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Elétricos. Procura dispara mas quota ainda é muito reduzida

Elétricos. Procura dispara mas quota ainda é muito reduzida

Shutterstock Sónia Peres Pinto 25/06/2018 18:09

Preço e rede de carregamento continuam a ser vistos como fortes entraves. Para breve estão previstas novidades no que diz respeito ao carregamento rápido, mas ainda há incertezas quanto ao preço

A procura de carros elétricos tem vindo a disparar no mercado nacional. De janeiro a maio assistiu-se a um aumento de 196%. Feitas as contas foram vendidos 1550 carros contra 524 carros comercializados em igual período do ano passado. Os dados são da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP). Ainda assim, o secretário-geral da entidade reconhece que a quota de mercado ainda é reduzida. “Temos assistido a aumentos na ordem dos três dígitos, muito acima dos 100%. É um segmento que está em grande crescimento e no espaço de um ano passou de uma quota de mercado de 0,7% para 1,4%, ou seja, duplicou a sua quota, mas ainda é um valor reduzido”, refere Hélder Pedro.

O responsável admite que é previsível que continue a crescer. “ Não há nenhum segmento no mercado automóvel que tenha crescimentos desta ordem”, garante e mostra-se otimista em relação ao seu futuro. “O principal problema dos elétricos é a sua autonomia, mas a pouco a pouco tem vindo a ser ultrapassado. A tecnologia está a evoluir muito e hoje em dia já estamos com uma autonomia muito superior face aquilo que se assistia há três ou quatro anos atrás”, diz ao i.

A este número há que juntar ainda os modelos híbridos (elétricos mais gasolina ou gasóleo): desde o início do ano até abril foram vendidos mais de 2300 veículos. E a este bolo é necessário ainda somar os plug-in –carros que não sendo 100% elétricos têm uma bateria que pode ser carregada a partir de uma fonte de energia externa –, que ultrapassaram as 1100 unidades nos primeiros cinco meses do ano. 

A tendência de crescimento já era visível no ano passado. As vendas de carros 100% elétricos duplicaram em 2017. Foram comercializados 1640 veículos apenas movidos a baterias, um aumento de 116,9% face ao ano anterior. A renovação de postos de carregamento públicos e privados, a evolução tecnológica, que permite maior autonomia, e a maior consciencialização do público para estes veículos explicam o aumento.

Mas apesar deste sucesso de vendas, está muito longe da meta prevista por José Sócrates, no seu segundo mandato, que pretendia alcançar uma quota de 10% de carros elétricos até 2020. Aliás, nos dois governos Sócrates verificou-se mesmo uma euforia, ao ponto de ser oferecido um incentivo de cinco mil euros para a compra de carros elétricos, valor que poderia chegar aos 6500 euros se incluísse a entrega de veículo antigo. A reforma da fiscalidade verde acaba por dar um novo impulso para reanimar este mercado. O pacote de medidas entrou em vigor em 2015 e, apesar de não ser tão generoso como o programa anterior, deu um novo alento à venda de automóveis elétricos, que disparou 241% face ao ano anterior.

A verdade é que este mercado voltou a ganhar um novo fôlego nos últimos anos. Em 2017, o Fundo Ambiental atribuiu um incentivo direto de 2250 euros aos primeiros mil veículos totalmente elétricos comprados por particulares e empresas. Este ano voltou a renovado exatamente nos mesmos termos.

Carregamentos A rede de carregamento de carros elétricos continua a ser considerada um dos principais entraves à compra de um carro elétrico. Uma questão que ganha maior relevo quando um dos problemas apontados é a fraca autonomia das baterias. Por norma, estas não conseguem autonomias superiores a 200 quilómetros, o que faz com que este tipo de veículos seja usado essencialmente para deslocações curtas e de caráter urbano.

Este ano o Portal da Queixa registou mais de 20 reclamações dirigidas à Mobi.e, entidade que gere a rede de postos de carregamento de carros elétricos em Portugal, desde o início do ano. Em 2017, tinham sido registadas nove reclamações e em 2016 apenas três.

A maioria das reclamações prende-se com o facto de os postos de abastecimento não estarem a funcionar devidamente, “um problema que se estende de norte a sul do país, onde a grande maioria encontra-se fora de serviço”. O Portal da Queixa diz também que os problemas estão identificados, mas que não há soluções ou respostas, uma vez que a “taxa de resposta e o índice de satisfação marcam 0%, um valor que reflete a indignação por parte dos consumidores” com a Mobi.e.

Para breve irão ser anunciadas novidades no que diz respeito aos postos de carregamento rápido (PCR), que possibilitam o carregamento de 80% da bateria em 20 a 30 minutos. Estavam para ser lançados em julho do ano passado, mas tudo indica que só estarão prontos durante este verão. No entanto, continuam a existir dúvidas em relação aos preços e à forma como vai ser feito esse pagamento. Em cima da mesma está a possibilidade de vir a ser integrado na contribuição audiovisual (CAV) que é cobrada na fatura da eletricidade e que serve para financiar a televisão pública RTP, no valor mensal de 2,85 euros.

Uma solução que não parece estar a agradar às empresas, que temem que a aplicação da CAV à mobilidade elétrica venha a pôr em causa a sua rentabilidade, receando que o preço final dos carregamentos rápidos atinja níveis pouco atrativos para o consumidor final. A questão é se a taxa, que abrange todas as instalações elétricas e não apenas as de uso doméstico, deve ou não refletir-se também nos contratos da mobilidade elétrica.

A somar a estes obstáculos há que contar ainda com o custo elevado deste tipo de veículos.

Aposta das marcas Mas a verdade é que as marcas têm apostado cada vez mais neste segmento e acenam constantemente com novos modelos. E os casos falam por si: a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi querem lançar juntas um total 12 novos veículos totalmente elétricos até 2022. Também a Audi quer lançar três veículos totalmente elétricos até essa altura. Para tal irá contar com a ajuda da Porsche. Esta última marca diz mesmo que, até 2023, metade das vendas serão garantidas por veículos elétricos.

O mesmo exemplo é seguido pela BMW. Até 2025 planeia ter uma frota de 25 veículos eletrificados, entre híbridos e elétricos, dos quais 12 serão exclusivamente elétricos. Já o Fiat Crysler Group garante que, a partir de 2022, mais de metade da oferta de modelos do grupo serão veículos híbridos ou exclusivamente elétricos, com a Maserati a ser, de entre as marcas do grupo, a aposta pioneira, com todos os seus novos modelos lançados a partir de 2019 a serem, pelo menos, híbridos.

Mas as apostas não ficam por aqui. O grupo Volkswagen prevê ter, até 2030, uma versão híbrida ou elétrica de todos os seus modelos. Já a Smart e a Volvo garantem que, partir de 2019, todos os modelos serão elétricos. Também nessa altura a Mini conta ter um modelo de três portas totalmente elétrico. O mesmo acontece com a Aston Martin, que remete para 2019 a chegada do seu primeiro modelo totalmente elétrico. Mas até 2025 todos os modelos da gama terão pelo menos uma versão híbrida.

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