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João Lemos Esteves 19/06/2018
João Lemos Esteves

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Lionel Messi, BDS e Hamas:o trio de ataque do terrorismo

Marcelo não desperdiça uma oportunidade de retirar dividendos políticosdo fenómeno futebolístico. Longe vão os tempos em que se proclamavaque ao futebol o que é do futebol; à política o que é da política

1. Iniciou-se mais uma edição do Campeonato do Mundo de Futebol. Confessamos aqui que também partilhamos o entusiasmo e o interesse por este certame de uma realidade que há muito extravasou os limites de uma mera atividade desportiva: é hoje, indubitavelmente, um facto social de primeiríssimo plano que condiciona as demais facetas da vivência social. Os políticos bajulam o futebol; os empresários aproveitam a potencialidade lucrativa do futebol; os média, exauridos financeiramente, descobriram no futebol o seu “tema de Midas” (que já não mero toque, atendendo às longuíssimas horas que as televisões nacionais dedicam às polémicas futebolísticas, atuais e inventadas). Por muito que tal asserção choque os intelectuais mais tradicionalistas, a verdade é que é no futebol que reside o poder mais efetivo, suscetível de mobilizar massas, difundir mensagens de intolerância, criar pequenos “organismos paraestatais” que rivalizam (quando não entram em conflito aberto e declarado) com o próprio Estado. O fenómeno descrito é particularmente visível em sociedades mais pequenas e civicamente apáticas como é a portuguesa: a política afasta e chateia, sendo algo para uns poucos (os “senhores doutores, aqueles de fato e gravata”); o futebol une (o amor ao clube e o ódio ao clube rival) e diverte (aliena?).

2. O problema agrava-se ainda mais quando os políticos se arrogam o papel de protagonistas cimeiros do futebol, exportando para este desporto-negócio os vícios típicos da política. Aí perde a política, perde o futebol, perde o povo, perde o público – ninguém ganha (a não ser, porventura, os próprios interessados na promoção de tal promiscuidade). Convencionou-se considerar o futebol como o “desporto-rei”: em Portugal – país que adotou a forma de governo republicana desde 1910 –, o futebol deve ser, antes, apelidado de o “desporto-Marcelo”. Primeiro, porque Marcelo (já está mais do que provado) é o nosso monarca em plena República; segundo, porque Marcelo não desperdiça uma única oportunidade de retirar dividendos políticos do fenómeno futebolístico – desta feita foi ver o jogo para o Terreiro do Paço, abraçado a Fernando Medina e ao ministro Pedro Marques. Longe vão os tempos em que se proclamava que ao futebol o que é do futebol; à política o que é da política. E Marcelo e Guterres até marcaram reuniões com o presidente Putin no mesmo dia do Portugal-Marrocos! Ainda mais longe vão os tempos em que o futebol se assumia como uma escola de virtudes e de valores.

3. Um exemplo? A cedência, em toda a linha, da Federação Argentina de Futebol (Asociación del Fútbol Argentino) às pressões e ameaças de pseudo-“amigos” da Palestina, devidamente financiados pelo movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), para que o jogo entre a seleção do segundo melhor jogador do mundo contra a equipa nacional de Israel fosse cancelado. Este jogo deveria ter sido realizado em Haifa (a zona com um número superior de muçulmanos no Estado de Israel, até para mostrar inclusão e espírito de abertura), no estádio pertencente ao Maccabi Haifa; no entanto, face às pressões de gente (incluindo jornalistas) contratada pelo movimento de ódio que é o BDS, a Associação de Futebol da Argentina acordou com as autoridades israelitas a transferência do jogo para Jerusalém. Volvidos escassos dias, a mesma associação argentina decidiu cancelar o jogo, invocando que os jogadores temiam pela sua integridade: o clima de violência acabara por afetar as estrelas argentinas e respetivas famílias. Seria um transtorno obrigá-los a jogar em Jerusalém, imputando-se a falta de condições de segurança ao governo de Israel. Esta narrativa haveria de ser propalada pelos órgãos de comunicação social argentinos: a culpa do cancelamento era imputável ao governo de Israel – designadamente à ministra da Cultura e do Desporto, Miri Regev –, na medida em que tentou promover um autêntico aproveitamento político da ida das estrelas argentinas de futebol para oficializar o reconhecimento de Jerusalém como capital do país.

