24/9/18
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 13/06/2018
Eduardo Oliveira e Silva

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Força, Portugalsky!

Entrámos numa nova época: bola, festas e romarias, férias e praias, esperando que não se repitam os fogos trágicos do ano passado. Há que estarmos atentos, porque é também uma altura em que se cozinham muitas decisões que nos saem do bolso

1. Este é o tempo ideal para a política de bastidores. Qualquer executivo nacional ou municipal pode aproveitar para tomar decisões que têm impacto e das quais só nos apercebemos uns tempos mais tarde, face a uma fatura ou a uma alteração substancial de procedimentos. 

E porquê? Porque há o Mundial com a seleção de todos nós (e não só de 11 milhões, como pindericamente a federação chegou a achar), com os seus craques e Ronaldo à cabeça, do qual qualquer português tem a estrita obrigação de se orgulhar, aconteça o que acontecer na Rússia.

Se juntarmos a isso as palhaçadas dos nossos futebóis domésticos, os bailaricos e romarias dos Santos Populares, as festas e festarolas de aldeia e a primeira chegada estival de emigrantes, a ida de famílias para férias cá dentro e novamente lá fora, vamos ter um país parado. Se o calor ajudar finalmente, as praias estarão a abarrotar. Vai ser uma festa. Quer ganhemos ou não o Mundial, vamos ter os Santos, as férias, os turistas e, vá lá, ainda uma ou outra largada ou corrida de touros (toiros para os aficionados) que ocuparão as conversas e mentes de quem tenha disponibilidade económica e saúde, desde que não se repitam os fogos do ano passado, o que é improvável, até pelo muito que ardeu nessa altura.
Lá para início de setembro voltarão as preocupações mais substanciais, como a negociação final do Orçamento. Esperemos, porém, que haja competência na política, nos média e nos comentadores para alertarem para decisões que podem apanhar a população desprevenida. O verão não é só uma silly season. É uma oportunidade para os manhosos e os assaltantes de todo o tipo, começando nos que entram pela banca e acabando nos que arrombam portas e janelas. Há, pois, que ter um olho no Mundial e outro no património…

2. A nova comissão política do PS é um caso. Lá estão, logo à cabeça, Ferro Rodrigues, Maria de Belém (certamente premiada pelo seu magnífico resultado eleitoral nas presidenciais) e João Soares, substituído à pressão no governo por querer dar umas lambadas nuns articulistas. Além destes, António Costa atirou para a molhada uns quantos dos seus apaniguados, muitos deles membros do governo ou gente que se senta à mesa do Orçamento do Estado, pois em vésperas de eleições há que unir a nomenclatura. Só não foi casa cheia dos costistas porque Daniel Adrião, o único e irrelevante adversário de Costa, indicou uns quantos nomes fora da caixa, servindo de salva-vidas. Entre esses nomes está Paulo Campos, ex--secretário de Estado das Obras Públicas de Sócrates, investigado por alegadas questões relacionadas com as PPP, o que terá causado algum incómodo interno. Ora, investigado não significa culpado, e Paulo Campos tem obviamente direito a beneficiar da presunção de inocência.

3. Alguém imagina o símbolo do Benfica sem águia, o do Sporting sem leão, o do Porto sem o dragão (embora mais recente), o PCP sem foice e martelo ou a Apple sem maçã? Claro que não. Há símbolos que identificam logo instituições. É o caso também das setas do PSD, que têm uma simbologia ideológica específica, traduzindo os valores da social-democracia. No entanto, soube--se há dias que as setas foram parcialmente retiradas de alguns documentos e grafismos informáticos do partido. A situação exemplifica bem os dias de hoje, em que é corrente entregar a alguém impreparado tarefas que exigem conhecimentos. Já agora conte-se uma pequena história a propósito do símbolo do PSD. Na Madeira, nas primeiras campanhas, havia um padre que dizia aos seus paroquianos para votarem nas setinhas, mas – acrescentava – “nas que apontam para o céu, e não para a bola”, afastando assim confusões com o símbolo de então do CDS. 

4. O governo conservador austríaco decidiu expulsar um grupo de imãs turcos depois de estes terem fomentado a evocação de uma batalha otomana (Galípoli, ocorrida há cem anos), no que era obviamente uma incitação ao radicalismo nacionalista e religioso. A decisão é vista como excessiva por uns e bem tomada por outros. É certo que a Europa de hoje é feita de multiculturalidade e de tolerância, mas não é menos certo que não se podem permitir excessos de fanatismo religioso, muito menos quando são cometidos por estrangeiros residentes que trabalham e usufruem da democracia, a qual depois tentam destruir em nome de valores retrógrados. A expulsão dos imãs e, eventualmente, de alguns familiares é justificada, embora pesada. Não vale a pena vir com histórias de direita e de esquerda para baralhar coisas simples como esta. Quem não se sentir bem na Europa que vá, por exemplo, para aquele oásis de tolerância que dá pelo nome de Arábia Saudita.

Jornalista

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