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Videovigilância. Câmaras do Bairro Alto registaram 349 ocorrências, mas não convencem

Videovigilância. Câmaras do Bairro Alto registaram 349 ocorrências, mas não convencem

João Biscaia Edilson Coutinho 06/06/2018 10:08

O sistema de videovigilância do Bairro Alto está em vigor há mais de quatro anos, mas comerciantes garantem ao i que não puseram fim ao crime

As 27 câmaras de videovigilância que estão espalhadas pelo Bairro Alto, na freguesia da Misericórdia, em Lisboa, registaram nos últimos anos centenas de crimes, mas não são suficientes para por fim à insatisfação dos moradores, que continuam a queixar-se da insegurança à noite.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgou ontem que o sistema de videovigilância (que funciona entre as 18h00 e as 7h00) registou 349 ocorrências desde 2014. 

Mas as câmaras colocadas em locais estratégicos não têm contribuído para o sentimento de segurança. Ao i, um comerciante que preferiu não ser identificado diz-se mesmo surpreendido por terem sido tão poucos os registos: “Esperava que fossem mais casos”. E questiona mesmo a atuação das autoridades, lembrando a grande intensidade de tráfico de droga nas ruas do Bairro Alto, inclusive onde estão situadas estas câmaras.

A sua loja, de tatuagens - aberta há alguns anos e junto a uma câmara de vigilância - nunca sentiu qualquer benefício com o sistema de videovigilância.

Miguel Ferreira, outro comerciante, também não está convencido e critica a falta de polícias no terreno. O seu restaurante fica na zona de Santa Catarina e Miguel Ferreira continua a ver diariamente “situações desagradáveis”, tendo muitas vezes de chamar a polícia para as resolver.

Quando confrontado com as ocorrências registadas nos últimos anos, insistiu nas críticas -  afirma, aliás, que se a PSP estivesse por lá “poderia registar 349 ocorrências por dia”.

Miguel Ferreira chega a telefonar todos os dias para a esquadra mais próxima, para solicitar a presença das autoridades e perdeu a conta do número de vezes em que ouviu dizer por parte das forças de segurança pública que não existem meios suficientes para controlar o índice de criminalidade. 

O Bicaense Café é outro estabelecimento que sendo próximo do Bairro Alto também sofre com a falta de policiamento nas ruas e que o sistema de videovigilância devia ser alargado. O proprietário do espaço, Carlos Afonso, defende que existe um grave problema na Rua da Bica de Duarte Belo, onde está situado o café: os turistas ficam aglomerados em várias partes do dia, atraindo os criminosos.

Carlos considera que há necessidade de implementar câmaras na rua onde trabalha porque ser ele próprio a resolver as questões de ordem pública deixa-o inseguro. Conta ainda que vários comerciantes já se juntaram para fazer queixas, mas o problema continua.

John Borrego, dono de uma loja de roupa, também afirma que existem muitos problemas durante as horas do dia em que as câmaras estão desligadas. O lojista defende mesmo que as câmaras deveriam passar a vigiar a tempo inteiro. 

Polícia faz balanço positivo da videovigilância A PSP avalia a implementação do sistema de videovigilância como positiva, visto que “tem permitido a identificação” de criminosos.

As forças de segurança garantem ainda que houve um aumento no patrulhamento e que esse foi um dos fatores que contribuíram para que se registasse uma diminuição total de crimes da cidade.

Também o vereador da Câmara Municipal de Lisboa para a Segurança, Miguel Gaspar, reforçou a importância destes sistemas, lembrando, em declarações à Lusa, “que a criminalidade, como um todo, tem vindo a baixar na cidade de Lisboa”.

A Câmara Municipal de Lisboa, em conjunto com o Ministério da Administração Interna, apresentou no passado mês o programa  ‘Noite + Segura’, que pretende alargar o sistema de câmaras de videovigilância a outras partes da cidade de Lisboa. As zonas abrangidas vão desde o Cais do Sodré à frente ribeirinha do Tejo.

*Texto editado por Carlos Diogo Santos

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