantias para o caso de as coisas não correrem bem, como é altamente provável.

Situações destas, sobretudo como a do caso Vinci/Montijo – com consequências diárias –, exigem esclarecimento da parte de quem negociou e porventura um inquérito parlamentar. Fazê-lo dentro de dez anos não servirá para nada. Fazê-lo agora ainda poderia resolver alguma coisa.

2. É inevitável falar de futebol nos dias de hoje. Importa antes do mais saudar a seleção, que já está nos oitavos-de-final, apesar de não estar a jogar bem. A melhor prestação foi contra a Espanha, com Marrocos foi sofrível e com o Irão foi fraquinha. O Uruguai é o adversário de sábado e certamente dos mais difíceis que podíamos ter. Os sul-americanos estão cheios de bons jogadores e pergaminhos históricos, sendo conveniente lembrar que têm dois Mundiais no palmarés (1930 e 1950), além de uma gigantesca quantidade de vitórias em campeonatos latino-americanos. O percurso nesta prova torna-os favoritos, a menos que Ronaldo e companhia estejam ao seu melhor nível, como todos desejamos. Houve, entretanto, grandes relatos na Antena 1, como é tradição. Já na TV pública, o comentador Tadeia só atrapalha com uma catadupa de informações inúteis. Entretanto, no Sporting saúde-se o regresso do clube a uma relativa normalidade depois da destituição de Bruno de Carvalho, um homem a precisar de ser recuperado psicologicamente e que muito lesou a instituição, conforme se verá. Agora é olhar em frente. O Benfica também recuperou de Vale e Azevedo, o que, convenhamos, não foi fácil.

Jornalista

 

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