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Santos. Corrida às sardinhas e à cerveja fresquinha

Santos. Corrida às sardinhas e à cerveja fresquinha

Sónia Peres Pinto 12/06/2018 12:28

A sardinha é a rainha dos Santos Populares e, a par do aumento da procura, também se verifica nesta altura uma subida dos preços. Nos arraiais já há quem cobre cinco euros por uma sardinha no pão. Pescadores dizem que limitações da pesca também contribuíram para este aumento dos valores mas garantem que este peixe não irá faltar nas festividades

Sardinhas é sinónimo de Santos Populares e, por isso, é natural que nesta altura não só o consumo aumente como também os preços disparem. Este cenário repete-se todos os anos, mas nos últimos tem ganho novos contornos com as limitações à pesca, garante ao i João Almeida, da Federação dos Sindicatos do Setor da Pesca (FSSP). “Os preços sempre aumentaram nesta altura porque a procura é sempre muito elevada, mas se há uns anos atrás era possível duplicar a quantidade que era pescada para responder às necessidades, atualmente não é possível. A lei da oferta e da procura leva a este tipo de situações”, salienta.

A verdade é que, por vezes, também os preços que são praticados nas docas mais do duplicam nesta altura. E João Almeida dá exemplos: até aqui, um cabaz (22,5 quilos) tem sido vendido por 25 euros mas, ontem, esse mesmo cabaz já foi comercializado por 52 euros. E a tendência é para manter estes preços pelo menos até ao final do mês.

A limitação da pesca – até 31 de julho, os pescadores poderão capturar quase cinco mil toneladas, com limites diários – e o aumento da procura, aliados ao aumento da qualidade, já que no entender do responsável, a sardinha “já está boa para consumo, longe da sua fase seca”, levam a uma maior pressão dos preços. E consoante o arraial escolhido, os valores por sardinha podem variar entre dois e quatro euros. Mas o i sabe que há casos em que uma sardinha no pão chega a atingir os cinco euros em Alfama.

Ainda assim, os responsáveis do setor garantem que este peixe não irá faltar nas festividades. “O nosso objetivo foi concentrar a nossa atividade nos meses de junho e julho, quando há uma grande procura de sardinha, pois não queríamos que faltasse sardinha nessa altura”, esclarece.

No entanto, João Almeida lembra que, mesmo quando deixarem de existir estas restrições, a oferta não consegue satisfazer as necessidades da procura, nomeadamente da indústria conserveira, que necessita de 30 mil a 35 mil toneladas. E, como solução, há que recorrer à importação. “Criou-se um alarmismo que não é benéfico para nenhuma atividade”, afirma.

Portugal é o quarto país fornecedor de sardinha do mercado nacional, apesar de ter o maior mar da Europa. À frente surgem Espanha, Marrocos e França. E os números falam por si: para combater a falta de sardinhas tem vindo a ser necessário recorrer à importação e, por isso mesmo, mais de 60% da sardinha consumida em Portugal – não só à mesa, mas também nas fábricas de conservas – é importada e a maioria que chega ao nosso país é congelada. Espanha destacou-se como o principal fornecedor de sardinha fresca no ano passado – sempre mais de 98% do valor total importado. Na sardinha congelada, Espanha está também em primeiro lugar, representando 69,9% do valor total das importações, enquanto Marrocos ocupa a segunda posição, com um peso de 23,2%.

Peso no consumo Mas não é só a sardinha a rainha da festa. Também o consumo de cerveja aumenta nesta altura do ano, como garantem ao i as cervejeiras. A dona da cerveja Sagres garante que só o mês de junho representa 10% do consumo total do ano, pelo menos, tendo em conta os números verificados no ano passado. “Os Santos Populares ajudam às vendas do mês de junho, nomeadamente se estiver calor e sem vento, o que, infelizmente, este ano não tem sido o caso”, revela Nuno Pinto de Magalhães, diretor de comunicação e relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas.

E face a este aumento, o responsável admite que existe um reforço na distribuição, nomeadamente tendo em conta as restrições de trânsito nas zonas históricas da cidade, afastando, no entanto, eventuais quebras de stock da Sagres. “Não existirão certamente ruturas de stock, embora seja uma altura de complexidade agravada, quer ao nível de disponibilidade de equipamentos – máquinas de tirar cerveja à pressão – quer de entregas”, diz ao i.

Também o Super Bock Group garante que, “por norma, esta é uma altura em que o consumo de cerveja aumenta naturalmente. Os fatores são diversos e as festas são sempre uma categoria que contribui ativamente para o consumo, pois privilegiam os momentos de convívio entre amigos”, diz fonte da cervejeira.

No entanto, segundo a mesma, não é possível quantificar o consumo só nesta altura, uma vez que há outros fatores que fazem crescer o consumo, como é o caso do verão, “uma altura muito propícia ao consumo de cerveja”.

Aliás, por norma, os quatro meses de verão – de junho a setembro – representam cerca de 60% das vendas anuais de cerveja, e as condições climatéricas, calor e pouco vento, são determinantes para uma boa época de vendas.

Já em relação aos valores que são cobrados aos clientes nesta altura – nos arraiais, uma imperial ronda os 1,5 euros –, a opinião é unânime: “Não nos compete a nós fixar os valores de venda ao consumidor. As regras de mercado ditam que os nossos clientes fixam os valores de venda aos consumidores na sua livre política de preços.”

E ao contrário do que tinha ocorrido em anos anteriores – em que o consumo per capita de cerveja tinha vindo a diminuir de ano para ano e, em 2015, fixou-se nos 46 hectolitros, o valor mais baixo dos últimos 12 anos –, no ano passado assistiu-se um aumento do consumo. De acordo com os Cervejeiros de Portugal, nova denominação da APCV – Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja, o consumo de cerveja em Portugal cresceu 8% em 2017, atingindo os 51 hectolitros. “Os resultados de 2017 demonstraram que este é um setor em permanente renovação, bem patente na proliferação de cada vez mais empresas cervejeiras e microcervejeiras a lançar novos tipos de cervejas”, salienta.

 

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