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Renascer depois das cinzas. Ir para fora cá dentro tem um novo significado

Renascer depois das cinzas. Ir para fora cá dentro tem um novo significado

Humberto Almendra Edilson Coutinho Tatiana Costa 20/06/2018 19:28

No último fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa fez um apelo à população para ajudar na dinamização das regiões afetadas pelo flagelo dos fogos e assegurou que ele próprio irá passar uns dias, “como turista”, primeiro na zona de Pedrógão Grande e depois um pouco mais a norte. A iniciativa do chefe de Estado passa por ajudar a renascer “estes ‘Portugais’ que às vezes são esquecidos”. Com este mote como pano de fundo, o i reuniu sugestões de roteiros para um verão diferente

Pedrógão Grande
Epicentro da tragédia de junho de 2017, Pedrógão Grande quer reerguer--se. Para os amantes de desporto e caminhadas, a Câmara Municipal de Pedrógão Grande oferece uma panóplia de oito percursos pedestres que têm como objetivo dar a conhecer o património e a história da vila, bem como colocar os visitantes em contacto com a natureza. Saborear os pratos típicos da região é quase obrigatório para quem passa férias fora de casa. No restaurante Ponte Velha pode experimentar a gastronomia da região: a sopa de peixe, maranhos e o bucho. O preço médio são 20 euros e o restaurante fica localizado na Sertã.

Um local de veraneio popular é a praia das Rocas, ali perto, em Castanheira de Pera. Reabriu a 1 de junho depois de, no ano passado, o verão ter sido difícil: algumas das vítimas do fogo tinham estado no local. A praia tem uma ilha no centro e é ainda constituída pela maior piscina de ondas do país (2100 metros quadrados), uma albufeira e uma ponte secular. Se é mais aventureiro e radical e gosta de testar limites pode fazer escalada na encosta da Cotovia, que fica situada ao lado do viaduto da Estrada Municipal 2 e do miradouro do Cabril. 

Castelo de Paiva 
Férias do verão são sinónimo de praia mas, se não é fã de areia e mar, nada melhor do que visitar as características aldeias serranas. Em Midões e Gondarém encontrará casas de xisto e paisagens marcadas por vinha que poderá apreciar a pé. Nos dias quentes, os piqueniques não podem faltar, e levar o farnel até ao Choupal das Concas, um espaço amplo e cheio de choupos, é uma das opções. O choupal tem um pequeno areal na margem do rio que convida a banhos de sol. A ilha dos Amores também pode ser uma opção para quem gosta de praticar desportos náuticos: a ilhota localiza-se na confluência do rio Paiva com o Douro e é complementada por uma piscina ao ar livre, com um pequeno areal e um bar. Os amantes de ciclismo podem fazer o Trilho das Vinhas ou o Trilho do Mineiro, organizados pela câmara municipal, aproveitando para conhecer belas paisagens naturais. Não se esqueça da gastronomia tradicional e, se não sabe o que pedir, aqui ficam algumas sugestões: anho assado no forno, bifes de cebolada à Sta. Eufêmea, vitela assada, cozido à lavrador, iscas de bacalhau e enchidos e fumeiros. 

Beira Alta
As opções são imensas, mas em Oliveira do Hospital encontrará várias praias fluviais onde pode desfrutar do bom tempo. É o caso da praia fluvial classificada de Alvoco das Várzeas: é vigiada por nadador-salvador e tem várias acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, chuveiros, balneários, bar e parque de merendas com serviço de churrasqueira. A praia está aberta das 11h até às 19h, de 1 de junho a 31 de agosto. Se do que mais gosta nas férias é de experimentar pratos diferentes, nada melhor do que fazer o Roteiro do Queijo da Serra da Estrela, também em Oliveira do Hospital. Terá a oportunidade de percorrer ribeiras, atravessar aldeias de xisto e visitar os vales dos rios Alva e Alvoco. No final da visita tem a oportunidade de provar o borrego da serra com vinho do Dão, o requeijão, manteiga de ovelha e o queijo da serra da Estrela. 

Se gosta de caminhar e, ao mesmo tempo, apreciar a paisagem, não vai querer perder a aldeia do Piódão - uma aldeia histórica composta por casas de xisto e lousa. As festas também podem ser divertidas. Em Vila Nova de Poiares há a romaria de São Pedro em Lavegadas, a 29 de junho, ou a festa de S. Miguel, no 1.º domingo de agosto. 

Dão-lafões 
No concelho de Vouzela poderá experimentar parapente e desfrutar das paisagens. Se prefere ter os pés assentes na terra, pode optar por fazer um dos quatro circuitos turísticos que a câmara municipal promove, visitar a Reserva Botânica de Cambarinho - entre maio e julho, os loendros estão em floração - ou a Mata da Penoita, repleta de espécies exóticas e equipada com parques de merendas onde pode comer e descansar. Se passar por Oliveira de Frades é obrigatório experimentar a gastronomia local: vitela à Lafões, arroz de cabidela, rojões, enchidos e o cabrito e frango assados no forno são as especialidades. Se prefere doces, experimente a iguaria da vila, as chamadas queijadinhas de Oliveira de Frades, feitas à base de gemas de ovos e açúcar. Se estiver de passagem pela vila em julho não se esqueça de dar um salto até às festas do concelho e mostra gastronómica: o programa acontece na terceira semana de julho e é mais uma oportunidade para provar os pratos tradicionais. 

