17/11/18
 
 
José Cabrita Saraiva 12/06/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Sporting: o naufrágio

Quando, em meados de maio, Fernando Santos anunciou os 23 jogadores que iam participar no campeonato do mundo da Rússia, o Sporting era de longe o clube mais representado, com quatro atletas entre os eleitos. O FC Porto e o Benfica tinham apenas um. Menos de um mês volvido, são zero os jogadores da seleção que pertencem aos quadros de Alvalade.

Com a entrega das cartas de rescisão unilateral de William Carvalho, Gelson Martins e Bruno Fernandes, que se juntam às anteriores de Rui Patrício e Podence, terão voado qualquer coisa como entre 60 e 80 milhões de euros dos cofres do clube. Ou até mais - basta recordar que há dois anos João Mário foi vendido ao Inter de Milão por 40 milhões (mais 5 por objetivos), e que todos, Bruno de Carvalho incluído, estavam convencidos de que Gelson ia bater esse recorde e tornar-se a venda mais cara da história do clube.

Há uma agravante: o Sporting precisava deste dinheiro como de pão para a boca. Se a situação do clube já era dramática, agora tornou-se desesperada. Já não é apenas a próxima época que está comprometida, está em jogo o próprio futuro do clube.

No centro disto tudo encontra-se o inevitável Bruno de Carvalho. Se até há pouco tempo se vinha mostrando um grande negociador, nos últimos dois meses estragou tudo com a forma desastrosa como geriu o processo. Começou por culpabilizar os jogadores pelos maus resultados. Depois, diz-se, ameaçou-os com represálias por parte das claques. “Atiçou, diversas vezes, a ira dos adeptos contra mim”, disse Rui Patrício. Face aos incidentes de Alcochete, em vez de se colocar intransigentemente do lado das vítimas, disse que os jogadores é que tinham começado tudo na Madeira. Para cúmulo, anteontem ameaçou Patrício e Podence de lhes colocar um processo-crime. E ontem, na brincadeira, desafiou outros a rescindirem. Por uma vez, fizeram-lhe a vontade.

Bruno cometeu um erro tremendo ao declarar guerra aos jogadores. Já se percebeu que perdeu com estrondo. Mas não foi só ele que perdeu; ao manter-se teimosamente na sua, arrastou o clube para o fundo. Pior era impossível.
 

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