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Festival de Teatro de Almada salvo pela autarquia

Festival de Teatro de Almada salvo pela autarquia

Diana Tinoco Davide Pinheiro 15/06/2018 17:30

Cortes no financiamento foram repostos pela autarquia liderada por Inês de Medeiros. Diretor Rodrigo Francisco assume dificuldades mas defende programação.

Na apresentação do 35º Festival de Teatro de Almada, o diretor Rodrigo Francisco reconheceu que o «corte de verbas» afetou a programação e não fugiu ao problema. "O público habituou-se a ver as melhores companhias mundiais. Este ano não foi possível", lamentou  em conferência de imprensa, recorrendo à muito futebolística expressão «omoletes sem ovos» para ilustrar as dificuldades. 

De um orçamento total de 576 mil euros, apenas 91 mil, o equivalente a 16%, provêm dos subsídios da DGartes. Um corte drástico de 25% (cerca de 110 mil euros) anunciado em maio, quando a programação anual já tinha sido fechada em janeiro. "Ou se cortava na programação, ou se cortava o festival", explicou a Presidente de Câmara, Inês de Medeiros, para quem a Companhia de Teatro de Almada tem a especificidade de trabalhar em duas frentes – a programação anual e o festival –  e, por isso, não deve ser tratada sob os mesmos critérios de outras companhias. 

E uma vez que "o município quer que o festival continue a ser uma referência e o grande evento mobilizador da cidade e do concelho", viabilizou o festival através de apoio financeiro reforçado. "A Câmara acorre de forma excepcional no apoio ao festival porque consideramos que o Estado central não se pode alhear do maior festival de teatro do país", declarou.

"Não se pode, por isso, ter como missão promover a internacionalização da cultura portuguesa e, em simultâneo, reduzir em 25% o financiamento do que mais contribui para essa mesma internacionalização", lamentou a autarca que, tal como noticiado pelo i, expressou pessoalmente "o seu desagrado ao Ministério da Cultura e ao gabinete do primeiro-ministro".
Em "ano de grandes dificuldades", "Bigre", da companhia francesa Le Fils du Grand Réseau, foi a peça escolhida pelos espectadores da edição do ano passado para o Espectáculo de Honra que, como é tradição, inaugura o festival. Uma repetição da abertura de 2017. 

A poetisa, dramaturga e tradutora Ivette Centeno é a homenageada. A coreógrafa Olga Roriz será a responsável pelo programa de formação O sentido dos mestres, a decorrer nos dias 9, 11 e 12 de julho na Casa da Cerca. No dia 14, o centenário do nascimento de Ingmar Bergman, a coreógrafa apresenta A Meio da Noite, espetáculo de homenagem ao realizador. Um outro tributo é o de Diogo Infante a Carmen Dolores. "Carmen" estará em cena de 12 a 15 de julho no Teatro da Trindade. 

Paulo Brighenti assina o cartaz do festival e inaugura a exposição Velho Sol na Casa da Cerca. Aassinatura custa 75 euros.

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