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Mário Bacelar Begonha 13/06/2018
Mário Bacelar Begonha

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A tolerância, em democracia!

A Democracia é um acto inteligência, exige coragem, determinação e espírito de sacrifício, por parte de todos os intervenientes.

Temos para nós que a “Liberdade de Autonomia” que decorre do liberalismo de Locke e Montesquieu, é essencial, a uma democracia, já que o Estado abdica de uma parte da sua “autoridade” e de certa “arbitrariedade”, para que o cidadão “possa respirar”, com alguma “Liberdade de Autonomia”, coisa que não existe nos regimes autoritários e, que associada á “Liberdade de Participação”, que radica no contratualismo de Jean Jaques Rousseau (Contrato Social), são dois pilares indispensáveis em Democracia.

Mas também não podemos ignorar que qualquer Governo, numa verdadeira democracia, tem por base a sua legitimidade na vitória nas “urnas”, em eleições livres e legítimas.

Quando um partido perde eleições, nas urnas, e mesmo assim vai governar, tem, em temos de lógica democrática eleitoral, menor legitimidade que outro governo que ganha eleições. 

Mas o que pode acontecer é que fica um pouco “condicionado”, até em termos psicológicos, e também preocupado, pois terá, esforçadamente, que procurar “legitimar-se” através de uma boa governação. Ora, em Portugal, neste momento, falta ao actual “regime”, em nossa opinião, a TOLERÂNCIA, própria e característica, daqueles que são “poderosos”, pela legitimidade adquirida pelo peso dos votos nas urnas.

Quando tal acontece, torna-se urgente que o poder político, o entenda, e que reflicta sobre a necessidade de se tornar mais TOLERANTE e compreensivo, com todos aqueles que querem participar na vida activa política, opinando, criticando e sugerindo soluções, por que, partem do princípio que só espíritos magnânimos e com o desejo de contribuir para o bem comum, o podem entender, admitir e realizar.

É que a Democracia é um acto inteligência, exige coragem, determinação e espírito de sacrifício, por parte de todos os intervenientes, mas todos são essenciais e indispensáveis ao projecto, que tem que ser o mesmo, com o mesmo objectivo: Preservar, Aperfeiçoar e Desenvolver a Democracia.

Só que, quando nos “juntamos” com pessoas que querem exactamente o contrário, torna-se difícil entender o “GPS” dessas pessoas , pois, possivelmente, por falta de “células de posicionamento”, ou de “células de grelha”, não sabem muito bem o caminho que estão a trilhar...

Julgamos que falta ao Governo, uma maior e mais profunda meditação sociológica, que poderá ser colmatada com a participação mais alargada de sociólogos, encartados e filiados na respectiva Associação, (com quotas pagas), para que se possa ultrapassar “uma certa arrogância do poder” como anotou William Fulbrigth que, diz-nos a experiência, com 40 anos de docência no Ensino Superior, é típica daqueles que são mais ignorantes. Os melhores, os mais inteligentes, por norma, são mais humildes, e por vezes, espantam-nos com o seu brilho e a sua simplicidade, e, como ensinou Margareth Mead, no “Conflito de Gerações”, com eles aprendemos muito já que estamos na Etapa Co-figurativa... 

“A Democracia não pode ser só apregoada, tem que ser praticada”, como disse Max Cunha. Mas, no presente temos um grande e flagrante, “Conflito de Gerações”, com educações e princípios, muito diferentes entre aqueles que têm, hoje, mais de 80 anos, que cumpriram o Serviço Militar, com honra e orgulho, que respeitavam Pais, Professores, Autoridades, e a Lei, além dos sinais dos semáforos ..., têm que conviver com aqueles outros, entre os 50 e 60 anos, alguns que já não cumpriram o Serviço Militar, mas que ainda não batiam nos Pais, nos Professores e até na Polícia, e todos são obrigados a conviver com aqueles outros de 30 anos, acabados de entrar na maturidade, que fazem tudo ao contrário do que as outras gerações fizeram, que não respeitam nada nem ninguém, e nem se respeitam a eles próprios.

A tudo isto, ou por causa disto, temos que juntar uma corrupção, muito alargada a muitos sectores, talvez transversal todo a sociedade, com uma Juventude que não tem Emprego, Casa, Família e que é obrigada a Emigrar.
Tudo aduzido, esperamos que se opere em Portugal um grande Milagre, que é a regeneração da Sociedade, através dos Princípios, da Moral (Bons Costumes) e da Austeridade de Carácter, como lhe chamou Fidelino de Figueiredo.

Para isso, não se esqueçam de praticar Desporto, porque a “limpeza” do Corpo ajuda à “limpeza” do Espírito, e, hoje, Portugal precisa muito desse saneamento espiritual, moral e físico.
Então mãos à obra. 

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