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Carros. Só o governo pode evitar aumentos dos preços a partir de setembro

Carros. Só o governo pode evitar aumentos dos preços a partir de setembro

Shutterstock Sónia Peres Pinto 25/06/2018 13:39

A entrada em vigor de uma nova norma de medição das emissões poluentes poderá refletir-se no preço final de um carro novo. Para carros menos poluentes essa subida deverá rondar os 200-300 euros, mas há casos em que pode atingir os três mil euros. Solução para evitar este aumento está nas mãos do governo

Depois de vários anos de queda, o mercado automóvel tem vindo a ganhar um novo fôlego com aumentos contínuos de vendas. Os dados são animadores: só nos primeiros cinco meses do ano foram vendidas 125 mil viaturas, o que representa um aumento de 5,2% face ao período homólogo. Mas este respirar de alívio poderá ter os dias contados. Em setembro, os preços dos carros novos poderão sofrer um agravamento de preços, o que irá ter impacto imediato na sua comercialização.

A “culpa” é do novo método de homologação comunitário das viaturas que irá fornecer dados mais realistas sobre as emissões – o WLTP que irá substituir o NEDC, em vigor desde 1992 – o que resultará numa subida da fatura fiscal. Com um controlo mais apertado sobre os dados de consumo e de emissões de dióxido de carbono agrava-se o valor do imposto a pagar. O i sabe que há casos em que esses aumentos poderão atingir os três mil euros no caso dos veículos com motor 1.6 ou 2.0 turbodiesel. Já um carro a gasolina, como o Renault Clio, Volkswagen Polo ou Peugeot 208 – os modelos mais vendidos em Portugal – podem aumentar entre 200 a 300 euros. Tudo depende da marca e acima de tudo da atitude do governo.

Ao i, o secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) lembra que Bruxelas deu a indicação de que essa alteração não iria ter qualquer prejuízo para o consumidor, mas se há países em que a alteração não vai ter qualquer impacto, como é o caso da Alemanha porque não tem qualquer fiscalidade sobre o C02, em Portugal e em mais quatro países – Irlanda, Dinamarca, Finlândia e Holanda – essa alteração é muito relevante porque o atual sistema fiscal tem em conta as emissões de C02. “Mais cinco ou seis gramas de C02 vão ter um grande impacto”, refere o responsável.
Face a isso, Hélder Pedro espera que o governo português aprove até lá um despacho para atenuar as alterações do novo regulamento: “Temos estado a trabalhar com o governo nessa matéria, o diploma foi aprovado em julho do ano passado, mas tivemos a primeira reunião antes disso, em fevereiro do ano passado porque já estávamos a antever isso para sensibilizar o Executivo no sentido de alterar a tabela de imposto”. 

Como essas alterações de impostos são feitas nos Orçamentos do Estado e, como não foi prevista essa modificação no Orçamento deste ano, a associação está a aguardar a aprovação do despacho. O secretário-geral da ACAP está confiante que seja encontrada uma solução rapidamente. “O governo conhece o problema, está sensível para esta matéria e estamos a tentar que haja qualquer despacho como aconteceu na Dinamarca que vai ser aplicado a partir do dia 1 de julho para que se possa minimizar essas alterações. Mas se não for publicado esse despacho, os valores irão aumentar em setembro”, garante.

Contactado pelo i, o ministério de Mário Centeno disse apenas: “Não nos pronunciamos sobre assuntos que possam vir a ser matéria de orçamento do Estado antes da apresentação do mesmo”.

Isto significa que, caso não haja alterações, iremos até lá assistir a uma verdadeira corrida aos stands para contornar estes aumentos. “O governo não quis mexer nas tabelas, seguindo uma sugestão da União Europeia, com receio de diminuir o encaixe com o ISV, pelo que esta é uma situação que ou as marcas conseguem ultrapassar, ou os clientes vão ter de suportar o aumento do seu bolso se nada for feito do lado do Executivo”, garante Hélder Pedro.

Alternativas Para contornar já este aumento e, caso não seja publicada a portaria, as marcas têm em seu poder alguns trunfos para atenuar nos primeiros meses esse agravamento de preço. Uma das hipóteses é encomendar e matricular um valor enorme de modelos em agosto de forma a colocar no mercado veículos a preços antigos. Mas essa é uma solução que poderá ser aplicada apenas aos grandes fabricantes. Outra solução, mas que apenas cobre cerca de um mês de vendas, diz respeito à possibilidade que o próprio regulador abre e que permite vender a preços antigos aquilo que denomina como “veículos em fim de série”, denominação que serve para qualquer tipo de modelo, mas limitada a somente 10% das vendas no ano anterior, com um máximo de 100 unidades. 

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