4. Claro que a maioria dos jornalistas argentinos acrescentaram logo mais dois elementos “picantes” para converter a história em algo mais crível e atrativo: primeiro, tudo isto não passou de subserviência ao amigo presidente Donald Trump, apoiando a sua decisão de transferência da embaixada americana para Jerusalém; segundo, foi uma decisão fundada na defesa dos direitos humanos, que não ainda não são respeitados naquela região do globo, sendo os palestinianos as maiores vítimas da ala mais à direita do Likud, onde se incluem (imagine-se só!) o primeiro-ministro Netanyahu e a ministra do Desporto Regev. Uma narrativa feita à medida das conveniências de uma associação de futebol que foi sequestrada moralmente pelo movimento terrorista do BDS, cujo leitmotiv declarado é a aniquilação de Israel. Reiteramos o que já temos dito e redito: é bizarro que os jornalistas (primeiro, argentinos, depois devidamente replicados por brasileiros e europeus) se deixem manipular por interesses políticos e estratégicos de grupos sectários e promotores de ódio. Na teoria, os jornalistas defendem a liberdade; na prática, os mesmos jornalistas são moralmente cúmplices daqueles que ostracizam, daqueles que subjugam outros cidadãos (em especial os mais vulneráveis, como as mulheres e os homossexuais), daqueles que torturam, daqueles que matam. Que matam lá, no seu território mais ou menos distante de nós; que matam cá, no espaço europeu onde vivemos, ali mesmo nas ruas de Barcelona, de Paris, de Nice ou de Berlim. Nem todos os muçulmanos são terroristas, é certo.

A maioria dos muçulmanos não são terroristas, é verdade. Mas os grupos apoiados pelo BDS e a linha política (porque de religião nada tem) que o BDS financia são todos terroristas.

5. E visam um fim terrorista, que é a destruição de um Estado e de um povo. A função dos jornalistas deveria ser, pois, a de narrar os factos, apresentar o seu contexto, escalpelizar as versões dos dois lados da história – deixando ao leitor a sua faculdade irrenunciável de formular um juízo sobre a realidade. Em detrimento de um jornalismo reflexivo temos um jornalismo impositivo. Em vez de um jornalismo que serve a democracia temos um jornalismo que serve o modelo de sociedade totalitária que a esquerda radical (haverá outra nos dias que correm?) implantou à força. Mais: os jornalistas, no caso concreto, funcionaram como verdadeiros atores de telenovela ao montarem a “realidade alternativa” que depois noticiaram como se fossem factos objetivos. De facto, apoiantes do BDS (incluindo jornalistas) utilizaram crianças que identificaram como “crianças palestinianas” para implorarem a Lionel Messi para não jogar contra Israel, o país que “lhes faz muito mal”. Que grande coincidência: crianças palestinianas, na Argentina, encontraram – por acaso! – Messi e resolveram doutriná-lo, com uma desenvoltura anormal para a idade, sobre o “maléfico” Estado de Israel! E ainda têm descaramento para falar das redes sociais e das suas fake news? Vergonha!

6. Merece aqui destaque a intervenção do congressista federal brasileiro Eduardo Bolsonaro sobre a decisão da Argentina de boicotar o jogo contra Israel, o qual interpelou os dirigentes argentinos sobre se a sua seleção iria igualmente recusar participar no Mundial da Rússia. Isto porque a Rússia é governada por uma “administração musculada” que não tem a defesa dos direitos humanos como sua prioridade central – e que apoia abertamente os regimes bárbaros da Síria, do Irão e da Coreia do Norte. Nós acrescentamos: será que a Argentina se irá recusar a jogar contra a Nigéria (que está no seu grupo) devido à insuficiência da democracia e ao protagonismo dos terroristas sanguinários do Boko Haram neste país? Será que a Argentina faltará ao jogo contra o Irão caso este elimine a Espanha no grupo de Portugal, numa fase mais avançada da competição? Para já, no meio de tantas e relevantes interrogações, resta-nos uma certeza: no campeonato da tolerância , da democracia e da defesa dos direitos humanos, a Argentina já perdeu. Foi eliminada por goleada.

E Messi só é mesmo o melhor na liga da hipocrisia. No que ao desportivismo diz respeito, Messi e seus colegas estão completamente offside. Fora de jogo – e não é preciso recorrer ao VAR…

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