22/9/18
 
 
José Paulo do Carmo 15/06/2018
José Paulo do Carmo

opiniao@newsplex.pt

“Bamos” lá, cambada!

 “Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal!”

Começa hoje a caminhada lusitana no Mundial da Rússia. E bem que precisamos de nos juntar todos e deixarmos de lado a pouca-vergonha que foi o futebol português neste último ano. Estamos todos fartos desta telenovela ao melhor estilo “mexicano” que envolve esquemas de corrupção, estratégias de difamação, rescisões de jogadores, agressões bárbaras, roubo, extorsão, crime económico, violação de correspondência, malas de dinheiro, sacos azuis, aliciamento de jogadores e árbitros e compra de jogos relacionada com casas de apostas.

É tempo, por isso, de virar a página. Têm sido tempos muito cansativos, com os programas de televisão horas a fio a transmitir o mesmo, pseudocomentadores de futebol a divagarem sobre aspetos jurídicos e uma crescente escalada de violência, sobretudo verbal mas que já deu maus resultados. Amigos que se chateiam com outros, adeptos revoltados, fações dentro dos próprios clubes, braços armados nas claques e um ambiente de guerrilha permanente com linguagem imprópria e educação de baixo nível.

Precisamos de fechar este ciclo e abrir um novo, aquele que desde o Europeu de futebol que recebemos em Portugal nos fez vibrar unidos pela mesma camisola e sob uma bandeira que nos volta agora a unir. Com a chegada do verão, não há nada melhor do que voltarmos a puxar para o mesmo lado, vermelho e verde com amarelo, juntando-lhe o azul, o rosa, o laranja e todas as outras cores. O futebol em particular e o desporto no geral têm de ser alegria, paixão boa que nos faz emocionar e que nos puxa para sentimentos positivos de altruísmo, companheirismo, solidariedade e resiliência.
Assume por isso particular importância esta campanha da nossa seleção. Não que eles sejam culpados deste clima hostil que se instalou no futebol português, mas acima de tudo porque uma caminhada triunfante que nos leve o mais longe possível pode efetivamente afastar, nem que seja por momentos, este mal-estar generalizado e estas conversas negativas, obscuras e muitas vezes sujas. E no meio de tanto negativismo, hoje em dia, a nossa seleção conseguiu conquistar esse tal espaço de concordância. Acho que ainda conseguimos entender que valores mais altos se levantam – e a seleção traz para as conversas e para a visualização dos jogos pessoas que não gostam de futebol mas gostam do nosso país, traz as crianças pintadas e as mulheres entusiasmadas, traz os jovens e os mais velhos. E isso acaba por afastar esta intoxicação pública de discursos inflamados e rasteiros.

Vamos por isso dar as mãos, fazer regressar os abraços, vestir as camisolas e desfraldar as nossas bandeiras. Deixar aquele brilhozinho nos olhos irromper dentro de nós, os sorrisos e os beijos. Beber um copo ou dois ou três, mas que seja um de cada vez , animados e entusiasmados na casa de uns e de outros, no jardim ou numa esplanada qualquer. Juntos, porque juntos somos mais fortes e vamos mais longe. “Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é Portugal!”

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