18/11/18
 
 
António Luís Marinho 01/06/2018
António Luís Marinho

opiniao@newsplex.pt

Um governo com manual de instruções

Pensávamos nós, inocentes cidadãos, que alguém que assume funções de governação conhece não só as leis do país como as regras de conduta para um servidor público

É costume dizer-se que os filhos não nascem com manual de instruções, resumindo desta forma a fascinante e eterna aventura sem rede que é ajudá-los a crescer.

A expressão também se utiliza para as mulheres e para os homens. Enfim, para tudo o que é complexo, como o são as relações humanas.

Até à data, apesar de se esperar dos membros de um governo competência técnica e política, para além de se exigir, em simultâneo, valores éticos e morais à prova de bala, não se apontava a necessidade de decorarem previamente um “manual de instruções do bom governante”, porque nem sequer existia.

Pois bem. Agora já há!

Pensávamos nós, inocentes cidadãos, que alguém que assume funções de governação conhece não só as leis do país como as regras de conduta para um servidor público. Isto é: aquilo que deve fazer e, obviamente, o que não pode fazer.

Tudo isto porque dois membros deste governo, um ministro e um secretário de Estado, foram apanhados na rede das incompatibilidades. Claro que, para o chefe do governo, tudo isto não passou de meros “lapsos”.

Mas, para que tais “lapsos” não se repitam, aí está, acabadinho de sair do prelo de S. Bento, um novo bestseller: o Código de Conduta.

Ali se resumem todas as regras e prazos que o cidadão comum sempre teve de respeitar, e cujos eventuais “lapsos” são punidos sem apelo nem agravo, mas que, pelos vistos, alguns governantes ignoram. Assim, não vá o diabo tecê-las, fica já tudo escrito para que não haja mais desculpas.

Fantástico! 

E o que é verdade é que a notícia, anunciada pela ministra da Presidência, mereceu apenas curtas linhas, em fim de página, nalguns jornais.

Numa entrevista realizada no início dos anos 60 do século passado, Norman Mailer, esse eterno inconformista, chamava “momento de fé” àquela situação em que já não se discute sobre nada porque “é assim que as coisas são e é o que temos de fazer”. 

Na verdade, estamos, perigosa e inconscientemente, a viver o nosso “momento de fé”.

Jornalista

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