25/9/18
 
 
Filipe Baptista 14/06/2018
Filipe Baptista

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Quando a esmola é grande…

A diplomacia de Trump é uma autêntica roleta russa. Nunca sabemos se, quando pressiona o gatilho, tem bala ou se ficamos pelo alívio do som do cão a bater no tambor.

Se há coisa a que já nos habituámos nesta administração Trump é que o que hoje é uma certeza, manhã é pode não ser.

Desde que há cerca de ano e meio Trump assumiu a presidência dos EUA, que os episódios de avanços e recuos, peripécias, gafes e arrogância têm sido uma constante. A política do tweeter (como tem sido apelidada) já não surpreende como de início, em que, incrédulos, íamos assistindo aos constantes insultos e contraditórios que o Presidente ia “tweetando”.

Na última semana Trump saiu das redes sociais para aparições e atitudes ao vivo que continuam a pasmar o mundo. E a piada da caricata figura de cabelo revolucionariamente bem penteado, já se perdeu. As recentes incursões no palco internacional, pelo menos para mim, não auguram nada de bom.

Desde logo a guerra comercial às importações de alumínio e aço perante uma Europa expectante, mas (diga-se em sua defesa) bastante reativa e que até me surpreendeu, assim como perante um Canadá incrédulo, mas com Trudeau duro e assertivo. As consequências são uma incógnita e os resultados a médio prazo, eventualmente catastróficos.

Sem dar descanso, Trump, causa mau estar na Cimeira dos G7, não apenas com a provocação de apelar à participação Russa, suspensa desde 2014, criando discórdia e divisões num grupo do qual se espera alinhamento e harmonia. Mas sobretudo pela saída antecipada da Cimeira, com acordo de assinatura de declaração conjunta, para pouco depois recuar e retirar a assinatura dos EUA da mesma.

Numa palavra – incompreensível! Ou então, estamos todos muito enganados e Trump é um ardiloso estratega que ninguém consegue ler e entender.

A mim parece-me mais desnorte e arrogância de quem durante toda a vida apenas foi um homem de negócios, um capitalista puro e duro, sem um pingo de noção do que é diplomacia e como se gerem relações internacionais.

Trump gere a casa branca como se ainda estivesse no “The Apprentice”, pondo e dispondo, despedindo e contratando staff e “jogando” de forma inadvertida com as outras Nações, como se de empresas se tratassem.

Agora aparece como grande pacifista da Cimeira com Kim Jong-un, arriscando-se ainda a o vermos receber um Nobel da Paz (boca ouvida de uma mesa ao meu lado de um restaurante), coisa que, honestamente, já não me espantaria.

Podemos confiar nas palavras de Trump sobre o acordo com a Coreia do Norte, tendo em conta as suas peripécias passadas e, sobretudo, as mais recentes? Podemos acreditar que um homem que abandona uma Cimeira de Chefes de Estado das maiores potencias mundiais, que dá o dito pelo não dito na assinatura de uma declaração conjunta, não vai também rasgar qualquer entendimento com uma Nação que, até há bem pouco tempo, ameaçava com o seu botão de guerra?

A diplomacia de Trump é uma autêntica roleta russa. Nunca sabemos se, quando pressiona o gatilho, tem bala ou se ficamos pelo alívio do som do cão a bater no tambor.

A verdade é que no jogo da roleta russa sabemos que, pelo menos, existe uma bala no tambor e o que, realmente, me assusta é que, tantas vezes ele já premiu o gatilho que as chances de acertar na bala vão aumentando. E quando acertar…? Não vai ser bonito.

Este ziguezaguear da política de Trump (interna e externa) dá-me arrepios! E a leveza com que avança e recua nas suas posições tem, infelizmente, implicações e consequências globais.

Foi de certa forma irónico ver o Presidente Marcelo em Boston com um discurso mobilizador e de união e ao mesmo tempo ver Trump a desunir e deixar na mão seis das maiores potências mundiais. E das duas uma, volto a insistir, ou é não ter noção, ou é um visionário que mais ninguém consegue entender. Normalmente os segundos têm outro nome e o povo sábio já diz – o Santo desconfia.

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