Baixo Mondego 
A região é de fácil acesso. De carro, por exemplo, se vai sair do norte e dependendo da zona, a viagem pode durar entre 30 minutos a duas horas. Se partir do sul vai perder mais tempo na estrada, mas as ofertas disponíveis na zona fazem esquecer qualquer espera. O turismo no Baixo Mondego passa por conhecer o património edificado, cultural e ambiental: igrejas, estátuas, jardins, artesanato e a arte xávega. O Museu Etnográfico da Praia de Mira, o Museu da Pedra e o Museu do Território da Gândara são alguns dos locais onde se pode conhecer um pouco mais da história que faz parte do Baixo Mondego. As atividades que os turistas vão encontrar nas diferentes freguesias são percursos pedestres, visitas aos moinhos de água e uma oferta alargada de praias na zona litoral. Para quem prefere rios ou piscinas também existe a praia fluvial dos Olhos da Fervença, em Cadima, ou as Piscinas Municipais de Cantanhede. Sem esquecer as tradições mais antigas, como a matança do porco e a queima do Judas, as principais festas são o Festival da Sardinha Assada na Telha e da Batata Assada N’Areia, nos dias 17 a 19 de agosto, e a Expofacic, de 26 de julho a 5 de agosto. 

Serra da Estrela
Se gosta de estar em contacto com a natureza, ir até uma das principais serras de Portugal pode ser o destino ideal para as férias. Antes de subir a serra, prepare o estômago com a gastronomia típica desta região. A carne de porco é o destaque da culinária local e não pode deixar de provar o bucho com grelos, o presunto curado e os enchidos. Mas para quem não gosta, também existem outras carnes: cabrito, borrego e javali são outras iguarias muito comuns na serra da Estrela, sem esquecer o famoso queijo, produzido em altitude. Pode aproveitar os passeios pela montanha que são organizados pelas câmaras municipais e visitar o famoso Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de Seia. Existem também monumentos como a Igreja da Misericórdia, o Solar dos Botelhos e a Capela de Santo Cristo do Calvário, que são de paragem obrigatória. Pode ficar alojado na Pousada Serra da Estrela, que tem uma piscina nas encostas rochosas da serra, ou, se preferir uma opção mais barata, o Covilhã Hostel fica cerca de meia hora de carro da serra. Para banhos, a praia fluvial de Loriga é imperdível. Fica perto de Seia. 

Pinhal Litoral
A Estrada do Atlântico, que liga Pombal a Caldas da Rainha, é uma extensão de 74 quilómetros que, para além da via para os automóveis, contém também uma ciclovia - a maior do país - que permite às pessoas praticar desporto, passear e conhecer a orla costeira. Pode conhecer as praias de Pedra de Ouro e S. Pedro de Moel, que fazem com que a zona fique mais atrativa para os turistas. Existem também diversos percursos de acesso paralelo à Estrada Atlântica que fazem ligação ao Pinhal de Leiria: durante o percurso é possível avistar as áreas verdes que resistiram aos incêndios de 2017. Mas quem se aventurar por este percurso deve ficar atento: existem algumas zonas no coração da mata que têm o acesso condicionado. A lagoa da Ervedeira - que fica próxima da praia de Pedrógão - é uma alternativa ao mar que já é possível visitar livremente. Pode percorrer os passadiços. No Pinhal do Urso, as pessoas podem passear dentro da mata, usufruindo dos dois trilhos existentes - o Trilho da Lagoa de São José e o Trilho da Baleia Verde - e também da lagoa dos Linhos, para fazer piqueniques e atividades ao ar livre. 

Beira Baixa
Aldeias de xisto, igrejas e museus são algumas das opções que pode visitar num período de férias pela Beira Baixa. As dicas são muitas: na serra do Açor, o Picoto da Cebola oferece uma vista de 360 graus. Se não chegar, também existem miradouros na Barragem de Santa Luzia e nos meandros do Zêzere, onde se avista o reflexo das nuvens e vales nas águas do rio Unhais e do rio Zêzere. Pode optar por um percurso menos montanhoso na zona de Oleiros, onde irá caminhar por trilhos entre cascatas e pontes de madeira. Praias fluviais como a de Açude Pinto, Cambas e Álvaro também são opções menos cansativas. Deve também ir até Góis, onde pode visitar o moinho no centro da vila ou fazer desportos como canoagem, escalada, rappel e paintball. No que diz respeito à acomodação, o Villa Pampilhosa Hotel é um requinte no meio da serra que oferece conforto aos seus hóspedes. Mas para quem pretende economizar existem alternativas mais em conta em casas de alojamento local como as Casinhas do Ceira, em Fajão, ou a Casa de Santo Antão, em Portelo do Fojo.

 

 

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