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Fim dos carros a diesel? Bruxelas diz que sim

Fim dos carros a diesel? Bruxelas diz que sim

Shutterstock Sónia Peres Pinto 25/06/2018 14:35

As vendas em Portugal dos carros a gasóleo já refletem esta ameaça e até abril caíram 7,7%. A tendência é para continuar a descer

A ameaça de restrições à circulação de carros a gasóleo em muitas das grandes cidades da Europa já se está a refletir nas vendas dos veículos a diesel em Portugal. Ao contrário do que acontecia em anos anteriores, em 2018 a comercialização deste tipo de veículos tem vindo a perder peso. Os números falam por si: nos primeiros quatro meses do ano, as vendas caíram 7,7% face a igual período do ano anterior, revelam os dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP).

Até abril foram comercializados mais de 45 mil carros a gasóleo, um número que fica aquém dos quase 49 mil vendidos em igual período do ano passado.

A quota de mercado dos carros a gasóleo caiu para os 53,3% nos primeiros quatro meses deste ano; em 2017, no mesmo período, os diesel novos representavam 62,2%. Há apenas cinco anos, três em cada quatro carros eram a gasóleo (76,8%).

A opinião é unânime junto de vários especialistas: a tendência é para continuar a agravar-se. Um cenário que é refletido no relatório Cepsa Energy Outlook 2030, segundo o qual em 2030 apenas 15% dos carros novos em 2030 serão a diesel. Nesse ano, os carros a gasolina deverão representar entre 30% e 35% do mercado, ainda assim, abaixo dos 40,3% verificados entre janeiro e abril deste ano. A ganhar terreno estarão os híbridos (35%) e os elétricos (15%).

Tecnologia do passado? A verdade é que as recentes declarações da comissária europeia da Indústria também não são animadoras para este segmento. Para Elzbieta Bienkowska, “os carros a gasóleo estão acabados” e consistem numa “tecnologia do passado”. E dá uma explicação: a fraude de 11 milhões de veículos de carros a gasóleo do grupo Volkswagen foi o ponto de viragem na perceção de Bruxelas em relação a estas motorizações.

A União Europeia prepara-se para acelerar a revolução tecnológica no transporte rodoviário e tentar que a Europa continue na liderança nesta indústria, mesmo com a concorrência dos Estados Unidos e da China. A comissária polaca entende ainda que a sociedade “já se apercebeu de que nunca haverá carros a gasóleo completamente limpos – isto é, sem emissões de NOX [óxido de nitrogénio]”. Os carros a gasóleo representam metade do mercado automóvel europeu e poluem mais do que os veículos a gasolina, embora contribuam menos para o aquecimento global. Bruxelas, tendo em conta os problemas de saúde provocados pelos motores a gasóleo, vai poder multar as marcas automóveis que infringirem as regras de emissões. Estas poderão ter de pagar até 30 mil euros por cada veículo ambientalmente defeituoso, acompanhando a política seguida nos últimos anos pela agência do Ambiente dos Estados Unidos (EPA, na sigla original).

A Comissão Europeia está ainda a preparar mais legislação para restringir a produção de carros com motores de combustão e, desta forma, aumentar a montagem de veículos elétricos.

Por cá, também o governo português criou um grupo de trabalho para estudar o fim dos “incentivos prejudiciais” ao ambiente, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050. Aliás, em outubro, o primeiro-ministro apontou 2018 como o ano do início da revisão da fiscalidade sobre os combustíveis. Coordenado pelo ministro adjunto do primeiro-ministro, Pedro Siza Vieira, este grupo de trabalho também vai contar com representantes dos ministérios das Finanças, Economia e Ambiente, além de membros da Autoridade Tributária, da Direção Geral das Atividades Económicas, Direção Geral de Energia e Geologia, Agência Portuguesa do Ambiente, e Adene – Agência para a Energia. O relatório com as propostas de medidas terá de ser entregue até 31 de julho de 2018 e terá de incluir um “diagnóstico da fiscalidade sobre a energia e propostas de medidas de atuação visando a introdução dos sinais corretos para a descarbonização da economia”.

Restrições Mas enquanto Bruxelas se debate com formas de combater os carros a diesel, já há cidades europeias que deram o pontapé de saída nesta matéria. Hamburgo foi a primeira cidade a proibir parcialmente o tráfego dos veículos a diesel mais poluentes. A medida entrou em vigor a 31 de maio e vai afetar as duas passagens de rua, onde os níveis de dióxido de nitrogénio ultrapassam os limites estabelecidos pela UE. Quem violar esta norma arrisca-se ao pagamento de uma multa no valor de 75 euros.

E as inibições não vão ficar por aqui neste país. O tribunal administrativo federal de Leipzig já decidiu que as grandes cidades alemãs têm o direito de proibir a circulação de veículos movidos a gasóleo com altos índices de poluição.
O que é certo é que as restrições não ficam por aqui, apesar de terem um horizonte temporal mais longo. Copenhaga, na Dinamarca, pretende proibir a circulação de carros a diesel partir de 2019. Madrid prevê restringir o acesso dos carros a boa parte de sua área central até 2020. Já Paris quer banir todos os veículos poluentes até 2030 e reservar algumas ruas apenas para a circulação de automóveis elétricos. Também Londres alinhou pelo mesmo diapasão, primeiro ao cobrar uma taxa de 30 libras para entrar no centro da cidade, a partir de abril de 2019, medida que depois quer alargar ao resto da cidade. 

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